Uma proposta legislativa em tramitação na Câmara dos Deputados promete facilitar a gestão financeira de brasileiros com 60 anos ou mais. O PL 1930/2023 busca assegurar o recebimento da fatura do cartão em papel sem a incidência de taxas adicionais pelas instituições financeiras.
Como funciona o projeto de lei para o público idoso?
O texto, que avançou recentemente pela Comissão de Defesa do Consumidor, estabelece que bancos e administradoras fiquem proibidos de cobrar tarifas extras pelo envio do demonstrativo impresso. A medida garante que o consumidor possa escolher o meio de recebimento, seja via Correios ou arquivo digital para impressão.
Além da gratuidade, a proposta visa combater a exclusão digital. Ao permitir que o cliente idoso opte pelo formato físico, a medida evita que falhas no acesso a aplicativos ou portais bancários resultem em atrasos nos pagamentos ou cobranças indevidas de multas e juros por esquecimento.

Quais garantias adicionais o projeto oferece?
O substitutivo apresentado pelo deputado Ossesio Silva reforça a proteção ao consumidor e ajusta a proposta às operações financeiras atuais. A ideia é assegurar que a transparência e a clareza nas cobranças prevaleçam sobre a imposição de ferramentas exclusivamente digitais.
Confira os pontos fundamentais da proposta:
- Escolha do formato: O idoso decide se prefere papel, e-mail ou outro meio acessível.
- Prioridade absoluta: Clientes com 80 anos ou mais possuem garantia de envio físico mediante solicitação.
- Prazo de envio: A fatura deve ser entregue com antecedência mínima de 5 dias antes da data de vencimento.
Como o projeto impacta o Estatuto da Pessoa Idosa?
A iniciativa pretende modificar o Estatuto da Pessoa Idosa para tipificar como prática discriminatória a exigência de comparecimento presencial para serviços que outros clientes podem realizar via internet. O objetivo é evitar que bancos obriguem o idoso a se deslocar a uma agência desnecessariamente.
Veja na tabela abaixo as principais mudanças que o projeto busca implementar no atendimento financeiro:

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Por que a digitalização bancária pode ser prejudicial?
Com o avanço do sistema financeiro digital, muitos bancos reintroduziram taxas para serviços físicos ou restringiram o acesso aos documentos. Conforme dados do IBGE, a parcela da população com 60 anos ou mais cresce rapidamente, alcançando milhões de pessoas que podem enfrentar dificuldades com interfaces tecnológicas complexas.
Sem acesso à fatura de forma clara, o idoso fica vulnerável a fraudes e cobranças indevidas que passam despercebidas. A proteção legal busca mitigar esses riscos e garantir que a tecnologia funcione como um facilitador, e não como uma barreira que compromete o patrimônio de quem já contribuiu tanto para o país.
Qual o status atual da proposta no Congresso?
O PL 1930/2023 ainda precisa ser analisado pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) e, posteriormente, passar por votação no Plenário da Câmara e no Senado Federal. Como não há um prazo definido para essas etapas, a proposta ainda não é lei vigente.
Enquanto aguardam a decisão final, consumidores podem recorrer ao Código de Defesa do Consumidor, que veda práticas abusivas, para solicitar a isenção de taxas em agências bancárias ou registrar reclamações junto ao Banco Central caso a instituição se negue a fornecer meios acessíveis de consulta à fatura do cartão em papel ou formato imprimível.




