Desde o fim de 2025, a discussão sobre segurança no trânsito para quem pedala ganhou novo fôlego na Espanha, com uma nova normativa para ciclistas que permite criar vias específicas para bicicletas ao longo das rodovias, redesenhando o uso da banquina e priorizando trajetos contínuos, seguros e integrados ao sistema viário.
O que muda na nova normativa para ciclistas nas rodovias espanholas
A nova normativa autoriza transformar total ou parcialmente a banquina em ciclovias exclusivas, segregadas fisicamente dos veículos motorizados, desde que estudos técnicos garantam que o fluxo geral da rodovia não será prejudicado.
O objetivo é criar rotas ciclísticas contínuas, protegidas e conectadas entre si, evitando trechos isolados que obriguem ciclistas a alternar de forma abrupta entre ciclovias e fluxo de carros, caminhões e ônibus.
Como funciona no Brasil em 2026 e o que diz o CTB
Em 2026, o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) continua permitindo a circulação de bicicletas nos acostamentos de rodovias federais e estaduais, quando não houver infraestrutura específica para ciclistas.

Na legislação real, o Artigo 58 do CTB determina que, inexistindo ciclovia, ciclofaixa ou pista própria, as bicicletas devem circular:
- Uso do acostamento: o acostamento é o espaço destinado à circulação de pedestres e bicicletas, sempre que estiver presente e em condições adequadas de uso.
- Ausência de acostamento: se a rodovia não tiver acostamento, o ciclista deve pedalar pelos bordos da pista de rolamento, o mais à direita possível, mantendo-se fora da faixa de maior fluxo sempre que viável.
- Sentido do tráfego: a circulação deve ocorrer obrigatoriamente no mesmo sentido dos demais veículos, nunca na contramão, inclusive em rodovias.
Assim como na Espanha, a diretriz brasileira busca integrar a bicicleta ao sistema viário, preservando o direito de circulação e reforçando a necessidade de respeito mútuo entre ciclistas e motoristas. Combater notícias falsas sobre supostas proibições é fundamental para não afastar as pessoas da bicicleta e para garantir que todos conheçam e exerçam seus direitos de forma segura.
Como funciona a segregação de ciclovias ao longo das estradas
A criação de carriles bici segue critérios que priorizam segurança viária e fluidez do trânsito, articulando as novas ciclovias com trechos urbanos e rotas já existentes para pedalar com maior previsibilidade.
Para tornar essa rede funcional e segura, a normativa prevê diferentes tipos de intervenção ao longo das rodovias nacionais:
- Conversão da banquina em ciclovia exclusiva, com sinalização adequada e separação física sempre que possível.
- Intervenções pontuais em curvas, lombas e trechos de baixa visibilidade para reforçar a proteção aos ciclistas.
- Continuidade de rotas, conectando ciclovias já existentes para formar corredores completos entre cidades ou regiões.
Quais regras de circulação continuam valendo para quem pedala nas rodovias
Enquanto a rede segregada ainda está em expansão, a legislação atual para ciclistas permanece válida em trechos sem infraestrutura específica, mantendo obrigações básicas de uso da via e convivência com o tráfego motorizado.
A normativa reforça que essas regras seguem fundamentais para reduzir riscos, sobretudo em áreas de transição entre ciclovias e rodovia aberta ao tráfego geral.
- Uso da banquina direita: quando existir e estiver em boas condições, o ciclista deve circular por esse espaço, fora da faixa destinada aos veículos motorizados.
- Saída da banquina: é admitida apenas em situações como descidas prolongadas, manobras de conversão permitidas ou quando a segurança recomende.
- Deslocamento em paralelo: é permitido, mas deve virar fila única em trechos de pouca visibilidade, curvas, aclives, declives acentuados ou em caso de aglomeração.

Como a nova normativa influencia a mobilidade e a segurança futura
A medida alinha a mobilidade espanhola a metas de redução de emissões e promoção do transporte ativo até 2030, incorporando a bicicleta como parte estruturante do sistema viário e não apenas como prática esportiva.
Isso exige planejamento integrado entre rodovias, áreas urbanas e ciclovias metropolitanas, bem como educação para o trânsito e monitoramento constante de sinistros para avaliar o impacto real da normativa.
Por que agir agora para tornar as estradas mais seguras para ciclistas
Com dezenas de mortes anuais envolvendo ciclistas em rodovias, cada novo corredor seguro instalado representa vidas preservadas e mais pessoas confiantes para adotar a bicicleta no dia a dia, seja por lazer, esporte ou trabalho.
Se você é gestor público, ciclista ou motorista, pressione por ciclovias segregadas, cobre a aplicação da nova normativa para ciclistas e adapte seu comportamento no trânsito hoje: a mudança estrutural começa agora, e cada decisão pode ser a diferença entre mais um sinistro grave e um trajeto concluído em segurança.




