Sonhar acordado faz parte da natureza humana, mas quando o mundo da imaginação se torna mais atraente que a realidade, surge o devaneio excessivo. Também conhecido pelo termo em inglês maladaptive daydreaming, esse comportamento envolve fantasias tão intensas que a pessoa passa horas desconectada do presente.
Quais são os principais sinais do devaneio excessivo?
O sintoma mais marcante é a perda de controle sobre o tempo gasto imaginando. A pessoa pode começar a negligenciar hobbies, estudos e até o convívio com amigos para ficar sozinha “em transe”. Muitas vezes, o devaneio é acompanhado de movimentos repetitivos, como andar de um lado para o outro ou fazer expressões faciais enquanto cria a história.
Outro ponto comum é a presença de gatilhos específicos. Ouvir uma música marcante ou assistir a uma cena de filme pode disparar instantaneamente um episódio de fantasia. Quando isso começa a gerar sofrimento emocional ou queda brusca na produtividade no trabalho, o sinal de alerta deve ser ligado imediatamente.

Como diferenciar a criatividade saudável de um problema?
A linha que separa o pensamento criativo do comportamento prejudicial está no impacto funcional na vida do sujeito. Criar histórias é ótimo para artistas e escritores, desde que eles consigam cumprir seus prazos e manter seus vínculos sociais preservados.
Abaixo, comparamos as características que ajudam a identificar quando o hábito cruzou o limite do saudável:
O devaneio excessivo é considerado uma doença mental?
Atualmente, o fenômeno ainda não consta no DSM-5 (manual oficial de transtornos mentais), pois os pesquisadores ainda buscam evidências mais sólidas. No entanto, a psicologia clínica observa que ele raramente aparece sozinho, estando quase sempre ligado a outras condições que já conhecemos bem.
- TDAH: a dificuldade de manter o foco no presente facilita a fuga para a mente.
- Ansiedade: o mundo imaginário serve como um porto seguro contra preocupações.
- Depressão: a fantasia oferece uma versão idealizada de si mesmo que a realidade não entrega.
- TOC: o ato de fantasiar pode assumir um caráter ritualístico e repetitivo.
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Como retomar o controle e viver mais no presente?
Aprender a identificar os gatilhos que afastam você do momento presente é o caminho para recuperar a produtividade e fortalecer seus vínculos reais. No vídeo a seguir, do canal Drauzio Varella, é detalhado como lidar com o devaneio excessivo ajuda a fortalecer o organismo e proteger sua saúde.
O primeiro passo para lidar com o devaneio excessivo é identificar o que dispara essas viagens mentais. Manter um diário de gatilhos ajuda a perceber se você foge para a imaginação quando está triste, entediado ou sob pressão. Evitar situações de isolamento prolongado com fones de ouvido também é uma estratégia eficaz.
Investir em atividades que exijam presença física, como esportes ou trabalhos manuais, ajuda a ancorar a mente no “aqui e agora”. Se os prejuízos na vida acadêmica ou profissional forem grandes, buscar a psicoterapia é essencial para tratar as causas emocionais que fazem o mundo real parecer menos interessante que a ficção.




