Encravado a 1.400 metros de altitude na Serra da Mantiqueira, Visconde de Mauá reúne três vilas conectadas por um único rio que funciona como fronteira viva entre dois estados. O distrito de cerca de 5 mil moradores guarda quase 100 cachoeiras geladas, pousadas com lareira e a gastronomia da truta cultivada nas águas cristalinas da serra.
O distrito onde um rio separa Rio de Janeiro e Minas Gerais
A geografia faz de Visconde de Mauá um caso raro no turismo brasileiro. O distrito não é município autônomo e é administrado por três prefeituras diferentes: Resende e Itatiaia, no Rio de Janeiro, e Bocaina de Minas, em Minas Gerais.
O Rio Preto corta toda a região e marca a divisa exata entre os dois estados. Basta cruzar uma das pontes de pedestres sobre o rio para trocar de estado. Na Vila de Maringá, o efeito é ainda mais curioso: um lado da rua pertence a Itatiaia, no Rio, e o outro a Bocaina de Minas, em Minas. Restaurantes, lojas e pousadas se dividem entre as duas margens sem que o visitante perceba a mudança.
As três vilas principais, Mauá, Maringá e Maromba, estão ligadas pela Estrada Mauá-Maromba, que acompanha o Rio Preto por cerca de 11 km. Cada vila tem personalidade própria: Mauá é a mais histórica, Maringá concentra o polo gastronômico e Maromba abriga a cachoeira-cartão-postal da região.

Vizinha do primeiro parque nacional do Brasil
A região inteira está inserida na Área de Proteção Ambiental (APA) da Serra da Mantiqueira e faz divisa com a parte alta do Parque Nacional do Itatiaia. Criado em 14 de junho de 1937 pelo Decreto 1.713 do presidente Getúlio Vargas, o Itatiaia foi o primeiro parque nacional do Brasil, segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
O Parque abrange municípios de dois estados, incluindo Bocaina de Minas, e tem o Pico das Agulhas Negras como ponto culminante, a 2.791 metros de altitude. As trilhas no entorno levam visitantes de Visconde de Mauá a campos de altitude, vales suspensos e nascentes que alimentam as cachoeiras da serra.
O Parque Estadual da Pedra Selada também protege parte da região e abriga o rio do Marimbondo, que nasce nos campos de altitude do Itatiaia e desemboca no Rio Preto perto da Vila de Mauá.

O que fazer entre cachoeiras geladas e a alameda da truta?
O roteiro turístico mistura natureza e mesa farta. Entre os principais pontos a conhecer:
- Cachoeira do Escorrega: tobogã natural de pedra que desemboca em piscina cristalina na Vila de Maromba, principal cartão-postal da região.
- Cachoeira Santa Clara: queda d’água com opções de rapel e cachoeirismo, entre Maringá e Maromba.
- Cachoeira dos Macacos: dentro do Parque Nacional do Itatiaia, com trilha de mata nativa pouco sinalizada.
- Pedra Selada: monólito de granito que dá nome ao parque estadual, com trilha de cerca de 3 horas até o cume a 1.755 metros.
- Parque Ecológico Cachoeiras do Santuário: mais de 20 cachoeiras dentro de mata nativa com árvores centenárias.
- Vale do Alcantilado: trilhas, escarpas de granito e escaladas para os amantes de aventura.
- Pontes de pedestres sobre o Rio Preto: travessias entre Rio de Janeiro e Minas em poucos passos.
A gastronomia é a outra metade da viagem. O peixe da serra é a estrela, mas o cardápio se expande no inverno. As paradas obrigatórias:
- Alameda Gastronômica Tia Sofia: rua dos principais restaurantes da Vila de Maringá, do lado mineiro, com chefs premiados e pratos sofisticados.
- Truta Rosa: principal piscicultura da região, onde é possível conhecer o processo de criação, pescar e degustar truta fresca.
- Fondue de queijo e chocolate: tradição das pousadas com lareira, especialmente entre maio e setembro.
- Pinhão assado e na brasa: típico das araucárias da Mantiqueira, presente nos cardápios de outono e inverno.
- Bistrôs do lado mineiro: combinação da cozinha mineira tradicional com a gastronomia de serra.
- Festa do Pinhão: realizada em maio na Vila de Mauá, uma das mais tradicionais da Mantiqueira.
Quem planeja curtir o aconchego dos vilarejos, a boa gastronomia e as belas paisagens naturais da serra, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Casal Alencar, que conta com mais de 724 mil visualizações, onde os apresentadores mostram um roteiro completo de 3 dias em Visconde de Mauá:
Quando visitar Visconde de Mauá segundo o clima da Mantiqueira?
O clima de altitude garante quatro estações bem marcadas, com inverno gelado e verão fresco. A tabela a seguir resume as condições:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
O inverno é a alta temporada por excelência. Entre junho e agosto, a temperatura mínima pode chegar a -2°C nas madrugadas, e quase todas as pousadas oferecem lareira nos quartos. É a época da truta, do fondue e do vinho na varanda. O verão atrai quem quer fugir do calor das grandes cidades e mergulhar nas piscinas naturais geladas.
Como chegar a Visconde de Mauá pela Serra da Mantiqueira?
O acesso principal é pela BR-116 (Rodovia Presidente Dutra), com saída no km 311, entre Resende e Itatiaia, no sul do Rio de Janeiro. A partir daí, restam cerca de 30 km de subida pela RJ-163 até chegar à Vila de Mauá.
De São Paulo, são aproximadamente 280 km, com tempo médio de 4 horas. Do Rio de Janeiro, cerca de 210 km e 3 horas de viagem. De Belo Horizonte, são 430 km e cerca de 6 horas. A estrada da serra está 90% pavimentada, mas mantém trechos com afunilamento e obras de manutenção.
Cruze a ponte e desapareça por um fim de semana na Mantiqueira
Visconde de Mauá oferece algo que poucos destinos do Sudeste entregam: a sensação de estar em dois estados ao mesmo tempo, com água gelada descendo a Mantiqueira, mata preservada pelo parque nacional mais antigo do Brasil e pousadas que fazem do frio uma experiência gastronômica.
Você precisa cruzar a ponte sobre o Rio Preto, mergulhar numa piscina natural de água gelada e entender por que essa divisa de estados virou destino certo para quem quer desaparecer por um fim de semana sem sair do Sudeste.




