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Startup holandesa desenvolve a maior planta de mineralização de CO2 do mundo para convertê-lo em materiais de construção

Douglas Myth Por Douglas Myth
20/06/2026
Em Curiosidades
Startup holandesa desenvolve a maior planta de mineralização de CO2 do mundo para convertê-lo em materiais de construção

Transformação de dióxido de carbono em minerais sólidos cria concretos ecológicos duráveis.

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Em meio ao esforço global para reduzir emissões, a ideia de transformar dióxido de carbono em material de construção vem ganhando atenção. Em vez de encarar o CO₂ apenas como resíduo, novas tecnologias buscam utilizá-lo como insumo em concreto, argamassas e outros sistemas construtivos. Nesse contexto, a startup Paebbl se destaca por desenvolver um processo de mineralização de CO₂ em escala industrial, com foco direto na construção sustentável e na produção de materiais de baixo carbono.

O que é mineralização de CO₂ na construção civil?

A mineralização de CO₂ é um processo em que certos minerais reagem com dióxido de carbono e formam carbonatos estáveis, capazes de armazenar carbono por centenas ou milhares de anos. Trata-se de um mecanismo natural que, em condições ambientais comuns, ocorre de forma muito lenta e dispersa.

Na construção civil, esse princípio é aplicado para transformar CO₂ capturado em um pó sólido, estável e tecnicamente utilizável em concretos e argamassas. Assim, estruturas como edifícios, pontes e estradas podem atuar como verdadeiros reservatórios de carbono ao longo de toda a sua vida útil.

Startup holandesa desenvolve a maior planta de mineralização de CO2 do mundo para convertê-lo em materiais de construção
Paebbl usa mineralização de CO₂ para produzir pó mineral aplicado ao cimento e ao concreto

Como funciona o processo de mineralização de CO₂ da Paebbl?

A inovação da Paebbl está em acelerar, em ambiente controlado, o mecanismo natural de mineralização que levaria séculos na natureza. Usando reatores industriais, a empresa reduz o tempo de reação para horas ou dias, convertendo o dióxido de carbono em carbonatos sólidos que podem ser incorporados a materiais de construção.

Para viabilizar esse processo, a startup utiliza principalmente minerais ricos em magnésio, como a olivina, que reagem com CO₂ capturado de fontes concentradas, como chaminés industriais. O resultado é um pó composto majoritariamente por carbonato de magnésio e sílica, adequado para atuar como material cimentício suplementar em ligantes de baixo carbono e concretos especiais.

O concreto pode se tornar carbono negativo com essa tecnologia?

A discussão sobre concreto carbono negativo ganha força ao se considerar o duplo efeito desse tipo de solução: a captura e o armazenamento permanente de CO₂ e a redução do uso de cimento Portland convencional. Isso diminui emissões associadas ao clínquer, etapa mais intensiva em carbono na cadeia do concreto.

Dependendo da formulação e da quantidade de material mineralizado inserida nas misturas, alguns produtos podem, em teoria, armazenar mais carbono do que emitem ao longo de todo o ciclo de vida. No entanto, esse balanço negativo depende de diversos fatores que precisam ser avaliados de forma integrada.

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  • Origem e intensidade de emissões da fonte de CO₂ capturada;
  • Consumo e matriz energética do processo de mineralização;
  • Proporção de substituição de cimento convencional por cimento de baixo carbono;
  • Distâncias e modais de transporte dos minerais e dos produtos finais;
  • Durabilidade, manutenção e desempenho estrutural ao longo da vida útil.
Startup holandesa desenvolve a maior planta de mineralização de CO2 do mundo para convertê-lo em materiais de construção
CO₂ capturado pode virar material de construção em tecnologia que armazena carbono por décadas

Quais são os principais benefícios e desafios para a construção sustentável?

Do ponto de vista climático, a grande vantagem está em alinhar materiais de construção sustentáveis com princípios de economia circular, reaproveitando emissões como insumo produtivo. Essa abordagem reduz a dependência de matérias-primas tradicionais e amplia o portfólio de ligantes de baixo carbono disponíveis para o setor.

No campo prático, a tecnologia abre oportunidades para reduzir a intensidade de carbono por metro cúbico de concreto, ampliar a oferta de cimento de baixo carbono e incorporar metas de captura de carbono em projetos de infraestrutura. Ao mesmo tempo, exige homologação em normas técnicas, comprovação de desempenho, escala industrial competitiva e confiança de construtoras, projetistas e órgãos reguladores.

Qual é o papel da planta de demonstração e das parcerias da Paebbl?

Um passo relevante na trajetória da Paebbl foi a entrada em operação de uma planta de demonstração contínua em Rotterdam, que opera em regime constante. Diferentemente de testes em batelada, essa unidade permite verificar estabilidade de processo, consumo de energia, qualidade do pó produzido e capacidade real de armazenamento de CO₂.

Essa etapa funciona como ponte entre o laboratório e projetos comerciais, gerando histórico de dados e permitindo ajustar variáveis operacionais. Em paralelo, parcerias com grupos de construção, empresas de tecnologias limpas e operadores de infraestrutura facilitam a inserção do produto na cadeia de suprimentos e o desenvolvimento de modelos de negócios que valorizem o armazenamento permanente de carbono em edificações.

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Tags: Arquiteturasustentabilidade

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