O som das ferraduras sobre as ruas de pedra e o reflexo das fachadas coloniais no Rio das Almas recebem quem chega a Pirenópolis, no coração de Goiás. Fundada em 1727 no auge do ouro, a cidade que os goianos chamam de Piri guarda uma das festas populares mais antigas do país e dezenas de cachoeiras de água cristalina escondidas no Cerrado.
O que são as Cavalhadas que param a cidade?
As Cavalhadas são uma encenação a cavalo da batalha medieval entre mouros e cristãos, com dois exércitos de 12 cavaleiros cada, vestidos de azul e vermelho. Durante três dias, eles se enfrentam no cavalhódromo com armaduras bordadas à mão e lanças de madeira, diante de uma plateia que lota as arquibancadas.
A tradição foi introduzida na cidade em 1826 pelo padre Manuel Amâncio da Luz, o que faz dela uma das mais antigas do Brasil. Ela acontece dentro da Festa do Divino Espírito Santo, celebrada desde 1819. Outro personagem inesquecível são os Mascarados, figuras de roupas coloridas e máscaras de boi ou onça que circulam a cavalo no intervalo das batalhas, uma herança que mistura influências europeias e afro-brasileiras.

Por que a Festa do Divino atrai turistas do Brasil inteiro?
Porque é uma das maiores celebrações ao Divino Espírito Santo do país, mobilizando a cidade por quase dois meses, 50 dias após a Páscoa. Novenas, cortejos, alvoradas, folias e a corte imperial transformam Pirenópolis num grande teatro popular a céu aberto.
O reconhecimento é oficial. Conforme o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), a Festa do Divino foi registrada como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil em 2010, por reunir um número raro de rituais, personagens e manifestações da cultura popular. Você encontra o registro no IPHAN.

Quais cachoeiras visitar em Pirenópolis?
A cidade reúne mais de 80 cachoeiras no Cerrado, com poços de água transparente para banho. A maioria fica em propriedades organizadas, com trilhas e estrutura de apoio. Estas estão entre as mais procuradas.
- Cachoeira dos Dragões: complexo de oito quedas ligadas por uma trilha de cerca de 4,5 km, a uns 40 km do centro.
- Cachoeira Santa Maria: fácil acesso, águas cristalinas e boa estrutura para quem viaja em família.
- Cachoeira do Abade: uma das mais conhecidas, com piscina natural ampla, cercada pela vegetação do Cerrado.
- Reserva Vargem Grande: na Serra dos Pireneus, com trilhas de pedra e quedas no caminho.
Quem quer explorar cachoeiras e as belezas do centro histórico goiano, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Rolê Família, que conta com mais de 117 mil visualizações, onde os apresentadores mostram as principais atrações de Pirenópolis, Goiás:
Vale a pena explorar o centro histórico de Piri?
Vale, e ele é o cartão de visita da cidade. As ruas de pedra quartzítica conduzem a casarões coloniais coloridos e igrejas do século XVIII, num conjunto que se manteve quase intacto desde os tempos do ouro.
O valor histórico é reconhecido oficialmente. Segundo o IPHAN, o conjunto arquitetônico, urbanístico, paisagístico e histórico de Pirenópolis foi tombado em 1990, e a Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário, das primeiras décadas do século XVIII, tornou-se em 1941 o primeiro monumento protegido do Centro-Oeste. Os museus das Cavalhadas e do Divino completam o passeio cultural.

Quando ir e como chegar a Pirenópolis?
O clima é tropical, com duas estações bem marcadas. Na seca, de maio a setembro, as cachoeiras ficam mais seguras e o calendário cultural ferve. Na chuva, de outubro a abril, os poços ganham volume máximo.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Pirenópolis fica a cerca de 120 km de Goiânia e 150 km de Brasília, no meio do caminho entre as duas capitais. O acesso é por estrada asfaltada, em torno de 2 horas de cada cidade. Não há aeroporto local, então quem chega de avião desembarca em uma das duas capitais.
Conheça a cidade que virou teatro a céu aberto
Pirenópolis reúne o que poucos destinos brasileiros conseguem juntar: um centro colonial tombado, uma festa de quase 200 anos que ainda emociona cavaleiros e plateia, e o Cerrado cheio de cachoeiras a poucos minutos das ruas de pedra. É história e natureza no mesmo fôlego.
Você precisa chegar a Piri no fim de tarde, quando o sol bate nas fachadas coloniais, e ficar para ver os Mascarados tomarem as ruas no ritmo de uma cidade que nunca parou no tempo.




