Em Portugal, a renovação da carta de condução passa a ser obrigatória a cada dois anos para quem ultrapassa os 70 e o exame médico é exigido em todos os ciclos. No Brasil e na Itália, o prazo é de três anos, mas a lógica é a mesma: prazos mais curtos e avaliação clínica obrigatória a partir dessa faixa etária. Não se trata de uma medida isolada de um único país, mas de uma tendência legislativa compartilhada por nações com sistemas de trânsito distintos, o que torna a comparação entre eles especialmente relevante para quem dirige ou pretende dirigir em mais de um desses territórios.
O que a legislação brasileira diz sobre a renovação da CNH?
O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) estabelece prazos de validade escalonados por idade: condutores com menos de 50 anos renovam a cada dez anos; entre 50 e 69 anos, a cada cinco; a partir dos 70, a cada três. Essa frequência maior tem justificativa clara — garantir que a aptidão física e mental para dirigir seja avaliada com regularidade conforme o envelhecimento avança.
A renovação nessa faixa etária exige necessariamente a aprovação no exame de aptidão física e mental, realizado por médico credenciado ao Detran do estado do condutor. O processo pode ser iniciado até seis meses antes do vencimento do documento. Segundo a Câmara dos Deputados, há ainda uma proposta em tramitação para isentar esse grupo do pagamento das taxas de renovação, reconhecendo o custo adicional imposto pela periodicidade mais curta.
Em dezembro de 2025, a Medida Provisória nº 1.327, conhecida como MP do “Bom Condutor”, criou a renovação automática para motoristas com bom histórico — mas excluiu explicitamente os condutores com 70 anos ou mais. Completar essa idade se tornou impedimento automático para qualquer desburocratização no processo: sem exceções, sem flexibilização.

Como funciona o sistema português para condutores seniores?
Em Portugal, as regras são ainda mais rigorosas a partir dos 70 anos. De acordo com o Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT), a renovação da carta de condução passa a ser obrigatória a cada dois anos, independentemente de quantas vezes o condutor já renovou o documento ao longo da vida. A partir dos 60 anos, a apresentação de atestado médico já é exigida em qualquer renovação. Depois dos 70, esse laudo continua sendo indispensável a cada ciclo bienal.
O sistema português escalonado pode ser resumido nas principais faixas etárias para a categoria B (automóveis ligeiros):
- Até 60 anos: renovação a cada 15 anos (para cartas tiradas após 2016), sem exame médico obrigatório
- Aos 60 e 65 anos: renovações pontuais com atestado médico obrigatório
- A partir dos 70 anos: renovação bienal com atestado médico em todos os ciclos
- Custo reduzido: 15 euros para condutores com 70 anos ou mais, metade do valor cobrado dos demais
Qual é o modelo adotado pela Itália para a renovação da patente?
A Itália adota uma escala progressiva de controle, descrita pelo Ministero delle Infrastrutture e dei Trasporti, o equivalente italiano do Ministério dos Transportes. Para as categorias A (motos) e B (automóveis), a validade da habilitação cai conforme a idade avança, com intervalos cada vez menores e exigências médicas progressivamente mais detalhadas.
A tabela abaixo compara os intervalos de renovação e as exigências médicas nos três países para motoristas acima dos 70 anos:
| País | Renovação entre 70 e 80 anos | Renovação após 80 anos | Exame médico obrigatório? |
|---|---|---|---|
| Brasil | A cada 3 anos | A cada 3 anos | Sim, em toda renovação |
| Portugal | A cada 2 anos | A cada 2 anos | Sim, desde os 60 anos |
| Itália | A cada 3 anos | A cada 2 anos | Sim, visita médica obrigatória |
Por que a frequência de renovação aumenta com a idade?
A resposta está nos dados de segurança viária. Levantamento do Departamento Estadual de Trânsito do Rio Grande do Sul (Detran RS) apontou que homens entre 65 e 74 anos formam a faixa etária com o maior número de mortes no trânsito gaúcho em 2023 — 132 óbitos com esse perfil, o recorte mais expressivo entre todas as idades registradas. O dado não implica que idosos causem mais acidentes, mas revela que estão entre os mais vulneráveis quando um sinistro ocorre, tanto como motoristas quanto como pedestres.

Entre os fatores que justificam o monitoramento mais frequente estão a redução gradual dos reflexos, alterações na visão periférica, uso de medicamentos de controle contínuo e a possibilidade de doenças progressivas ainda não diagnosticadas. Por isso, os sistemas legislativos de vários países convergiram para um modelo de avaliação periódica, com intervalos que diminuem conforme a idade avança. Não se trata de impedimento, mas de rastreamento preventivo.
O que está esperando para verificar sua situação?
Independentemente de onde você mora, checar a validade da habilitação e o prazo para o próximo exame médico é uma tarefa de poucos minutos que pode evitar uma multa, o recolhimento do documento ou, pior, uma situação de risco real no trânsito. Quem está próximo dos 70 anos tem ainda mais razão para agir com antecedência: a periodicidade vai diminuir, os exames vão ser mais frequentes, e o melhor momento para se organizar é antes do prazo apertar. Consulte o site do Detran do seu estado, do IMT em Portugal ou do MIT na Itália — a informação está a um clique de distância.




