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Fósseis de ‘Kraken’ mostram que polvos enormes e inteligentes eram os principais predadores dos mares do Cretáceo

Guilherme Araújo Por Guilherme Araújo
20/07/2026
Em Curiosidades
Fósseis de 'Kraken' mostram que polvos enormes e inteligentes eram os principais predadores dos mares do Cretáceo

Mandíbulas preservadas mudam a imagem dos antigos mares dominados por répteis

Polvos quase nunca viram fósseis porque seus corpos são moles, mas suas mandíbulas podem sobreviver nas rochas. Novas peças revelaram polvos do Cretáceo com tamanho estimado de até 19 metros e marcas de mordidas fortes. Elas sustentam o papel de grandes predadores, enquanto a inteligência é sugerida pelo uso desigual dos lados da mandíbula.

Que fósseis foram encontrados?

Os pesquisadores encontraram mandíbulas, também chamadas de bicos, escondidas em rochas marinhas do Cretáceo Superior. As amostras vieram do Japão e da Ilha de Vancouver, no Canadá, e têm entre 100 e 72 milhões de anos.

Segundo a Universidade de Hokkaido, os fósseis pertenciam a polvos com nadadeiras do grupo Cirrata. O corpo mole desapareceu, mas a parte usada para cortar e esmagar alimento preservou riscos, lascas e áreas polidas.

Fósseis de 'Kraken' mostram que polvos enormes e inteligentes eram os principais predadores dos mares do Cretáceo
O desgaste dos bicos guardou pistas de tamanho, dieta e comportamento

O que as mandíbulas revelaram sobre esses polvos?

As mandíbulas revelaram animais grandes, com mordida forte e contato repetido com presas duras. O desgaste ficou mais intenso nos exemplares maiores, sinal de uma vida ativa de caça.

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O resumo científico distribuído pela AAAS informa que a equipe reavaliou 15 mandíbulas e encontrou outras 12 dentro das rochas. Os principais resultados foram:

1
Idade As rochas foram formadas entre 100 e 72 milhões de anos atrás.
2
Tamanho estimado Os maiores animais podem ter alcançado de 7 a 19 metros.
3
Desgaste intenso Em alguns exemplares, até 10% da ponta da mandíbula havia desaparecido.
4
Dieta resistente Riscos e quebras indicam mordidas repetidas em conchas, ossos ou presas duras.
5
Uso desigual Um lado da mandíbula estava mais gasto, sinal de preferência durante a mordida.

Como os cientistas calcularam o tamanho e a dieta?

Os cientistas usaram a forma, o tamanho e o desgaste dos bicos para reconstruir partes do corpo e da alimentação. O comprimento total não foi medido diretamente, pois braços e tecidos não ficaram preservados.

A equipe combinou técnicas que transformaram pequenas marcas em pistas:

  • Tomografia por desgaste: a rocha foi removida em camadas e fotografada em alta resolução.
  • Modelo de inteligência artificial: o sistema separou a mandíbula do material ao redor nas imagens.
  • Comparação corporal: medidas de polvos conhecidos ajudaram a estimar o comprimento completo.
  • Análise das marcas: riscos, quebras e polimento indicaram contato com alimento resistente.
  • Diferença entre os lados: o desgaste desigual mostrou possível preferência durante a mordida.
Fósseis de 'Kraken' mostram que polvos enormes e inteligentes eram os principais predadores dos mares do Cretáceo
Peças escondidas na rocha revelaram caçadores que quase não fossilizam.

Leia também: Fóssil com filhotes de 125 milhões de anos revela cuidado raro na época dos dinossauros

O que os fósseis provam e o que apenas sugerem?

Os fósseis provam a existência das mandíbulas e permitem medir diretamente suas formas e danos. O tamanho do corpo, a dieta e o comportamento são conclusões feitas a partir dessas peças.

Essa separação é importante porque a inteligência não deixou uma marca direta. A lateralização, preferência por um lado do corpo, está ligada a processamento nervoso mais complexo em animais atuais, mas não funciona como um teste de inteligência para uma espécie extinta.

Confirmado
Mandíbulas fossilizadas As peças foram encontradas em rochas do Japão e da Ilha de Vancouver.
Estimado
Comprimento do corpo A faixa de 7 a 19 metros foi calculada pela relação entre mandíbula e corpo.
Inferido
Papel de grande predador O tamanho e o desgaste indicam caça ativa e consumo de presas duras.
Sugerido
Comportamento complexo O desgaste desigual pode indicar lateralização, mas não mede inteligência diretamente.

Por que a descoberta muda a história dos oceanos?

A descoberta muda a história porque coloca grandes invertebrados no mesmo nível ecológico de répteis marinhos e tubarões. Antes, o registro conhecido fazia os vertebrados parecerem quase exclusivos no topo das cadeias alimentares antigas.

O Museu de História Natural de Londres explica que o Cretáceo durou de 145 a 66 milhões de anos e teve mares rasos com grandes répteis. Os novos polvos ampliam esse cenário ao mostrar outro tipo de caçador gigante.

O Kraken era uma lenda, mas os bicos são reais.

Tags: cretáceofósseispaleontologiapolvos gigantes

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