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Governo exigirá que bares e restaurantes cobrem taxa adicional por cada garrafa, lata ou embalagem vendida

Núbia Rangel Por Núbia Rangel
10/05/2026
Em Notícias
Governo exigirá que bares e restaurantes cobrem taxa adicional por cada garrafa, lata ou embalagem vendida

A Espanha muda a forma de devolver embalagens.

✦ Destaques

10 centavos de euro é o depósito cobrado por embalagem, devolvido integralmente ao consumidor que retornar o envase vazio.

A Espanha reciclava apenas 41,3% das garrafas plásticas em 2023, bem abaixo da meta europeia de 70%.

O sistema entra em vigor em novembro de 2026 e pode servir de modelo para políticas de reciclagem no Brasil.

Imagina pagar alguns centavos a mais por um refrigerante e saber que esse dinheiro volta para o seu bolso na hora em que você devolver a embalagem vazia. Simples assim. Essa é a lógica do sistema de depósito de embalagens que a Espanha está prestes a adotar, e que já faz parte do cotidiano de países como Alemanha, Suécia e Noruega há entre duas e quatro décadas.

O que está mudando na Espanha a partir de novembro de 2026

O governo espanhol confirmou a implantação do Sistema de Depósito, Devolução e Retorno (SDDR), previsto para novembro de 2026. A partir dessa data, cada garrafa plástica, lata de alumínio ou embalagem cartonada de até três litros vendida no país passará a incluir um depósito de 10 centavos de euro no preço final. Não é imposto: é um valor que retorna ao consumidor quando ele devolve o envase vazio.

A medida está prevista no Real Decreto 1055/2022, que tornou o sistema obrigatório caso a Espanha não atingisse as metas europeias de reciclagem. E foi exatamente o que aconteceu: o país reciclou apenas 41,3% das garrafas plásticas em 2023, bem abaixo dos 70% exigidos por Bruxelas.

Governo exigirá que bares e restaurantes cobrem taxa adicional por cada garrafa, lata ou embalagem vendida
O consumidor recebe o valor pago de volta.

Devolveu a embalagem? Seu dinheiro volta na hora

O funcionamento é mais intuitivo do que parece. Ao comprar uma água, um suco ou uma cerveja, o consumidor paga o preço normal da bebida mais o depósito de 10 centavos. Depois de consumir, basta levar a embalagem vazia até uma máquina automática no supermercado. Ela lê o código de barras, confirma o envase e reembolsa o valor na hora.

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Em bares e restaurantes, a lógica é adaptada: quando o produto é consumido e o envase devolvido no próprio estabelecimento, o depósito pode nem ser cobrado do cliente. O órgão responsável pela implantação em todo o território é o Ministério para a Transição Ecológica da Espanha (MITECO).

Quais embalagens entram na regra e quem precisa se adaptar

Nem todo recipiente será incluído no sistema de depósito. A legislação espanhola define critérios claros sobre quais envases recebem o depósito e quem precisa se adequar. Confira os principais pontos:

  • Garrafas plásticas de até 3 litros com água, refrigerantes, sucos, energéticos e bebidas alcoólicas estão incluídas.
  • Latas de alumínio e embalagens cartonadas tipo longa vida de bebidas também recebem o depósito reembolsável.
  • Supermercados e lojas funcionarão como pontos de devolução, com máquinas automáticas instaladas nos estabelecimentos.
  • Bares e restaurantes têm regras adaptadas: quando o consumo e a devolução ocorrem no mesmo local, o depósito pode não ser cobrado do cliente final.
  • Embalagens acima de 3 litros ficam de fora do sistema por enquanto.

✦ Pontos-chave

Depósito, não imposto

Os 10 centavos de euro pagos a mais por envase retornam integralmente ao consumidor que devolver a embalagem vazia.

Meta europeia exigente

O Regulamento Europeu de Envases fixa 90% de coleta seletiva para janeiro de 2029. A Espanha precisa saltar dos atuais 41% para atingir esse patamar.

Desafio logístico real

Milhares de pontos de venda precisam instalar máquinas de retorno e adaptar seus espaços antes do prazo de novembro de 2026.

O Brasil já conhece essa ideia, mas ainda não formalizou

Quem cresceu comprando refrigerante em garrafa de vidro e devolvendo o “casco” no mercadinho de bairro conhece bem essa lógica. O Brasil já tem uma estrutura de logística reversa prevista na Lei nº 12.305/2010, a Política Nacional de Resíduos Sólidos. A diferença é que um sistema como o SDDR europeu formaliza e amplia essa prática para todos os tipos de embalagens descartáveis, com incentivo financeiro direto ao consumidor.

O país já é referência mundial na reciclagem de latas de alumínio, com taxa superior a 97%. Mas quando o assunto é garrafa PET e embalagens cartonadas, o cenário muda: boa parte ainda termina em aterros ou no meio ambiente. Não há, por ora, projeto de lei avançado no Congresso brasileiro que institua um SDDR nos moldes europeus, mas o debate sobre economia circular vem ganhando espaço no país.

O tamanho real dos obstáculos que a Espanha ainda precisa superar

Apesar do prazo definido por lei, a implementação do SDDR enfrenta entraves. A Comunidade de Madri, por exemplo, adiou a autorização das entidades gestoras do sistema, alegando insegurança jurídica. O MITECO rebate e afirma que a regulamentação é suficiente, mas o impasse entre o governo central e as comunidades autônomas persiste.

A experiência europeia mostra que transformar hábitos de consumo exige mais do que uma boa lei. A Alemanha apresenta taxas de retorno superiores a 98% com o seu sistema de depósito para embalagens de uso único. O vizinho Portugal lançou em 10 de abril de 2026 o seu Sistema de Depósito e Reembolso (SDR), identificado pela marca “Volta”, com período de transição previsto até 9 de agosto, durante o qual embalagens com e sem o símbolo coexistem nas prateleiras.

A Espanha está construindo, em tempo real, um caminho que outros países europeus já percorreram. Acompanhar essa transição é uma forma de entender como políticas de reciclagem funcionam na prática, e quais lições podem, um dia, chegar ao debate ambiental brasileiro.

Curtiu saber mais sobre esse sistema de depósito de embalagens? Compartilhe este artigo com amigos e familiares que se interessam por sustentabilidade, reciclagem e mudanças que podem inspirar políticas públicas no Brasil.

Tags: Garrafagovernolatataxa

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