Durante 24 horas, o carro japonês número 55 manteve um ritmo suficiente para completar 362 voltas em Le Mans. O Mazda 787B pesava apenas 830 kg e usava um motor rotativo de quatro rotores com cerca de 700 PS. Em 1991, essa combinação terminou com a primeira vitória geral japonesa na prova.
O que tornava o carro japonês Mazda 787B tão diferente?
O Mazda 787B pertencia à geração de protótipos do Grupo C e tinha uma característica particularmente incomum: no lugar dos pistões convencionais, utilizava um motor rotativo R26B com quatro rotores, arquitetura desenvolvida pela Mazda durante anos de competição.
Os números do vencedor ajudam a dimensionar o projeto:
- 830 kg: peso informado pela Mazda para o 787B vencedor.
- 700 PS: potência máxima declarada para o motor de quatro rotores.
- 362 voltas: distância completada durante a corrida de 1991.
- Cerca de 4.923 km: percurso total informado pela fabricante.

Como funciona um motor rotativo de quatro rotores?
A Mazda explica que o R26B reunia quatro alojamentos de rotor em sequência. Em vez de pistões subindo e descendo dentro de cilindros, rotores giravam em câmaras específicas para realizar admissão, compressão, combustão e escape.
Na configuração de corrida, o conjunto usava injeção eletrônica, admissão variável e três velas por rotor. A arquitetura ajudava a entregar potência em altas rotações dentro de um pacote compacto. Em uma prova de duração extrema, porém, potência só tinha valor se o conjunto continuasse funcionando durante milhares de quilômetros.
Como 362 voltas transformaram o 787B no vencedor de Le Mans?
O Automobile Club de l’Ouest registra 1991 como o ano em que o motor rotativo chegou à vitória geral. O Mazda de Volker Weidler, Johnny Herbert e Bertrand Gachot permaneceu competitivo enquanto adversários enfrentavam problemas durante as 24 horas de corrida.
A prova de resistência não premia somente a volta mais rápida. Paradas, consumo, desgaste, falhas e tempo perdido também determinam o resultado. O número 55 completou 362 voltas, e a regularidade permitiu aproveitar as dificuldades dos rivais até assumir a liderança nas horas finais.

Por que os 830 kg faziam tanta diferença durante a corrida?
Massa reduzida ajuda em vários pontos de um carro de competição. Há menos peso para acelerar, frear e mudar de direção, embora desempenho real dependa de aerodinâmica, pneus e acerto. No 787B, 830 kg combinados ao motor de aproximadamente 700 PS criavam uma relação bastante agressiva para uma prova longa.
O baixo peso não poderia comprometer resistência. O protótipo precisava suportar ondulações, frenagens fortes e milhares de mudanças de carga durante um dia inteiro. O desafio, portanto, era encontrar equilíbrio entre leveza e durabilidade, porque retirar massa demais de uma peça crítica poderia transformar vantagem de desempenho em abandono.
Por que a vitória do Mazda 787B continua tão lembrada?
Porque ela reuniu uma tecnologia incomum e um resultado que a indústria japonesa perseguia havia anos. O Mazda 787B tornou-se o primeiro automóvel de uma fabricante japonesa a vencer a classificação geral das 24 Horas de Le Mans, fazendo isso justamente com a tecnologia rotativa associada à marca.
As quase cinco mil quilômetros percorridos dão dimensão ao feito. Não bastava produzir potência durante alguns minutos. O conjunto precisava repetir acelerações, frenagens e trocas de marcha durante um dia inteiro de competição. Em 1991, o carro de 830 kg conseguiu fazer isso por tempo suficiente para cruzar a linha na frente.

