Quem mora no Espírito Santo já sentiu a diferença na rotina de compras. Desde março de 2026, grandes redes como Carrefour, Atacadão, Assaí e Supermercados BH fecham as portas aos domingos, em um acordo inédito no país. A mudança não nasceu de uma lei, e sim de uma negociação entre sindicatos, mas o efeito prático já reorganizou escalas, turnos e até o fluxo de clientes em mais de 1.500 lojas espalhadas pelos 78 municípios capixabas.
Por que os supermercados deixaram de abrir aos domingos no ES?
Os supermercados deixaram de abrir aos domingos porque trabalhadores e patrões fecharam uma Convenção Coletiva de Trabalho válida até 31 de outubro de 2026. O texto foi assinado entre a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Espírito Santo (Fecomércio-ES) e o Sindicato dos Comerciários do estado, e estabelece o descanso fixo no domingo para cerca de 70 mil trabalhadores do setor.
O acordo prevê multa equivalente a um salário do empregado para cada domingo trabalhado em caso de descumprimento. Vale destacar que essa é uma negociação sindical, não uma lei estadual, e o Espírito Santo é hoje o único estado brasileiro com esse tipo de cláusula em vigor, segundo a Associação Brasileira de Supermercados.

Como o fechamento muda a escala de trabalho nas lojas?
O fechamento mudou a escala porque o tradicional regime 6×1 foi ajustado para que o descanso aconteça sempre no domingo, e não mais de forma rotativa em dias úteis. Trabalhadores que antes folgavam em segundas ou sábados agora atuam justamente nesses dias, reforçando o atendimento nas lojas e nas operações de bastidores.
Para absorver o aumento de movimento às vésperas do domingo, as redes remanejam equipes entre unidades e revisam turnos. O objetivo é reduzir gargalos em caixas, reposição e conferência de estoque sem perder qualidade no atendimento. As principais estratégias adotadas pelas empresas incluem:
- Refinamento da escala 6×1, com domingo fixo de descanso e folgas em horários de menor movimento.
- Reforço de repositores, empacotadores e operadores de caixa nos sábados, no período de maior fluxo.
- Foco ampliado na segunda-feira para repor prateleiras após dois dias intensos de vendas.
- Contratações direcionadas para turnos específicos, reduzindo custos e ociosidade.
Para onde foi o movimento que antes acontecia no domingo?
O movimento que antes se espalhava entre sábado, domingo e segunda se concentrou principalmente no sábado e na própria segunda-feira. Dados da Secretaria da Fazenda do Espírito Santo, referentes a 2025, mostraram que os supermercados já registravam média de R$ 102 milhões em vendas aos sábados, contra cerca de R$ 25,9 milhões aos domingos, o menor volume da semana.
Esse histórico ajuda a explicar por que o fechamento dominical não provocou queda relevante nas vendas totais, segundo relatos das próprias redes. A tabela abaixo resume a redistribuição da operação ao longo da semana:
| Período | Antes do acordo | Depois do acordo |
|---|---|---|
| Sábado | Movimento elevado, mas dividido com o domingo | Maior concentração de vendas e reforço de equipe |
| Domingo | Funcionamento normal, com escala rotativa | Lojas fechadas para redes com empregados registrados |
| Segunda-feira | Reposição de rotina | Foco intenso em reposição após dois dias de vendas |
Quem ainda pode abrir aos domingos no Espírito Santo?
Ainda podem abrir aos domingos os pequenos comércios que funcionam exclusivamente com os proprietários, sem empregados contratados. Mercadinhos de bairro, padarias, açougues, cafeterias, farmácias e restaurantes que não dependam de mão de obra específica para o domingo seguem atendendo normalmente.

Já grandes redes, atacarejos, supermercados em shoppings, hortifrutis e lojas de material de construção com funcionários registrados permanecem proibidos de operar nesse dia. Para o consumidor, a recomendação prática é simples:
- Antecipar compras de hortifruti e perecíveis para sexta ou sábado.
- Reservar o pequeno comércio de bairro para necessidades pontuais de domingo.
- Acompanhar o calendário de feriados, já que a convenção também regula essas datas.
O modelo capixaba pode chegar ao seu estado?
O acordo é tratado como um projeto piloto e será reavaliado nas negociações de novembro de 2026, depois de sete meses de experiência prática. Caso os indicadores de faturamento, emprego e satisfação dos trabalhadores se mostrem positivos, outros estados podem reproduzir cláusulas semelhantes em suas próprias convenções coletivas. Vale a pena acompanhar de perto os próximos meses e já adaptar a rotina de compras antes que a mudança chegue, quem sabe, à sua cidade.




