A rede atacadista Caromar, pertencente à família Manassero, entrou com pedido de recuperação judicial após registrar uma queda superior a 41% nas vendas entre novembro de 2024 e o mesmo mês de 2025. A crise forçou o fechamento de diversas unidades e o desligamento de cerca de 100 trabalhadores, revelando um cenário preocupante para o setor atacadista argentino diante da retração do consumo.
O que levou a Caromar a pedir recuperação judicial?
A Caromar acumulou uma série de dificuldades financeiras nos últimos meses, impulsionadas pela combinação entre a queda na demanda dos consumidores e o aumento da concorrência de preços no mercado atacadista. Esse cenário tornou insustentável a operação de diversas unidades da rede, que opera também sob a marca El Coloso.
A recuperação judicial foi reconhecida pelo Juzgado Comercial N°1 como um “grande concurso”, dado o volume de dívidas e a quantidade de credores envolvidos. Esse mecanismo legal permite que a empresa reorganize suas finanças antes de decretar falência definitiva, sendo uma tentativa de manter as operações restantes em funcionamento.

Quais filiais foram fechadas e quantos funcionários foram demitidos?
As filiais fechadas pela Caromar estão localizadas em Mar del Plata, Burzaco, La Tablada e San Justo. Com esses encerramentos, aproximadamente 100 trabalhadores perderam seus empregos, gerando um conflito trabalhista que tomou as ruas em janeiro de 2026, com protestos e bloqueios na rodovia 88.
O principal ponto de atrito entre a empresa e os ex-funcionários é a falta de pagamento das indenizações devidas. Pelo menos 15 trabalhadores desligados em dezembro de 2025 ainda aguardavam receber o que lhes era de direito, o que intensificou os manifestos contra a direção da rede atacadista. Os impactos dessas demissões se espalharam por diferentes regiões da Argentina.
Quais unidades da Caromar ainda estão em funcionamento?
Apesar das dificuldades, a Caromar ainda mantém cinco lojas abertas ao público. A continuidade dessas unidades depende diretamente do sucesso do processo de recuperação judicial e da capacidade da empresa de reorganizar suas obrigações financeiras perante fornecedores e credores.
As unidades ativas estão distribuídas da seguinte forma:
- Laferrere, Moreno e José C. Paz, na província de Buenos Aires
- Rosário, em Santa Fe
- Neuquén, capital da província homônima

Como a crise econômica impactou o setor atacadista?
O caso da Caromar não é isolado. O setor atacadista argentino vem sofrendo os efeitos diretos da crise econômica, com a retração do consumo das famílias e a pressão crescente sobre os preços. A disputa por competitividade entre redes maiores e menores tem eliminado margens e forçado reestruturações em diversas empresas do varejo.
Esse contexto de instabilidade econômica tem gerado consequências diretas para trabalhadores e fornecedores. Os principais sinais de alerta que antecederam a crise da rede incluem:
- Queda de mais de 41% nas vendas em um único ano
- Dificuldades no pagamento de salários e indenizações
- Encerramento progressivo de filiais sem comunicação prévia aos funcionários
- Aumento das dívidas com fornecedores e prestadores de serviços
O que a recuperação judicial significa para os trabalhadores da Caromar?
Para os funcionários que ainda permanecem nos postos de trabalho, a recuperação judicial traz um misto de alívio e incerteza. O processo garante, em teoria, que a empresa continue operando enquanto negocia suas dívidas, o que protege temporariamente os empregos remanescentes. No entanto, a situação exige acompanhamento constante dos sindicatos e órgãos trabalhistas.
O Sindicato de Empregados do Comércio apontou que o caso Caromar está diretamente relacionado ao contexto de reforma trabalhista em curso no país, tornando-o um símbolo das tensões entre empregadores e trabalhadores no setor de varejo e atacado. A recuperação dos direitos dos demitidos continua sendo a principal reivindicação de quem perdeu o emprego com o fechamento das filiais.




