R$ 920 mil de PIB por morador: a cidade mineira de 5 mil habitantes é a mais rica do Brasil e guarda uma das 7 Maravilhas da Estrada Real
Em 240 km² de serra, a 120 km de Belo Horizonte, vive uma comunidade de pouco mais de 5 mil moradores que registra o maior PIB per capita do Brasil. Catas Altas ostenta R$ 920.833,97 por habitante, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e está aos pés da imponente Serra do Caraça, no Caminho dos Diamantes da Estrada Real. A riqueza vem do minério de ferro extraído da região, mas o que atrai visitantes é o conjunto histórico tombado e o santuário que encantou Dom Pedro II.
A cidade do garimpo no alto da serra que nasceu em 1703
A origem do nome remete diretamente à fundação. Segundo a história oficial da Prefeitura Municipal de Catas Altas, a formação do povoado começou por volta de 1694 com a descoberta de minas auríferas no alto da serra. Na época, a palavra “catas” significava “garimpo”, e o nome “Catas Altas” fazia referência justamente às escavações profundas feitas no alto dos morros para extrair ouro.
Durante o ciclo da mineração, foi um dos arraiais mais ricos e populosos das Minas Gerais. Com o esgotamento das jazidas, o lugar ficou praticamente abandonado até 1868, quando chegou o Monsenhor Manuel Mendes Pereira de Vasconcelos como vigário para reorganizar a comunidade. O município pertenceu a Santa Bárbara por mais de um século e só foi emancipado em 21 de dezembro de 1995, pela Lei nº 12.030.

Vale a pena viver na cidade mais rica do Brasil?
A resposta é matizada. No ranking nacional de PIB per capita divulgado pelo IBGE, Catas Altas lidera com R$ 920.833,97 por habitante (2021), valor 13 vezes superior ao da capital paulista. O resultado é puxado pela extração de minério de ferro, principal atividade econômica do município, que responde por mais de metade do PIB local.
O PIB per capita, porém, mede produção econômica e não renda individual. O IDHM oficial registrado pelo IBGE é de 0,684, classificado como médio. Quatro dos seis municípios brasileiros com maior PIB per capita estão em Minas Gerais, com São Gonçalo do Rio Abaixo, Itatiaiuçu e Conceição do Mato Dentro completando a lista mineira no ranking nacional.

O que fazer em Catas Altas?
A cidade combina o conjunto barroco tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (IEPHA) com a monumental Serra do Caraça. Entre os principais pontos para conhecer:
- Santuário do Caraça: uma das 7 Maravilhas da Estrada Real, complexo de 11.233 hectares com igreja neogótica, antigo colégio, museu, biblioteca e RPPN com trilhas, cachoeiras, grutas e picos entre 1.300 e 2.000 metros de altitude.
- Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição: templo barroco de 1739, uma das poucas igrejas mineiras com data de fundação registrada com precisão, no coração do Centro Histórico.
- Capela de Santa Quitéria: também chamada de Capela de Nossa Senhora do Carmo, é uma construção do século 18 erguida no alto de uma colina, ao lado da Matriz.
- Bicame de Pedra: aqueduto construído por escravizados por volta de 1792 para captar água da Serra do Caraça e levá-la até a área de lavagem do ouro em Brumado.
- Trilha dos Lobos-Guarás: caminhada de 2 km no Santuário do Caraça que leva à Cascatinha, formada por quatro quedas d’água e quatro piscinas naturais.
- Centro Histórico: ruas de pedras centenárias e casarões do século 18, tombados como Patrimônio Cultural pelo IEPHA.
A cozinha mineira aparece em fogão a lenha e nas receitas das antigas fazendas auríferas. Os destaques gastronômicos incluem:
- Vinho de jabuticaba: produto símbolo da cidade, celebrado na Festa do Vinho de Catas Altas, evento tradicional realizado há mais de duas décadas pela Prefeitura.
- Comida mineira no fogão a lenha: tutu de feijão, frango com quiabo e leitoa à pururuca, servidos em restaurantes como o Rancho do Pote.
- Quitandas do Caraça: pão artesanal, pão de queijo, biscoitos e doces produzidos no próprio Santuário e vendidos na loja do complexo.
- Cachaças e queijos artesanais: produzidos em alambiques e queijarias da zona rural, integram a herança da culinária do Oeste de Minas.
Quem quer explorar construções históricas e belas paisagens em uma das cidades coloniais mais encantadoras de Minas Gerais, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Num Pulo, que conta com mais de 131 mil visualizações, onde os apresentadores mostram as belezas do Santuário do Caraça e o centro de Catas Altas:
Quando visitar a cidade aos pés da Serra do Caraça?
O clima de Catas Altas é tropical de altitude, suavizado pelos 745 metros da sede e pelos picos da Serra do Caraça, que ultrapassam 2.000 metros. Veja como aproveitar cada estação na cidade:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à cidade do Caraça em Minas Gerais
De Belo Horizonte, são cerca de 120 km até Catas Altas, em viagem de aproximadamente duas horas. O acesso mais comum é pela BR-381 (Fernão Dias) sentido Vitória, com saída para Barão de Cocais, e depois seguindo até a cidade. O caminho alternativo passa por Ouro Preto e Mariana, com cerca de 50 km a mais, mas evita o trânsito da Fernão Dias.
Quem chega de outras regiões do Brasil pode usar o Aeroporto Internacional de Belo Horizonte (Confins) como porta de entrada. De ônibus, é possível chegar pela Viação Pássaro Verde até Barão de Cocais e, de lá, seguir pela Viação Turin até Catas Altas. A cidade está a 65 km de Ouro Preto, o que torna o trajeto uma extensão natural para quem visita as cidades históricas mineiras.
Vá conhecer a cidade que encantou Dom Pedro II
O Caminho dos Diamantes guarda uma cidade onde o minério de ferro produz a maior riqueza per capita do Brasil, igrejas do século 18 dividem espaço com casarões coloniais e um santuário monumental recebe 70 mil visitantes por ano. Catas Altas é o destino raro em que a Estrada Real ainda parece intacta.
Você precisa atravessar a serra e conhecer Catas Altas, a cidade que fez Dom Pedro II dizer que só o Caraça paga toda a viagem a Minas.




