O grupo Inditex, dono da Zara e de outras marcas de moda globais, terminou o terceiro trimestre fiscal de 2025 com 132 lojas a menos do que tinha um ano antes, chegando a 5.527 unidades ao redor do mundo. O movimento não é sinal de crise: a receita cresceu 2,7% no mesmo período, alcançando 28,1 bilhões de euros. A estratégia é trocar quantidade por qualidade, fechando unidades menores e abrindo espaços maiores, mais tecnológicos e integrados ao comércio eletrônico, num modelo que redesenha o varejo de moda em escala global.
Quantas lojas a Inditex fechou e quais marcas foram afetadas?
Os fechamentos não se concentraram em uma única bandeira. Zara liderou em números absolutos, com 60 lojas a menos em 12 meses, terminando outubro de 2025 com 1.528 unidades. Zara Home reduziu 27 pontos, e Massimo Dutti fechou 23. Oysho, Pull&Bear e Stradivarius também registraram reduções líquidas no período, segundo dados do relatório trimestral da companhia citados pela Modaes.
Nem todas as marcas encolheram. Bershka e Lefties foram as únicas a crescer em número de pontos de venda no período. A Lefties, marca de baixo custo do grupo, ganhou unidades como parte de uma expansão deliberada para capturar consumidores mais sensíveis ao preço, enquanto a Zara seguiu o caminho oposto, em direção a lojas maiores e mais sofisticadas.

Por que fechar lojas faz a receita crescer?
Porque a estratégia não é reduzir presença, e sim concentrá-la em pontos de maior retorno. Ao fechar unidades menores e menos produtivas, o grupo libera recursos para reformar e ampliar flagships em centros urbanos e shoppings de alto tráfego, que geram mais receita por metro quadrado e funcionam como hubs integrados ao canal digital.
Na prática, as lojas grandes da Inditex passam a cumprir funções que vão além da venda direta:
- Exposição de coleções com foco em experiência e permanência do cliente
- Retirada de pedidos feitos pela internet, o chamado click and collect
- Trocas e devoluções integradas ao sistema online
- Suporte logístico para entregas rápidas em regiões próximas
Quais são os números por marca no fechamento de lojas?
O balanço do terceiro trimestre fiscal de 2025 mostra o movimento da rede em detalhes. A tabela abaixo resume o saldo líquido de cada marca entre outubro de 2024 e outubro de 2025, conforme dados publicados pela TheStreet:
| Marca | Variação líquida de lojas |
|---|---|
| Zara | Menos 60 lojas |
| Zara Home | Menos 27 lojas |
| Massimo Dutti | Menos 23 lojas |
| Oysho | Redução líquida |
| Pull&Bear | Redução líquida |
| Stradivarius | Redução líquida |
| Bershka | Crescimento líquido |
| Lefties | Crescimento líquido |

Como o digital e as lojas-flagship se complementam nesse modelo?
O comércio eletrônico é parte central da equação. O grupo opera plataformas online em mais de 200 mercados, e as vendas digitais continuam crescendo, mesmo com a maioria das compras ainda sendo feita em loja física. A integração entre os dois canais é o que sustenta o modelo: o cliente pesquisa online, experimenta na loja grande e retira ou devolve onde for mais conveniente.
Nos flagships mais recentes, a automação já chega a altos índices de adoção de autoatendimento. A nova loja na Avenida Diagonal de Barcelona foi projetada pelo arquiteto Vincent Van Duysen para convidar o cliente a permanecer mais tempo, em vez de passar rapidamente pelas araras. Unidades em Roma, Manchester e Osaka seguem a mesma lógica de experiência integrada ao digital.
Esse movimento é exclusivo da Inditex ou é uma tendência do setor?
É uma tendência do varejo global. Dados da CoreSight Research mostram que os anúncios de fechamento de lojas cresceram 67% no setor em 2025 em comparação ao ano anterior, com redes como Macy’s, JCPenney e Victoria’s Secret também reduzindo redes físicas nos Estados Unidos. O que diferencia o caso da Inditex é que os fechamentos acontecem ao mesmo tempo em que a receita cresce, o que indica que a redução da rede é uma escolha estratégica, e não uma reação a dificuldades financeiras.
O varejo físico não está morrendo, mas está se reorganizando em torno de menos pontos com mais impacto. Quem acompanha o setor de moda deve observar de perto esse modelo, que pode antecipar o que outras grandes redes farão nos próximos anos ao equilibrar presença digital e experiência em loja.




