A Terra dos Apelidos no oeste de Minas reúne mais de 80 fundições e nasceu de um achado no século 18
Em 632 km² do oeste mineiro, a 139 km de Belo Horizonte, vive uma cidade onde o catálogo telefônico já listou apelidos no lugar dos nomes. Cláudio tem 30 mil moradores, ganhou esse nome graças a um escravizado que descobriu um ribeirão no século 18 e hoje reúne mais de 80 fundições, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Fundição (ABIFA). A cidade combina ferro derretido nas indústrias e cachoeiras geladas na zona rural.
A lenda do escravizado que batizou a cidade no século 18
A origem do nome guarda uma das curiosidades mais inusitadas do interior mineiro. Segundo a história oficial da Prefeitura Municipal de Cláudio, em 1758 chegaram à região duas famílias portuguesas chefiadas por João Ferreira e Manuel Borges. Um homem escravizado de uma dessas famílias, chamado Cláudio, saiu em sondagem no primeiro domingo após a chegada e descobriu um ribeirão ao fim do córrego. As famílias passaram a chamar o curso d’água de “ribeirão do Cláudio”, e o nome se manteve para toda a região.
O distrito de Aparecida do Cláudio foi criado em 8 de junho de 1858 pela Lei Provincial nº 913. Em 30 de agosto de 1911, virou vila desmembrada de Oliveira, pela Lei Estadual nº 556, e foi instalada em 1º de junho de 1912. Em 7 de setembro de 1923, a vila passou a se chamar simplesmente Cláudio e, em 10 de setembro de 1925, foi elevada à categoria de cidade pela Lei Estadual nº 893.

Vale a pena viver na Cidade Carinho?
Sim, e os números reforçam a vocação industrial e o crescimento da cidade. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população saltou de 22.522 habitantes em 2000 para 30.159 no Censo 2022, um crescimento de quase 34% em duas décadas. A taxa de variação da renda entre 2000 e 2010 foi de 76%, segundo dados do Atlas do Desenvolvimento Humano.
O município é um dos principais centros nacionais da indústria de fundição, com mais de 80 empresas do setor, segundo a Associação das Indústrias Metalúrgicas de Cláudio (ASIMEC). A cidade sediou o 17º Encontro do Fundidor Mineiro, organizado pelo Sindicato da Indústria da Fundição no Estado de Minas Gerais (SIFUMG) em parceria com a ABIFA, o SEBRAE e o SENAI. A produção local inclui peças de ferro fundido, móveis em alumínio, panelas, utensílios domésticos e churrasqueiras.

O que fazer em Cláudio?
A cidade mistura patrimônio urbano com cachoeiras e fazendas centenárias na zona rural. Entre os pontos de visita estão:
- Cachoeira do Corumbá: queda d’água a cerca de 5 km do centro, com água limpa e gelada, ideal para banho, segundo o portal oficial Turismo em Minas Gerais.
- Usina do Corumbá: antiga hidrelétrica que abastecia povoados e a cidade, hoje desativada e transformada em ponto turístico e área de lazer.
- Igreja Matriz da Imaculada Conceição: principal templo religioso da cidade, com a particularidade de ficar no centro de um estacionamento, não em uma praça como é tradição mineira.
- Cristo Redentor de Cláudio: monumento em ponto alto que oferece vista panorâmica da cidade e da região.
- Casa de Cultura: instalada na antiga estação ferroviária da cidade, preserva a memória do início do município.
- Cachoeiras dos Pios e de São Bento: outras quedas d’água espalhadas pela zona rural, com acesso pelas comunidades do entorno.
- Distrito de Monsenhor João Alexandre: também conhecido como Cachoeirinha ou Itamembé (água que corre da pedra, em tupi), guarda uma cachoeira em volta da qual a comunidade cresceu.
Na cozinha, a tradição mineira aparece nas refeições preparadas em fogão a lenha e na produção rural de queijos e destilados. Os destaques gastronômicos incluem:
- Queijos artesanais: produzidos em fazendas centenárias da zona rural, integram o universo do queijo mineiro reconhecido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).
- Cachaças e destilados artesanais: fabricados em alambiques de fazendas locais, parte da herança da região do Oeste de Minas.
- Frango com quiabo e tutu de feijão: pratos clássicos da mesa mineira, servidos em restaurantes familiares do centro e da zona rural.
- Doces de leite e compotas caseiras: produzidos com frutas da estação por agricultores familiares e vendidos em feiras e fazendas abertas à visitação.
Quem tem curiosidade de conhecer a infraestrutura e a essência de uma típica cidade mineira, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Pelos Quatro Ventos, onde Andreia e Glauder mostram as ruas, bairros e o centro de Cláudio, MG:
Quando visitar a cidade das cachoeiras de Cláudio?
O clima é tropical de altitude, suavizado pelos 832 metros em que a cidade fica. Os verões são úmidos e chuvosos, com pancadas frequentes à tarde, e os invernos são secos e amenos. Veja como aproveitar cada estação na cidade mineira:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à cidade do oeste mineiro
De Belo Horizonte, são cerca de 139 km até Cláudio. O caminho mais comum é pela BR-381 (Fernão Dias) até a saída para a BR-262, com acesso pela MG-260 para chegar ao centro do município. A cidade está na mesorregião do Oeste de Minas e na microrregião de Divinópolis.
Quem chega de outras regiões do Brasil pode usar o Aeroporto Internacional de Belo Horizonte (Confins) como porta de entrada, seguindo por rodovia até Cláudio. A cidade não tem aeroporto comercial regular, mas pousadas e hotéis da região atendem visitantes que vão para o turismo de aventura e ecoturismo nas serras do entorno.
Conheça a cidade onde até o catálogo telefônico tem apelidos
O oeste mineiro guarda uma cidade onde a indústria de fundição transforma ferro em peças que viajam pelo Brasil, enquanto as cachoeiras geladas da zona rural recebem famílias inteiras nos fins de semana. Cláudio combina o ronco das mais de 80 fundições com o silêncio das fazendas centenárias e mantém a tradição mineira de batizar todo mundo com um apelido.
Você precisa atravessar a serra mineira e conhecer Cláudio, a cidade que nasceu de um achado no século 18 e ainda guarda o costume de chamar cada morador pelo nome que a comunidade escolheu.




