Enquanto capitais disputam rankings de desenvolvimento, uma cidade de pouco mais de 14 mil pessoas no sudoeste de Minas Gerais ocupa a 10ª posição em IDH no estado inteiro. Itaú de Minas fica a 360 km de Belo Horizonte e carrega no nome a marca da fábrica que mudou tudo.
A cidade que nasceu de uma fábrica de cimento
O município surgiu como Córrego do Ferro, um povoado ligado à mineração de calcário e ferro no século XIX. A virada aconteceu em 1937, quando a Companhia de Cimento Portland Itaú inaugurou ali sua primeira fábrica, a quinta do Brasil na época. A usina foi incorporada pelo Grupo Votorantim na década de 1970 e se tornou uma das maiores unidades da Votorantim Cimentos no país, com capacidade para 2,2 milhões de toneladas de cimento por ano.
A fábrica deu nome à cidade. Em 1943, o distrito foi rebatizado de Itaú de Minas, e a emancipação veio em 1987, quando o vilarejo se separou de Pratápolis. Em pouco mais de três décadas de vida como município, Itaú de Minas alcançou indicadores que cidades centenárias ainda perseguem. A indústria cimenteira impulsionou a renda local, mas a economia diversificou: café, gado leiteiro e pecuária de corte sustentam a zona rural, enquanto comércio e serviços acompanham o ritmo urbano.

Os números que explicam o desenvolvimento silencioso
Os indicadores de Itaú de Minas chamam atenção pelo contraste entre o tamanho da cidade e a posição nos rankings. Os dados confirmam um padrão de qualidade de vida acima da média estadual e nacional:
- IDHM de 0,776 (alto): 10ª posição entre os 853 municípios de Minas Gerais, à frente de cidades como Viçosa, Pouso Alegre e Uberaba, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
- Escolarização de 100% na faixa de 6 a 14 anos: segundo o Censo IBGE 2022, todas as crianças dessa faixa frequentam a escola.
- Expectativa de vida de 76,7 anos: acima da média nacional, reflexo de cobertura de saúde consistente para o porte do município.
- PIB per capita de R$ 62.415: valor registrado pelo IBGE em 2023, impulsionado pela indústria cimenteira e pelo agronegócio.
- 96,7% de esgotamento sanitário adequado: 12ª posição no estado, segundo dados do IBGE.
- IBEU de 0,925 (condições muito boas): 23ª posição nacional e 4ª em Minas Gerais no Índice de Bem-Estar Urbano, medido pelo Observatório das Metrópoles da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
O salário médio de 2,3 salários mínimos e a proporção de pessoas ocupadas colocam a cidade na faixa das 70 melhores de Minas em emprego formal.
Quem tem curiosidade sobre a história do interior mineiro, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Rotas da Estrada, que conta com mais de 5.900 visualizações, onde Flaviana mostra os encantos e a tradição industrial de Itaú de Minas, em Minas Gerais:
Como é viver em uma cidade pequena com índices de cidade grande
A rotina em Itaú de Minas combina o silêncio do interior com a infraestrutura que a indústria financiou. Ruas asfaltadas, iluminação pública em quase toda a área urbana e um comércio que atende as necessidades básicas sem exigir viagem à cidade vizinha. Passos, a referência regional, fica a apenas 30 km e complementa a oferta de saúde e ensino superior.
A Câmara Municipal registra que a cidade mantém programas de educação em tempo integral e uma rede de saúde com cobertura que evita deslocamentos para procedimentos de média complexidade. A Festa do Peão Boiadeiro, com rodeios e shows de artistas nacionais, é o principal evento do calendário e movimenta a economia local por dias seguidos. No cotidiano, a paisagem é de montanhas, cafezais e pastagens que avançam até a borda da área urbana.
Quando o clima favorece visitar o sudoeste mineiro
O clima tropical de altitude traz verões quentes com chuvas regulares e invernos secos com manhãs frias. A região fica entre 712 e 1.095 metros de altitude, o que garante noites frescas mesmo no verão:
Temperaturas aproximadas com base em dados regionais do Climatempo. Condições podem variar.
O município que prova que tamanho não define desenvolvimento
Itaú de Minas é a prova de que uma fábrica pode mudar o destino de um lugar, desde que a riqueza gerada fique na cidade. Em pouco mais de três décadas como município independente, o antigo Córrego do Ferro construiu indicadores que rivalizavam com Juiz de Fora e Varginha, cidades dezenas de vezes maiores.
Você precisa conhecer Itaú de Minas para entender como o interior de Minas Gerais guarda cidades silenciosas que vivem melhor do que boa parte do Brasil urbano.




