Uma decisão judicial histórica em Lyon confirmou que uma companhia aérea não tem o direito de impedir o embarque de passageiros com passaportes vencidos há menos de cinco anos em trajetos específicos. A sentença protege o direito de circulação garantido por tratados internacionais antigos.
O que motivou a condenação da EasyJet em 2026?
O Tribunal Judicial de Lyon condenou a empresa ao pagamento de indenizações que somam 4.872 euros após a recusa indevida de uma passageira menor de idade. O documento da criança estava vencido há apenas 18 dias no momento da tentativa de embarque.
A companhia aérea tentou justificar a barragem com base em diretrizes europeias mais recentes que exigem validade total. Entretanto, os magistrados franceses entenderam que regulamentações burocráticas de empresas privadas não podem se sobrepor a acordos firmados entre Estados nacionais soberanos.
Qual acordo internacional garante o embarque com documento vencido?
O pilar jurídico da decisão é o Acordo Europeu sobre a Circulação de Pessoas, assinado em 13 de dezembro de 1957. Este tratado permite que cidadãos de países signatários viajem entre as fronteiras do bloco portando passaportes vencidos há até 60 meses.
Este documento é administrado pelo Conselho da Europa, organização que zela pelos direitos humanos e pela cooperação jurídica no continente. O tratado de 1957 continua em pleno vigor, servindo como garantia fundamental para a mobilidade de milhões de turistas europeus anualmente.
Como a Corte de Cassação francesa interpretou o caso?
A sentença de 2026 não é um caso isolado, mas o reforço de um precedente estabelecido pela Corte de Cassação em 2020. A instância máxima da justiça francesa já havia decidido que o acordo internacional prevalece sobre diretivas internas da União Europeia.
Nesse julgamento anterior, a companhia aérea também foi obrigada a ressarcir danos morais e materiais a passageiros impedidos de voar para a Grécia. A jurisprudência consolidada impede que as transportadoras apliquem regras de embarque excessivamente rígidas e contrárias aos pactos de cooperação transfronteiriça.
Quais países aceitam o passaporte vencido há 5 anos?
Atualmente, existem 18 países que ratificaram o acordo de 1957 e devem aceitar a documentação nessas condições. Entre eles estão destinos turísticos de grande relevância, onde a fiscalização de fronteira reconhece a validade estendida para fins de identificação civil.
Confira a lista de alguns destinos cobertos pelo tratado:
- França: País de origem do processo judicial e signatário fundador.
- Itália: Aceita o ingresso de cidadãos sob as regras do acordo histórico.
- Grécia: Destino frequente de litígios envolvendo passaportes expirados.
- Bélgica e Suíça: Também fazem parte do grupo que permite a livre circulação.
Quanto custou o erro jurídico para a companhia aérea?
A recusa em aceitar o acordo extrajudicial proposto pela família em 2018 resultou em um prejuízo financeiro muito maior para a empresa. Além de reembolsar as passagens aéreas e diárias de hotel perdidas, a transportadora arcou com multas pesadas por danos imateriais.
Abaixo, detalhamos a composição dos valores que a EasyJet foi obrigada a pagar pela justiça francesa:

Quais as limitações dessa regra para o viajante brasileiro?
É vital compreender que esta flexibilidade jurídica aplica-se exclusivamente a cidadãos de países que assinaram o pacto no âmbito europeu. Para brasileiros que viajam ao exterior, a exigência de passaporte com validade mínima de seis meses continua sendo o padrão obrigatório.
Qualquer companhia aérea que opera voos internacionais para fora da Europa segue as normas da Organização da Aviação Civil Internacional, que preconiza documentos rigorosamente válidos. Antes de organizar seu roteiro, verifique sempre as exigências consulares do país de destino para evitar transtornos no portão de embarque.
A vitória judicial de 2026 serve como um alerta para que as empresas de aviação respeitem os direitos dos consumidores e os tratados internacionais. Estar bem informado sobre as leis de cada território é a melhor maneira de garantir que suas viagens ocorram sem interrupções burocráticas injustificadas.




