Gerar energia em casa com a força de um rio parece ideia antiga, mas virou projeto moderno nas mãos do engenheiro aposentado Marc Nering. Ele construiu uma roda d’água na Colúmbia Britânica, no Canadá, para aproveitar a correnteza e alimentar a própria casa.
Quem é o aposentado que usa o rio para gerar energia?
O responsável pelo projeto é Marc Nering, fundador da Nering Industries. Em entrevista à Hydro Leader, ele contou que trabalhou com geração hidrelétrica na Colúmbia Britânica antes de criar a própria roda d’água.
Nering vive em uma fazenda perto do rio Cheakamus, um curso d’água de correnteza rápida. A partir dessa condição, ele decidiu transformar o movimento da água em eletricidade, sem construir barragem e sem desviar o rio como uma usina tradicional.

Como a roda d’água transforma correnteza em eletricidade?
O funcionamento é direto. A correnteza empurra as pás da roda, a roda gira e esse movimento aciona um gerador. A energia gerada passa por equipamentos elétricos antes de ser usada na casa ou enviada para a rede, quando há sobra.
O próprio Nering explicou que usa um conversor conectado à rede e exporta a energia extra que não consome. O ponto forte do sistema é a geração contínua enquanto houver correnteza suficiente no rio.
O vídeo abaixo, do canal Nering Industries, mostra a estrutura da roda d’água e ajuda a visualizar como o equipamento fica instalado junto ao rio:
Por que o sistema consegue funcionar dia e noite?
A diferença em relação à energia solar está na fonte. Painéis solares dependem de luz, enquanto a roda d’água depende do movimento da água. Se o rio mantém correnteza forte durante o dia e a noite, o sistema pode gerar eletricidade de forma constante.
Segundo a entrevista, Nering afirmou que a roda chegou a produzir cerca de 3 kW em seu melhor desempenho. Ele também explicou que o resultado depende da velocidade do rio, da área das pás e das condições mecânicas do equipamento.
- Correnteza forte: o rio precisa ter velocidade suficiente para girar a roda.
- Gerador adequado: o equipamento precisa converter rotação em eletricidade.
- Base firme: a estrutura deve ficar estável na margem do rio.
- Manutenção constante: água, umidade e torque desgastam peças.
- Conexão segura: a ligação com a casa ou rede exige equipamentos corretos.
O que torna esse tipo de energia possível?
O segredo não é apenas colocar uma roda no rio. O projeto depende de um conjunto de condições naturais, mecânicas, elétricas e legais. Nering afirmou que o rio precisa correr a pelo menos 3 metros por segundo para a roda funcionar bem.
A comparação ajuda a entender:

É possível copiar esse sistema em qualquer casa?
Não. O próprio caso mostra que a ideia depende de um rio muito específico. Além disso, Nering contou que o licenciamento foi difícil, com estudos ambientais e avaliação de órgãos municipais, provinciais e federais.
Na Colúmbia Britânica, o governo informa que projetos de energia hidráulica exigem licença de uso da água e, em muitos casos, autorização ligada ao uso de terras públicas. A página oficial de water power reforça que projetos desse tipo precisam de licença de água.
No Brasil, também não basta instalar uma roda no rio. A ANA explica que a outorga de uso de recursos hídricos serve para controlar o uso da água. Já a ANEEL reúne as regras de micro e minigeração distribuída.

Quais problemas apareceram depois que a roda começou a operar?
O projeto funcionou, mas não ficou livre de ajustes. Nering relatou problemas com correias escorregando quando tudo ficava molhado, além de desgaste em rolamentos por causa da entrada de água.
Para resolver parte do problema, ele passou a usar mancais de madeira lignum vitae, uma solução antiga para ambientes úmidos. Também comentou que pretende melhorar o sistema com corrente, caixa de engrenagem ou gerador de acionamento direto.
- A água molha peças e reduz aderência.
- A força da roda cria muito torque.
- Rolamentos comuns podem sofrer com infiltração.
- O nível do rio muda com chuva e degelo.
- A altura da roda precisa ser ajustada conforme a vazão.
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Por que esse projeto chamou tanta atenção?
O projeto chamou atenção porque une uma ideia antiga com equipamentos modernos. A roda d’água lembra moinhos, mas o gerador, o conversor e a conexão elétrica tornam o sistema útil para uma casa atual.
A Lei nº 14.300/2022, no Brasil, trata do marco legal da microgeração e minigeração distribuída, mas cada projeto hídrico ainda precisa passar por análise técnica, ambiental e regulatória.
A lição é simples: gerar energia em casa com rio pode ser possível em locais muito específicos, mas não é improviso de quintal. Precisa de correnteza forte, projeto bem feito, autorização, segurança elétrica e cuidado ambiental antes de qualquer instalação.


