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Um carro abandonado está parado no aeroporto do Rio de Janeiro desde 2020 e acumula R$ 180 mil em estacionamento

André Rangel  Por André Rangel 
07/07/2026
Em Carros
A história do Civic esquecido que desafia a lógica há seis anos

A história do Civic esquecido que desafia a lógica há seis anos

No Terminal 2 do Aeroporto Internacional Tom Jobim, no Rio de Janeiro, um Honda Civic EX-L Coupé 2008 ocupa a mesma vaga há pelo menos seis anos. Coberto por uma camada espessa de poeira, sem placas, com pneus ressecados e travas nas rodas, o veículo virou um dos maiores enigmas do estacionamento de um dos aeroportos mais movimentados do Brasil. As inscrições deixadas por curiosos na lataria suja, como “me lave”, resumem bem a situação: ninguém sabe quem é o dono, ninguém veio buscar o carro, e a conta segue correndo.

O que torna esse Civic tão incomum no Brasil?

O modelo é raro no país por uma razão simples: nunca foi vendido oficialmente aqui. O Honda Civic EX-L Coupé é a versão de duas portas da oitava geração do Civic, fabricada no Canadá e voltada ao mercado norte-americano. Com motor 1.8 i-VTEC de quatro cilindros e cerca de 140 cavalos, ele acelerava de zero a 100 km/h em menos de dez segundos. O acabamento EX-L incluía bancos de couro, teto solar elétrico, airbags laterais, freios ABS e painel digital considerado futurista para a época.

No Brasil, a Honda só vendia o Civic sedã de quatro portas. O coupé esportivo nunca teve representação oficial por aqui. O estado de abandono completo transformou o carro em um fenômeno nas redes sociais e na imprensa especializada.

A história do Civic esquecido que desafia a lógica há seis anos
A história do Civic esquecido que desafia a lógica há seis anos

Como o carro chegou ao Galeão vindo dos Estados Unidos?

O veículo foi originalmente registrado em Nova York. No painel, visível de fora, há adesivos de seguro obrigatório de Belize e registro de controle aduaneiro da Guatemala, dois países da América Central. A teoria mais aceita é que o carro cruzou cerca de 20 mil quilômetros por terra, dos Estados Unidos ao Brasil, antes de ser estacionado no Galeão.

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As pistas encontradas no interior do veículo alimentam as teorias sobre a jornada do carro até o Rio. Entre os itens mais intrigantes estão:

  • Adesivo de seguro obrigatório de Belize: comprova passagem pelo país centro-americano
  • Controle aduaneiro da Guatemala: visível no para-brisa, indica rota terrestre pela América Central
  • Ticket de estacionamento de Cabo Frio (2019): prova que o carro circulava pelo Rio antes do abandono
  • Chaves sobre o banco do motorista: detalhe que mais intriga: o dono foi embora sem o carro e sem as chaves

A partir de 2020, a história para. O proprietário nunca mais apareceu e nenhuma informação sobre sua identidade foi confirmada até hoje.

Por que o carro ainda está lá e não pode ser simplesmente removido?

A resposta é jurídica. Um carro abandonado em via pública tem tratamento previsto no Código de Trânsito Brasileiro, com prazos de notificação e recolhimento ao pátio. Em estacionamento privado, as regras são diferentes. Conforme explicado pelo responsável do estacionamento do Galeão, precisa identificar a titularidade do veículo, realizar notificações formais e seguir procedimentos legais antes de qualquer remoção.

A empresa também alegou que a LGPD, a Lei Geral de Proteção de Dados, impede a divulgação de informações sobre o caso. O resultado prático é que o carro permanece parado enquanto a burocracia não avança. A situação é ainda mais complicada pela ausência de placas e pela documentação estrangeira do veículo, que dificulta a identificação do proprietário e qualquer ação extrajudicial ou judicial.

A história do Civic esquecido que desafia a lógica há seis anos
A história do Civic esquecido que desafia a lógica há seis anos

Quanto o estacionamento está cobrando por seis anos de dívida?

O valor acumulado é expressivo. Considerando a diária cobrada pelo estacionamento do Galeão, estimada em R$ 82, e o período de aproximadamente 2.192 dias de abandono, a dívida total chega a cerca de R$ 180 mil. Esse montante, naturalmente, segue crescendo a cada dia que o carro permanece na vaga. O cenário abaixo resume os elementos do caso e ilustra por que ele virou um fenômeno de atenção:

  • Modelo: Honda Civic EX-L Coupé 2008, versão canadense nunca vendida no Brasil
  • Estado: sem placas, pneus ressecados, coberto por poeira espessa desde pelo menos 2020
  • Origem estimada: registrado em Nova York, passou por Belize e Guatemala antes de chegar ao Rio
  • Dívida acumulada: aproximadamente R$ 180 mil em diárias de estacionamento
  • Paradeiro do dono: desconhecido; empresa não pode divulgar informações pela LGPD

O que vai acontecer com esse carro no fim das contas?

O destino mais provável é o leilão, mas o caminho passa por etapas demoradas. Identificar o proprietário e aguardar prazos legais já leva meses. Com documentação estrangeira e sem placas, cada etapa é mais complicada. O valor de mercado, mesmo em condições precárias, pode ser alto pela raridade do modelo.

O Civic do Galeão é mais do que um carro parado. É um mistério com pneus. Enquanto a burocracia tenta resolver o que o proprietário abandonou, o veículo segue acumulando poeira, dívida e especulações. Se você passar pelo Terminal 2 do Galeão, provavelmente vai encontrá-lo exatamente onde está. Só que com mais poeira e mais R$ 82 na conta.

Tags: aeroportocarrohonda civic

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