A farmacêutica brasileira EMS anunciou em 2 de junho de 2026 os preços e a data de comercialização do Ozivy, a primeira caneta de semaglutida produzida no Brasil, aprovada pela Anvisa em maio de 2026. O medicamento chegará às farmácias a partir de 15 de junho, com preço inicial a partir de R$ 452 por caneta. O lançamento é resultado do fim da patente da semaglutida no Brasil, que venceu em março de 2026, abrindo o mercado para versões nacionais de um dos medicamentos mais procurados e mais caros do país.
O que é o Ozivy e qual é a diferença em relação ao Ozempic?
O Ozivy utiliza o mesmo princípio ativo do Ozempic e do Wegovy, a semaglutida, mas com uma distinção técnica importante: enquanto os produtos da Novo Nordisk usam semaglutida biológica, o Ozivy usa semaglutida sintética. Por isso, ele não é classificado como genérico no sentido regulatório tradicional, mas seguiu uma via regulatória específica aprovada pela Anvisa, e o mecanismo de ação na prática é o mesmo. A molécula que age no receptor GLP-1 para reduzir o apetite e controlar a glicemia é idêntica na função.
A produção ocorre na fábrica da EMS em Hortolândia, no interior de São Paulo, com capacidade instalada para produzir até 40 milhões de canetas por ano. Na fase inicial de lançamento, a empresa colocará 500 mil canetas no mercado, com distribuição nas principais redes farmacêuticas do país. O medicamento é injetável semanal e precisa ser mantido em refrigeração entre 2 e 8°C antes e após o início do tratamento.

Quais são os preços do Ozivy e como funciona o plano de adesão para novos pacientes?
A EMS estruturou os preços em dois momentos distintos para facilitar a entrada de novos pacientes no tratamento:
- Fase inicial (primeiros 3 meses): as canetas necessárias para 90 dias de tratamento custarão R$ 863,23 no programa de adesão, o que representa um custo médio de aproximadamente R$ 287 por mês. Esse valor é o mais acessível disponível no mercado brasileiro para semaglutida em 2026.
- Após os 3 meses iniciais: o preço por caneta passa para R$ 452 a partir de (preço de lançamento) e pode chegar a R$ 498, dependendo da dosagem e da apresentação (caneta com 1 ou 2 unidades). O medicamento pode ser vendido em embalagem com uma ou duas canetas.
Para comparação: o Ozempic e o Wegovy, fabricados pela Novo Nordisk, chegaram a custar entre R$ 800 e R$ 1.000 mensais no mercado brasileiro. A Anvisa havia autorizado a EMS a praticar como preço máximo o mesmo valor cobrado pela dinamarquesa, mas a farmacêutica optou por lançar com valores entre 30% e 50% abaixo desse teto.
O Ozivy é indicado para emagrecer ou apenas para diabetes tipo 2?
Este é o ponto mais importante para quem está pensando em usar o medicamento sem acompanhamento médico: a indicação aprovada pela Anvisa para o Ozivy é o tratamento de adultos com diabetes mellitus tipo 2 insuficientemente controlado, sempre associado a medidas de alimentação saudável e atividade física. O Ozivy não tem aprovação da Anvisa para emagrecimento.
Para a indicação de obesidade, o Wegovy, da Novo Nordisk, continua sendo a única opção com aprovação regulatória no Brasil para essa finalidade. O Mounjaro (tirzepatida), da Eli Lilly, também tem aprovação para obesidade. O uso de qualquer versão de semaglutida para emagrecimento sem diagnóstico de diabetes é uma decisão que precisa ser tomada com médico, pois o uso off-label traz riscos que variam conforme o perfil de saúde individual. A Portal Afya, referência para profissionais de saúde, enfatiza essa distinção de indicação com clareza.

Outras empresas também vão lançar semaglutida no Brasil e o preço pode cair ainda mais?
Sim. A EMS não é a única farmacêutica que entrou no mercado de semaglutida após o fim da patente. A Eurofarma já anunciou duas marcas próprias: o Extensior e o Poviztra. Até o início de 2026, havia ao menos 17 pedidos em análise na Anvisa para aprovação de versões nacionais da semaglutida. A entrada progressiva de novos fabricantes deve continuar pressionando os preços para baixo. Atualmente, as doses iniciais já podem ser encontradas entre R$ 399 e R$ 599, dependendo da fabricante e da região.
Quem pode e quem não pode comprar o Ozivy e o que saber antes de ir à farmácia em 15 de junho?
O Ozivy exige receita médica para ser comprado. A automedicação com semaglutida sem acompanhamento médico representa risco real, especialmente para quem tem condições cardiovasculares, histórico de pancreatite, câncer de tireoide ou usa insulina. A receita é indispensável e o médico deve avaliar a indicação, a dosagem e o monitoramento adequados para cada paciente.
O debate sobre a inclusão da semaglutida no SUS já aconteceu e foi rejeitado por questões de custo, mas o barateamento progressivo pode reabrir a discussão nos próximos anos. Para quem tem indicação médica e aguardava um preço mais acessível, 15 de junho representa um marco real no acesso ao tratamento. Compartilhe com quem usa ou estuda usar semaglutida e ainda não sabia que a versão brasileira chega às farmácias em 15 de junho com preço significativamente menor do que os importados.




