Com apenas 1,4 homicídio por 100 mil habitantes, Brusque lidera o ranking nacional de segurança entre cidades com mais de 100 mil moradores. A mesma cidade que abriga o Clube Caça e Tiro Araújo Brusque, fundado em 1866 e mais antigo do gênero em atividade no país, cresceu às margens do rio Itajaí-Mirim, no Vale Europeu de Santa Catarina, e carrega essa mistura de tradição e indústria em cada esquina.
De colônia alemã a berço da fiação catarinense
A história começa em 4 de agosto de 1860, quando 54 imigrantes do Grão-Ducado de Baden chegaram sob o comando do Barão von Schneeburg. O núcleo recebeu o nome de Colônia Itajahy. Em 1890, passou a se chamar Brusque, homenagem ao presidente da província catarinense, Francisco Carlos de Araújo Brusque.
A virada industrial veio com os imigrantes poloneses, conhecidos como tecelões de Lodz. Em 1892, Carlos Renaux instalou teares de madeira rústicos no depósito de sua casa comercial e fundou a Fábrica de Tecidos Renaux. Nascia ali a primeira indústria têxtil de Santa Catarina, um marco que rendeu à cidade o título de Berço da Fiação Catarinense.

Qual é o ritmo de vida na Cidade dos Tecidos?
O Anuário 2025 Cidades Mais Seguras do Brasil, da plataforma MySide, colocou Brusque no topo do ranking nacional entre municípios com mais de 100 mil habitantes. A taxa de 1,43 homicídio por 100 mil moradores é a menor do país, muito abaixo da média brasileira de 23. O salto foi expressivo: em 2024, a cidade ocupava a 13ª posição.
Brusque tem cerca de 141 mil habitantes, segundo o Censo 2022 do IBGE, e cresceu 34% em relação a 2010. A economia se apoia na indústria têxtil e de confecção, mas também na metalurgia e no comércio varejista. Centenas de lojas de fábrica atraem compradores de todo o Sul, com preços de atacado em roupas, artigos de cama, mesa e banho.
O trânsito é administrável para uma cidade média, e a vida cotidiana mantém traços interioranos. Vizinhos se conhecem pelo nome, padarias servem cuca e strudel no café da manhã, e o sotaque germânico ainda aparece em conversas entre moradores mais velhos. A marca de moda Colcci, fundada em Brusque em 1986 por Lila Colzani, nasceu como malharia local e hoje está presente em mais de 30 países.

O que visitar além das lojas de fábrica?
O turismo de compras é o carro-chefe, mas Brusque guarda atrações que surpreendem quem vai além das araras de roupa. Os principais pontos se espalham por três regiões: Azambuja, Centro 1 e Centro 2.
- Santuário de Nossa Senhora de Azambuja: segundo maior santuário católico de Santa Catarina, com torres de 40 metros em estilo românico. A devoção foi trazida por italianos vindos de Caravaggio em 1875.
- Museu Arquidiocesano Dom Joaquim: ao lado do santuário, reúne acervo de arte sacra, numismática, zoologia e usos dos imigrantes. Considerado um dos mais importantes do Sul.
- Parque Zoobotânico: área de 120 mil m² com cerca de 100 animais de 70 espécies em ambiente próximo ao habitat natural. Entrada gratuita.
- Parque das Esculturas: museu a céu aberto com mais de 40 obras em mármore, feitas por artistas de diversos países durante simpósios realizados entre 2001 e 2007.
- Morro do Rosário: trilha leve atrás do santuário, com estátuas dos 15 Mistérios do Rosário e vista panorâmica da cidade no topo.
De marreco recheado a cuca no café da manhã
A gastronomia local reflete a mistura de heranças alemã e italiana. O prato mais famoso é o marreco recheado com repolho roxo, protagonista da Festa Nacional do Marreco, a Fenarreco. A 38ª edição, em outubro de 2025, bateu recorde: mais de 150 mil visitantes e R$ 7 milhões movimentados em 11 dias de festa.
- Marreco recheado: carne temperada com ervas regionais, assada lentamente e servida com repolho roxo agridoce.
- Eisbein: joelho de porco cozido, herança direta das tavernas alemãs.
- Cuca: bolo de massa macia com cobertura crocante de farofa doce, presente em quase toda padaria da cidade.
- Chope artesanal: cervejarias locais como a Zehn Bier oferecem rótulos premiados com tour pela fábrica.
Quem busca qualidade de vida, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Leo e Fabi, que conta com mais de 64 mil visualizações, onde Leo e Fabi mostram as belezas e a rotina de Brusque:
Brusque também é berço dos Jogos Abertos de Santa Catarina
Em 1960, o empresário Arthur Schlösser realizou um sonho: trouxe para Brusque a primeira edição dos Jogos Abertos de Santa Catarina (JASC), como parte das comemorações do centenário da cidade. Foram 444 atletas de 14 municípios naquela edição inaugural. Hoje, os JASC reúnem milhares de competidores e seguem acendendo o fogo simbólico em Brusque antes de cada edição.
Outra curiosidade esportiva: o Clube Atlético Carlos Renaux, fundado em 1913, é considerado o clube de futebol mais antigo de Santa Catarina.
Quando o clima favorece cada tipo de passeio?
O clima subtropical úmido garante verões quentes e invernos amenos. A Fenarreco, em outubro, costuma pegar a transição da primavera com temperaturas agradáveis.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à capital têxtil do Vale Europeu?
Brusque fica a cerca de 40 km de Blumenau pela SC-108 e a 30 km de Balneário Camboriú pela SC-486 (Rodovia Antônio Heil). O aeroporto mais próximo é o de Navegantes, a 50 km. Ônibus intermunicipais partem regularmente de Blumenau, Itajaí e Florianópolis.
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Conheça a cidade que tece tradição e indústria no mesmo fio
Brusque combina herança europeia, economia forte e um cotidiano que preserva hábitos de colônia em pleno século XXI. Poucas cidades no Sul oferecem essa mistura de compras a preço de fábrica, gastronomia germânica e história viva nas ruas.
Você precisa cruzar o Vale Europeu e conhecer Brusque, a cidade onde teares de madeira viraram uma das maiores indústrias têxteis do país e o marreco recheado virou patrimônio de mesa.




