O café do McDonald’s derramado no colo de uma mulher de 79 anos virou um dos processos mais famosos dos Estados Unidos. O acidente causou queimaduras profundas, internação e enxertos de pele. O júri concedeu quase US$ 3 milhões, mas ela não recebeu esse valor.
Quem era a mulher que processou o McDonald’s?
A cliente era Stella Liebeck, uma aposentada que morava no estado do Novo México. O acidente ocorreu em 27 de fevereiro de 1992, depois que ela comprou um café em uma unidade de Albuquerque.
Stella não estava dirigindo. Ela ocupava o banco do passageiro, enquanto o neto estacionou o carro para que ela colocasse açúcar e creme na bebida.

Como o café causou queimaduras tão graves?
Stella colocou o copo entre os joelhos e tentou retirar a tampa. O recipiente virou e o líquido encharcou a calça, mantendo o café quente em contato com a pele.
Segundo o Museu Americano de Direito Civil, a bebida era mantida entre 180 °F e 190 °F, cerca de 82 °C a 88 °C. Nessa temperatura, uma queimadura profunda poderia ocorrer em poucos segundos.
- Stella sofreu queimaduras de terceiro grau.
- As lesões atingiram coxas, nádegas e região íntima.
- Ela permaneceu internada durante 8 dias.
- O tratamento incluiu retirada de tecido morto.
- Também foram necessários enxertos de pele.
- A recuperação continuou por aproximadamente 2 anos.
Por que ela decidiu levar o caso à Justiça?
Antes de entrar com o processo, Stella pediu cerca de US$ 20 mil para cobrir despesas médicas e outros gastos. O McDonald’s ofereceu apenas US$ 800.
Durante o julgamento, os advogados mostraram que a rede já havia recebido mais de 700 relatos de queimaduras provocadas pelo café entre 1982 e 1992. Mesmo assim, a temperatura usada nas lojas não havia sido alterada.
- A cliente tentou um acordo antes de entrar na Justiça.
- As despesas médicas já passavam de US$ 10 mil.
- A empresa conhecia outros acidentes parecidos.
- O aviso no copo dizia apenas que o conteúdo estava quente.
- O júri entendeu que o risco não estava explicado de forma suficiente.
O processo ficou conhecido como caso do café quente do McDonald’s.
Quanto o júri concedeu e quanto Stella recebeu?
O júri fixou US$ 200 mil para compensar as lesões e os gastos. Como Stella foi considerada responsável por 20% do acidente, essa parte caiu para US$ 160 mil.
Também foram concedidos US$ 2,7 milhões como punição ao McDonald’s. O valor correspondia a cerca de 2 dias das vendas nacionais de café da rede.

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Ela realmente ficou com quase US$ 3 milhões?
Não. O juiz reduziu os danos punitivos de US$ 2,7 milhões para US$ 480 mil. Somados aos US$ 160 mil da compensação, o resultado judicial ficaria em aproximadamente US$ 640 mil.
Antes do fim dos recursos, as partes fizeram um acordo com valor confidencial. O Instituto de Informação Jurídica da Universidade Cornell confirma que o pagamento final nunca foi divulgado oficialmente.
Por que o caso virou motivo de piada?
A história foi resumida como se Stella tivesse recebido milhões apenas por derramar café sobre si mesma. Muitos relatos não mencionavam a temperatura, as queimaduras, os enxertos ou os acidentes anteriores.
Na realidade, o júri também colocou parte da culpa sobre a cliente. O processo discutiu se um produto conhecido por causar lesões graves continuava sendo servido em temperatura perigosa sem um aviso claro. O valor de quase US$ 3 milhões foi uma decisão inicial, não o dinheiro recebido por Stella.




