A Lei do Superendividamento garante renegociação coletiva de dívidas a consumidores de boa-fé, preservando o mínimo existencial. Em 2026, a norma permite plano de pagamento em até cinco anos e coíbe práticas abusivas de crédito.
O superendividamento segue como um dos maiores problemas financeiros do país em 2026, mas a legislação brasileira criou um caminho legal para proteger o consumidor. A Lei 14.181/2021 garante renegociação coletiva das dívidas sem comprometer o mínimo necessário para viver.
O que a Lei do Superendividamento realmente protege?
A Lei do Superendividamento, sancionada em 2021, protege o consumidor de boa-fé que não consegue pagar todas as dívidas sem comprometer despesas básicas. Ela alterou o Código de Defesa do Consumidor e reforçou o dever do crédito responsável.
Na prática, a norma impede práticas abusivas, como assédio para contratação de empréstimos, e reconhece que o pagamento de dívidas não pode violar a dignidade da pessoa humana, princípio que orienta toda a aplicação da lei em 2026.

Quais são os pilares legais da Lei do Superendividamento?
A legislação se apoia em fundamentos claros que estruturam sua aplicação prática e orientam juízes, Procons e defensores públicos em todo o país. Entre os principais pilares legais estão os seguintes.
- Crédito responsável: obrigação imposta pela Lei 14.181/2021 ao alterar o CDC (Lei nº 8.078/1990).
- Mínimo existencial: proteção da renda necessária para moradia, alimentação e saúde.
- Função social do contrato: princípio previsto no Art. 421 do Código Civil (Lei nº 10.406/2002).
- Boa-fé do consumidor: exigência de que as dívidas não tenham sido contraídas de forma fraudulenta.
O que é o mínimo existencial e como ele funciona?
O mínimo existencial é o valor protegido da renda do consumidor, que não pode ser usado para pagar dívidas. Ele garante condições básicas de sobrevivência e impede descontos automáticos que inviabilizem o sustento familiar.
Em 2026, esse conceito é aplicado com base em regulamentação federal e dialoga diretamente com o Art. 421 do Código Civil, que impede contratos que levem o cidadão à ruína financeira, reforçando o caráter social da renegociação.

Como funciona a renegociação das dívidas na prática?
O processo previsto na Lei do Superendividamento busca resolver todas as dívidas de forma conjunta, evitando acordos isolados e desorganizados. Ele segue etapas claras que facilitam a recuperação financeira do consumidor.
- Conciliação coletiva: audiência única com todos os credores convocados simultaneamente.
- Plano de pagamento: proposta apresentada pelo devedor para quitação em até cinco anos.
- Repactuação judicial: imposição de plano pelo juiz se não houver acordo voluntário.
Quais dívidas entram e quais ficam fora da lei?
A lei não se aplica a todos os tipos de débitos. O objetivo é proteger o consumo cotidiano, sem interferir em obrigações que possuem regras próprias ou natureza alimentar, preservando o equilíbrio do sistema.
Entram na renegociação cartão de crédito, cheque especial, empréstimos pessoais, consignados e contas de consumo. Ficam fora financiamento imobiliário, crédito com garantia real, pensão alimentícia e tributos, mantendo a coerência jurídica da norma.
Ao garantir renegociação justa, preservação do mínimo existencial e participação obrigatória dos credores, a Lei do Superendividamento transforma a recuperação financeira em um direito real e devolve dignidade a milhões de brasileiros.




