Polvos quase nunca viram fósseis porque seus corpos são moles, mas suas mandíbulas podem sobreviver nas rochas. Novas peças revelaram polvos do Cretáceo com tamanho estimado de até 19 metros e marcas de mordidas fortes. Elas sustentam o papel de grandes predadores, enquanto a inteligência é sugerida pelo uso desigual dos lados da mandíbula.
Que fósseis foram encontrados?
Os pesquisadores encontraram mandíbulas, também chamadas de bicos, escondidas em rochas marinhas do Cretáceo Superior. As amostras vieram do Japão e da Ilha de Vancouver, no Canadá, e têm entre 100 e 72 milhões de anos.
Segundo a Universidade de Hokkaido, os fósseis pertenciam a polvos com nadadeiras do grupo Cirrata. O corpo mole desapareceu, mas a parte usada para cortar e esmagar alimento preservou riscos, lascas e áreas polidas.

O que as mandíbulas revelaram sobre esses polvos?
As mandíbulas revelaram animais grandes, com mordida forte e contato repetido com presas duras. O desgaste ficou mais intenso nos exemplares maiores, sinal de uma vida ativa de caça.
O resumo científico distribuído pela AAAS informa que a equipe reavaliou 15 mandíbulas e encontrou outras 12 dentro das rochas. Os principais resultados foram:
Como os cientistas calcularam o tamanho e a dieta?
Os cientistas usaram a forma, o tamanho e o desgaste dos bicos para reconstruir partes do corpo e da alimentação. O comprimento total não foi medido diretamente, pois braços e tecidos não ficaram preservados.
A equipe combinou técnicas que transformaram pequenas marcas em pistas:
- Tomografia por desgaste: a rocha foi removida em camadas e fotografada em alta resolução.
- Modelo de inteligência artificial: o sistema separou a mandíbula do material ao redor nas imagens.
- Comparação corporal: medidas de polvos conhecidos ajudaram a estimar o comprimento completo.
- Análise das marcas: riscos, quebras e polimento indicaram contato com alimento resistente.
- Diferença entre os lados: o desgaste desigual mostrou possível preferência durante a mordida.

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O que os fósseis provam e o que apenas sugerem?
Os fósseis provam a existência das mandíbulas e permitem medir diretamente suas formas e danos. O tamanho do corpo, a dieta e o comportamento são conclusões feitas a partir dessas peças.
Essa separação é importante porque a inteligência não deixou uma marca direta. A lateralização, preferência por um lado do corpo, está ligada a processamento nervoso mais complexo em animais atuais, mas não funciona como um teste de inteligência para uma espécie extinta.
Por que a descoberta muda a história dos oceanos?
A descoberta muda a história porque coloca grandes invertebrados no mesmo nível ecológico de répteis marinhos e tubarões. Antes, o registro conhecido fazia os vertebrados parecerem quase exclusivos no topo das cadeias alimentares antigas.
O Museu de História Natural de Londres explica que o Cretáceo durou de 145 a 66 milhões de anos e teve mares rasos com grandes répteis. Os novos polvos ampliam esse cenário ao mostrar outro tipo de caçador gigante.
O Kraken era uma lenda, mas os bicos são reais.




