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Influenciador grava crianças vendendo doces, lucra R$ 950 mil e leva condenação de R$ 500 mil

Guilherme Araújo Por Guilherme Araújo
29/07/2026
Em Economia
Influenciador grava crianças vendendo doces, lucra R$ 950 mil e leva condenação de R$ 500 mil

Exposição de vulnerabilidade infantil para gerar engajamento resulta em condenações judiciais.

As imagens mostravam crianças vendendo doces em semáforos e contando detalhes de uma vida difícil. O conteúdo gerava audiência e receita, mas não preservava a identidade nem impedia que o trabalho infantil fosse apresentado como exemplo positivo.

Por que crianças vendendo doces apareciam nos vídeos?

O influenciador abordava crianças e adolescentes que trabalhavam nas ruas de Sorocaba, no interior de São Paulo. Eles eram convidados a contar histórias, dificuldades, sonhos e como ajudavam financeiramente suas famílias.

Segundo o Tribunal de Justiça de São Paulo, os vídeos mostravam rostos, nomes e idades. Não eram usados recursos suficientes para impedir a identificação dos jovens.

Rostos, nomes e dificuldades pessoais eram usados para atrair visualizações

Como o conteúdo transformava vulnerabilidade em audiência?

As histórias eram publicadas em plataformas digitais e atraíam visualizações. O influenciador elogiava os menores por trabalharem e ajudarem em casa, embora o trabalho infantil seja uma situação que exige proteção e atuação do poder público.

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  • Abordagem: crianças eram encontradas trabalhando em semáforos.
  • Identidade: rostos, nomes e idades apareciam nos vídeos.
  • Histórias: dificuldades familiares eram transformadas em conteúdo.
  • Engajamento: as publicações geravam visualizações e receita.
  • Trabalho infantil: a atividade era apresentada de maneira positiva.
  • Advertência anterior: o influenciador já havia prometido retirar publicações.

Por que a Justiça considerou a exposição irregular?

O juiz entendeu que a imagem infantil foi usada para engajamento e lucro em um contexto de vulnerabilidade social. A proteção da criança deveria ter prioridade sobre o interesse de produzir conteúdo.

O Estatuto da Criança e do Adolescente protege a imagem, a identidade, a dignidade e a integridade moral dos menores. Mostrar uma situação real não elimina esses direitos.

Leia também: Crianças comem chocolate com larvas e mãe recebe R$ 5 mil na Justiça

O que representa a devolução de cerca de R$ 950 mil?

A decisão mandou restituir integralmente os valores obtidos com as publicações, estimados em cerca de R$ 950 mil. O valor foi descrito pelo tribunal como receita auferida com os vídeos, não como cálculo de lucro líquido depois das despesas.

A restituição busca retirar o benefício econômico relacionado ao conteúdo. Ela não se confunde com a indenização coletiva fixada separadamente.

Quais condenações foram aplicadas?

A sentença alcançou o influenciador e as plataformas digitais. O dinheiro da reparação coletiva deverá ser destinado ao Fundo Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente.

Restituição
Cerca de R$ 950 mil recebidos com os vídeos O influenciador deverá devolver os valores obtidos com as publicações.
Indenização
R$ 500 mil por danos morais coletivos A reparação será destinada ao fundo estadual ligado aos direitos de crianças e adolescentes.
Plataformas
Responsabilidade solidária e retirada dos vídeos Os serviços digitais também foram condenados e deverão deixar os conteúdos indisponíveis.
Proibição
Novos conteúdos com imagem, voz ou história O influenciador não poderá repetir a exposição dos jovens nos termos definidos pela sentença.

A decisão já é definitiva?

Não. O TJSP informou que ainda cabe recurso. As obrigações e os valores podem ser reavaliados em outras etapas do processo.

O resultado divulgado foi proferido pela 1ª Vara da Infância e da Juventude de Sorocaba. Ele trata desse conjunto específico de vídeos, provas, receitas e advertências anteriores.

Tags: direito de imageminfluenciador digitalredes sociaistrabalho infantil

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