A deficiência de vitamina B12 é um dos problemas nutricionais mais subdiagnosticados na população acima dos 50 anos. Como seus sintomas progridem de forma lenta e sutil, é comum que sejam erroneamente atribuídos ao processo natural de envelhecimento, atrasando um diagnóstico que é essencial para evitar danos neurológicos permanentes.
Por que o risco aumenta após os 50 anos?
De acordo com o Dr. Oren Soffer, médico internista da Yale Medicine, o desafio não é apenas a ingestão alimentar, mas a capacidade biológica de absorção. Com o avançar da idade, a mucosa gástrica reduz a produção de ácido clorídrico e do chamado fator intrínseco — uma proteína indispensável para que o intestino consiga absorver a B12 presente nos alimentos.
Mesmo indivíduos com dietas ricas em proteínas animais (carne, ovos e laticínios) podem desenvolver o quadro, tornando a triagem laboratorial de rotina recomendada para todos nesta faixa etária.

Principais sinais de alerta
Os sintomas variam desde manifestações físicas inespecíficas até complicações neurológicas graves. O fígado humano armazena reservas de B12 que podem durar anos, o que significa que, quando os sinais aparecem, a deficiência já está instalada há bastante tempo.
Abaixo, detalhamos os sintomas e a urgência de investigação:

Quem está no grupo de risco?
Além da idade, fatores específicos amplificam o risco de deficiência de vitamina B12:
- Uso de medicamentos gástricos: O uso contínuo de omeprazol ou pantoprazol por mais de um ano reduz a acidez necessária para liberar a vitamina dos alimentos.
- Tratamento para diabetes: O uso prolongado de metformina interfere diretamente na absorção intestinal.
- Histórico de cirurgias: Procedimentos como a bariátrica alteram o trânsito digestivo, impactando a produção de fator intrínseco.
- Dietas restritivas: Vegetarianos e veganos sem suplementação adequada possuem risco quase universal de deficiência.
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O diagnóstico e a importância do tratamento
O diagnóstico é realizado via exame de sangue, onde valores abaixo de 200 pg/mL confirmam a deficiência. Em casos de dúvida clínica, médicos podem solicitar marcadores mais sensíveis, como o ácido metilmalônico e a homocisteína, que detectam problemas funcionais mesmo com níveis de B12 aparentemente normais.
O tratamento varia conforme a causa. Quando há falha na absorção gástrica, o padrão ouro é a reposição por injeção intramuscular, contornando o sistema digestivo. Quando a causa é puramente dietética, doses elevadas de suplementação oral costumam ser eficazes. O essencial é não negligenciar os sinais: tratada precocemente, a deficiência de vitamina B12 é reversível e pode prevenir o declínio cognitivo e neurológico.




