Parreirais nas encostas, cantinas de família e o voo dos beija-flores entre as flores. Santa Teresa, na região serrana do Espírito Santo, é reconhecida como o berço da imigração italiana no Brasil. Quase um século e meio depois dos primeiros colonos, a herança da Itália segue moldando o jeito de viver na montanha.
Por que Santa Teresa é a Itália Brasileira?
O título tem respaldo na lei. A história começou em 17 de fevereiro de 1874, quando o navio La Sofia aportou em Vitória com cerca de 388 imigrantes italianos, parte dos quais se instalou no antigo Núcleo de Timbuhy, atual Santa Teresa.
Esse pioneirismo foi reconhecido pela Lei Federal 13.617, de 2018, que oficializou a cidade como pioneira da imigração italiana no país, segundo a Prefeitura de Santa Teresa. Até hoje, cerca de 90% da população descende daqueles colonos vindos do norte da Itália, das regiões de Trento, Veneto e Lombardia.

Como a herança italiana aparece no dia a dia?
Viver em Santa Teresa é conviver com a Itália nos detalhes. A descendência se manifesta na arquitetura do centro, nos sobrenomes, na mesa farta de massas e, sobretudo, no vinho que sustenta a economia das famílias.
A cidade é a maior produtora de uva e vinho do Espírito Santo, respondendo por cerca de 80% da produção estadual, segundo a Prefeitura. Cantinas como as do circuito rural mantêm viva a tradição dos colonos, e os fins de semana têm gosto de festa de rua, ao som de música ao vivo na Rua do Lazer, no centro.
O que faz a qualidade de vida ser tão procurada?
Morar ali é trocar a pressa pela serra. A cidade reúne pouco mais de 22 mil habitantes, identidade cultural preservada e natureza por todos os lados, a cerca de 78 km de Vitória.
O verde domina a rotina. Cerca de 40% do território é coberto por Mata Atlântica preservada, o que rendeu à cidade o apelido de Terra dos Beija-flores e das Orquídeas. Foi também ali que nasceu Augusto Ruschi, considerado o Patrono da Ecologia no Brasil, cujo legado científico ajudou a manter a floresta de pé.
O que conhecer entre vinhedos e Mata Atlântica?
O roteiro mistura ciência, natureza e herança italiana em poucos quilômetros. O centro concentra boa parte das atrações.
- Museu de Biologia Professor Mello Leitão: fundado por Augusto Ruschi em 1949, com jardins, viveiros e observação de beija-flores.
- Rua do Lazer: polo gastronômico e cultural com construções coloridas, cantinas e cafés de clima italiano.
- Vinícolas e cantinas: produtores locais oferecem degustação de vinhos e licores coloniais em roteiros rurais.
- Museu do Imigrante: conta a saga das famílias que colonizaram a serra capixaba.
- Rampa de Voo Livre Amauri Fernandes: a 8 km do centro, ponto de esportes de aventura com vista das montanhas.
Quem deseja viver um passeio encantador e desvendar as riquezas da imigração italiana, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Boa Sorte Viajante – Matheus Boa Sorte, que conta com mais de 996 mil visualizações, onde Mateus Boa Sorte mostra a produção de vinhos, a culinária típica e as belezas naturais de Santa Teresa, no Espírito Santo:
Como é o clima durante o ano em Santa Teresa?
O clima é serrano e ameno, com noites frescas mesmo no verão. O inverno seco favorece os passeios e a degustação de vinhos nas cantinas.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Vale a pena viver na serra dos colibris
Santa Teresa reúne o que muitas cidades grandes não conseguem: uma identidade cultural intacta, natureza preservada e o reconhecimento formal de ser o berço da colonização italiana no país. A herança dos colonos segue viva nas cantinas, nos vinhedos e no jeito acolhedor de receber.
Você precisa subir a serra capixaba e sentir o ritmo de Santa Teresa, a cidade onde o Brasil começou a falar italiano entre as montanhas.




