A nova escala de trabalho 5×2 começou a ser testada por grandes redes de supermercados em 2026, antecipando debates legislativos. A mudança busca modernizar a jornada no varejo alimentar enquanto a PEC 148/2015 aguarda votação definitiva no Plenário do Senado.
O que propõe a PEC 148/2015 para os trabalhadores?
A proposta de emenda constitucional sugere reduzir a jornada máxima semanal de 44 para 36 horas de forma gradual em todo o país. O texto, de autoria do senador Paulo Paim, prevê que o descanso semanal obrigatório passe a ser de dois dias, preferencialmente aos sábados e domingos.
A transição seria suave, com a redução de uma hora por ano após a promulgação da lei, permitindo que as empresas se adaptem. Segundo o Senado Federal, a medida visa melhorar a qualidade de vida do trabalhador sem comprometer a viabilidade econômica dos setores produtivos brasileiros.

Quais redes de supermercados já adotaram a escala 5×2?
O Grupo Savegnago e o Grupo Supernosso iniciaram projetos-piloto em 2026 para avaliar a viabilidade do modelo com dois dias de folga. No estado de São Paulo, o teste expandiu-se para todas as unidades após resultados positivos em cidades como Campinas e Sumaré.
Confira os principais detalhes dos testes em andamento:
- Manutenção da carga de 44 horas semanais totais.
- Aumento da jornada diária para 8h48 em cinco dias de trabalho.
- Garantia de dois dias consecutivos de descanso semanal.
- Monitoramento da fadiga de repositores e operadores de caixa.
Como a jornada diária é reconfigurada na prática?
Na escala tradicional de 6×1, o colaborador costuma cumprir 7h20 diárias para atingir o limite semanal permitido por lei. Com a nova escala de trabalho, o expediente sobe para quase 9 horas, respeitando o intervalo obrigatório de uma hora para repouso e alimentação previsto na Consolidação das Leis do Trabalho.
A tabela abaixo compara os dois modelos de organização de tempo:

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Qual é o custo projetado para o setor de comércio?
A Confederação Nacional do Comércio estima que a redução total para 36 horas semanais geraria um custo anual de R$ 122,4 bilhões. Esse impacto financeiro decorre da necessidade de contratação de novos funcionários para cobrir os turnos vagos nos estabelecimentos comerciais.
Especialistas indicam que o setor varejista, que opera intensamente aos finais de semana, enfrentaria desafios logísticos para organizar as equipes. Em cidades como Belo Horizonte e Sertãozinho, a adaptação exige planejamento rigoroso para evitar a sobrecarga dos colaboradores que permanecem na escala ativa durante os dias de maior fluxo.
Quais benefícios as empresas relataram com os testes?
Varejistas que implementaram a 5×2 observaram uma redução significativa na rotatividade de pessoal e no absenteísmo dos funcionários. Ter dois dias de descanso torna a vaga no supermercado mais atraente, facilitando a retenção de talentos em um setor historicamente conhecido pela alta rotatividade.
Além disso, o aumento do bem-estar emocional reflete diretamente na produtividade e no atendimento ao cliente final. Embora o debate sobre os custos continue, a experiência prática mostra que a modernização da escala de trabalho pode ser um diferencial competitivo importante para as redes que buscam estabilidade operacional e valorização do capital humano.




