O aroma de azeite de dendê sobe pelas ladeiras de pedra enquanto o Elevador Lacerda completa mais uma viagem de 30 segundos entre a Cidade Alta e a Cidade Baixa. Salvador, primeira capital do Brasil por 214 anos, ainda pulsa entre fachadas coloniais, tambores e tabuleiros de baiana.
A cidade que foi capital antes de todas as outras
Fundada em 1549 por Tomé de Sousa, Salvador nasceu sobre uma escarpa com vista para a Baía de Todos-os-Santos. A posição estratégica facilitava o comércio com a África e o Oriente, e a riqueza da lavoura açucareira financiou, a partir do século XVII, as igrejas e solares barrocos que ainda definem a paisagem do centro histórico.
A divisão entre Cidade Alta e Cidade Baixa reflete a falha geológica que corta a capital baiana. Na parte alta, o poder político e religioso ergueu catedrais e praças. Na parte baixa, o porto recebia africanos escravizados que trouxeram consigo o candomblé, a capoeira e os ingredientes que transformaram a culinária local. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) tombou o centro histórico em 1984, e a UNESCO o reconheceu como Patrimônio Mundial no ano seguinte.

O que visitar na primeira capital do Brasil?
Salvador concentra séculos de história em poucos quilômetros. A Secretaria de Turismo da Bahia (SETUR) mapeia dezenas de roteiros pela cidade, mas algumas atrações são parada obrigatória:
- Pelourinho: mais de 800 casarões dos séculos XVII e XVIII em ruas de paralelepípedo. As fachadas coloridas abrigam museus, restaurantes e lojas de artesanato. É o maior conjunto colonial da América Latina.
- Elevador Lacerda: primeiro elevador urbano do mundo, inaugurado em 1873. A estrutura de 72 metros transporta cerca de 900 mil passageiros por mês e oferece vista da Baía de Todos-os-Santos. Tombado pelo IPHAN em 2006.
- Farol da Barra e Forte de Santo Antônio: cartão-postal de Salvador, o forte do século XVII abriga o Museu Náutico da Bahia. Por estar voltado para o oeste, o pôr do sol aqui acontece sobre o mar.
- Basílica do Senhor do Bonfim: a fachada coberta de fitinhas coloridas resume o sincretismo baiano. Cada fita recebe três nós que representam três pedidos. A tradicional Lavagem do Bonfim, na segunda quinta-feira de janeiro, atrai milhares de fiéis.
- Dique do Tororó: lagoa urbana onde oito esculturas de orixás, assinadas pelo artista Tatti Moreno em 1998, flutuam sobre a água.
- Ilha dos Frades: acessível por escuna a partir do Terminal Náutico, a ilha tem praias de águas calmas e transparentes que contrastam com o ritmo da capital.
Uma igreja para cada dia do ano e ainda sobram sete
A lenda diz que Salvador tem 365 igrejas, uma para cada dia. O número real é ainda maior: 372 templos católicos, segundo a Arquidiocese de São Salvador da Bahia. A explicação vem do período colonial. A cidade foi sede da primeira arquidiocese do país, fundada em 1551, e todas as demais dioceses brasileiras eram a ela subordinadas até o fim do século XIX.
Cada ordem religiosa ergueu seus próprios templos, e famílias abastadas financiavam construções para exibir poder econômico. O resultado é um acervo que vai do maneirismo da Catedral Basílica ao barroco coberto de ouro da Igreja e Convento de São Francisco, considerada uma das expressões barrocas mais ricas do país.

Que pratos provar na capital baiana?
A cozinha soteropolitana nasce do encontro entre ingredientes indígenas, técnicas portuguesas e temperos trazidos da África Ocidental. O azeite de dendê, o leite de coco e o feijão-fradinho formam a base de receitas que atravessaram séculos. Boa parte delas tem origem nos rituais do candomblé e migrou dos terreiros para as ruas. Estes são os sabores que nenhum visitante deve deixar passar:
- Acarajé: bolinho de feijão-fradinho frito em azeite de dendê, recheado com vatapá, caruru e camarão seco. O ofício de baiana de acarajé é patrimônio imaterial do Brasil desde 2005.
- Moqueca baiana: ensopado de peixe ou camarão em panela de barro com leite de coco, tomate, coentro e dendê. A versão baiana se diferencia da capixaba pelo uso generoso do dendê.
- Cocada: doce de coco vendido nos tabuleiros das baianas, nas versões branca e preta. Encontra-se em cada esquina do centro histórico.
- Abará: primo cozido do acarajé, envolto em folha de bananeira. Mais leve, mantém o sabor do feijão-fradinho temperado com dendê.
Quem planeja viajar para Salvador, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Sonhe Alto Viagens, que conta com mais de 100 mil visualizações, onde a apresentadora mostra um roteiro completo e atualizado de 3 dias pela capital da Bahia:
Quando o clima favorece cada tipo de passeio em Salvador?
O calor é constante na capital baiana, com temperaturas entre 22°C e 32°C ao longo do ano. A principal variação fica por conta das chuvas, concentradas entre abril e julho. A tabela abaixo ajuda a escolher a melhor época para cada experiência:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à capital baiana?
O Aeroporto Internacional de Salvador fica a 28 km do centro histórico e recebe voos diretos das principais capitais brasileiras e de destinos internacionais. O metrô conecta a região do aeroporto à área central. Por terra, a BR-324 liga Salvador a Feira de Santana e ao restante do país. Para quem quer explorar além da capital, o ferry-boat no Terminal Náutico faz a travessia até a Ilha de Itaparica em cerca de 1 hora.
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Salvador merece cada ladeira subida
Poucas cidades brasileiras reúnem, com tanta intensidade, patrimônio colonial, praias de água morna, gastronomia de herança africana e uma energia que escapa de qualquer roteiro planejado. A capital baiana é daqueles destinos que se entende melhor com os pés no paralelepípedo e o dendê nos dedos.
Você precisa subir as ladeiras do Pelourinho, provar o acarajé no tabuleiro da baiana e deixar os tambores do centro histórico contarem o que nenhum guia consegue traduzir.




