A nova escala de trabalho 5×2 já é realidade em redes como Savegnago e Supernosso em 2026, antes mesmo da votação final da PEC 148/2015 no Senado. O modelo mantém 44 horas semanais, mas garante dois dias de folga ao colaborador.
O que propõe a PEC 148/2015 para os trabalhadores?
A proposta de emenda constitucional, de autoria do senador Paulo Paim (PT-RS), reduz a jornada máxima semanal de 44 para 36 horas de forma gradual, sem corte de salário. Também garante dois dias de descanso, preferencialmente aos sábados e domingos.
A transição prevê redução de uma hora por ano após a promulgação. Em 10 de dezembro de 2025, a CCJ do Senado aprovou o texto, que agora aguarda análise em dois turnos no Plenário antes de seguir para a Câmara.

Quais redes de supermercados já adotaram a escala 5×2?
O Grupo Savegnago começou o teste em Indaiatuba em novembro de 2025 e, após resultado positivo, ampliou o modelo para todas as lojas a partir de fevereiro de 2026. As unidades incluem Campinas, Sumaré, Hortolândia, Barretos, Sertãozinho e Franca.
O Grupo Supernosso, com sede em Minas Gerais, iniciou em março de 2026 o piloto em três unidades operacionais, com expectativa de ampliar para toda a rede ainda no mesmo ano. Os pontos principais do teste são os seguintes:
Como a jornada diária é reconfigurada na prática?
Na escala 6×1 tradicional, o trabalhador cumpre 7h20 diários ao longo de seis dias para fechar as 44 horas semanais. Com a 5×2, o expediente sobe para quase 9 horas, respeitando o intervalo previsto na Consolidação das Leis do Trabalho.
O que muda para o caixa e para o repositor
O dia útil fica mais longo, mas elimina um deslocamento semanal inteiro. Para quem mora longe da loja, em cidades como Belo Horizonte, isso significa até 4 horas a menos de transporte por semana e dois dias seguidos para resolver vida pessoal.
Qual é o custo projetado para o setor de comércio?
A Confederação Nacional do Comércio estima que a redução total para 36 horas semanais geraria um custo anual de R$ 122,4 bilhões ao comércio, com aumento de cerca de 21% na folha de pagamento do setor, segundo parecer técnico apresentado em fevereiro de 2026.
Veja como cada modelo se posiciona no debate atual:
| Modelo | Carga semanal | Impacto |
|---|---|---|
| Escala 6×1 Tradicional no varejo | 44h em 6 dias, 7h20 por dia | Alta rotatividade |
| Escala 5×2 Em teste no Savegnago e Supernosso | 44h em 5 dias, 8h48 por dia | Sem custo extra |
| PEC 148/2015 Aguardando Plenário do Senado | 36h em até 5 dias, transição gradual | R$ 122,4 bi ao comércio |
| Setor de serviços Cenário paralelo da CNC | Mesma redução para 36h | R$ 235 bi adicionais |
Quais benefícios as empresas relataram com os testes?
As redes que aderiram ao modelo afirmam ter observado queda na rotatividade e no absenteísmo. Dois dias de folga semanal tornam a vaga mais atraente em um setor que historicamente sofre para reter mão de obra qualificada nas funções operacionais.
O bem-estar dos colaboradores se reflete no atendimento ao cliente, no caixa e no estoque. Embora o debate de custos siga aceso na CNC e nas federações do comércio, o teste mostra que reorganizar o tempo pode ser viável dentro das 44 horas atuais, sem alterar a Constituição.




