No fundo do Mar da China Meridional, um peixe blindado surpreendeu pesquisadores ao usar as nadadeiras como pernas. O Scalicus engyceros foi filmado andando para os lados e para trás sobre o sedimento, enquanto estruturas junto à boca funcionavam como um pequeno rastelo na procura por alimento em águas profundas.
Que peixe blindado é esse que parece caminhar no fundo do mar?
O Scalicus engyceros pertence ao grupo dos peixes conhecidos como armored searobins, animais de corpo protegido por placas e adaptados ao fundo marinho. A subfamília Peristediinae reúne espécies com aparência incomum e forte associação ao ambiente bentônico.
Em vez de depender apenas da natação, essa espécie consegue apoiar partes das nadadeiras peitorais no substrato. O resultado é um movimento que lembra passos, com o corpo sustentado perto da areia e das rochas, algo útil em um ambiente onde locomoção e busca por alimento acontecem junto ao fundo.

Como as nadadeiras conseguem funcionar como pequenas pernas?
As observações em vida mostraram nadadeiras peitorais projetadas para os lados como placas rígidas. O estudo com registros de mergulho profundo descreve essas estruturas sustentando o equilíbrio enquanto o peixe literalmente caminha sobre o sedimento.
O detalhe mais raro apareceu quando o animal mudou de direção sem precisar girar o corpo como um peixe comum. O movimento lateral e para trás foi registrado diretamente, mostrando que as nadadeiras não servem apenas de apoio, mas participam de uma locomoção bem mais versátil.
O que faz o movimento parecer um “moonwalk” submarino?
O efeito vem da combinação entre corpo rígido, passos curtos e deslocamento para trás. Em alguns momentos, o peixe mantém a frente orientada para uma direção enquanto recua, criando um movimento visualmente parecido com um deslizamento invertido sobre o fundo marinho.
Três características tornam esse comportamento tão estranho à primeira vista:
- Nadadeiras como apoio: partes peitorais tocam o solo e sustentam o corpo durante o deslocamento.
- Passos laterais: o peixe consegue mover-se de lado sem depender apenas da cauda.
- Marcha para trás: a espécie recua sobre o sedimento mantendo controle do equilíbrio.

Para que servem as estruturas parecidas com um rastelo perto da boca?
Além das nadadeiras, a espécie possui barbilhões labiais organizados de forma lateral, lembrando os dentes de um rastelo. Eles ficam próximos do substrato e ajudam o animal a explorar o fundo, onde pequenas presas podem permanecer escondidas entre areia, cascalho e matéria orgânica.
O comportamento combina com o habitat conhecido da espécie. O registro do FishBase indica ocorrência em águas profundas e associação com fundos rochosos e arenosos, exatamente o tipo de ambiente em que tocar e vasculhar o substrato pode ser vantajoso.
Por que filmar esse peixe vivo mudou o que se sabia sobre ele?
Muitas descrições de peixes profundos foram feitas a partir de exemplares coletados, que preservam anatomia, mas não mostram comportamento. As imagens em ambiente natural revelaram funções impossíveis de deduzir apenas pelo corpo parado, como a coordenação entre nadadeiras, cauda e barbilhões durante a caminhada.
O registro também mostra como animais de águas profundas podem usar soluções de movimento pouco intuitivas para quem está acostumado a peixes nadando livremente. No caso do peixe blindado, caminhar para frente, de lado ou para trás virou parte visível de uma adaptação especializada ao fundo do oceano.
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