Quem desce a Serra da Mantiqueira e chega a Itajubá, no sul de Minas Gerais, encontra uma cidade pequena cercada por montanhas e marcada pela presença da Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI), fundada em 1913 como a décima escola de engenharia do Brasil. A cerca de 5 horas de carro de Belo Horizonte, o município reúne tradição em engenharia, picos para escalada e clima de cidade universitária na montanha.
Por que a primeira universidade tecnológica do Brasil fica em Itajubá
A história começa com o advogado Theodomiro Carneiro Santiago, que viajou à Europa em 1912, comprou equipamentos e contratou professores belgas, suíços e franceses para fundar o Instituto Eletrotécnico e Mecânico de Itajubá. A inauguração oficial ocorreu em 23 de novembro de 1913, com a presença do então presidente da República, marechal Hermes da Fonseca, e do vice-presidente Wenceslau Braz, nascido em Brazópolis, município da região de Itajubá, segundo registro da própria UNIFEI. A instituição foi pioneira em engenharia elétrica na América do Sul, conforme sessão especial do Senado Federal que celebrou seu centenário.
Em 1956, o instituto foi federalizado e, em 2002, virou universidade, pela Lei 10.435, sancionada pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso. Hoje, a UNIFEI oferece 35 cursos de graduação e 16 de pós-graduação, com cerca de 8 mil alunos distribuídos entre os campi de Itajubá e Itabira. Engenheiros formados ali ajudaram a montar a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), Furnas e a Companhia Energética de São Paulo (Cesp), segundo discurso registrado em sessão especial do Senado Federal.

O ecossistema HardTech que cresceu ao redor da universidade
A presença da UNIFEI atraiu indústrias e empresas de tecnologia ao longo das décadas. Itajubá abriga hoje o Parque Científico e Tecnológico de Itajubá (PCTI), um dos parques tecnológicos consolidados do estado, segundo a Agência Minas Gerais.
O ecossistema local Itajubá HardTech venceu o Prêmio Nacional de Inovação, do Sebrae e da Confederação Nacional da Indústria (CNI), na categoria cidades de médio porte, em reconhecimento divulgado pela imprensa especializada. A UNIFEI mantém o Centro Tecnológico para o Pré-Sal Brasileiro (CTPB), em parceria com a Petrobras e o consórcio de Libra, e desenvolve um Centro de Hidrogênio Verde com agência alemã. Esses laboratórios, somados ao Laboratório Nacional de Astrofísica, ampliam a vocação científica da cidade.

O que fazer entre picos e cachoeiras da Mantiqueira
A cidade está cercada por montanhas que aparecem no horizonte de qualquer rua. As atrações de aventura ficam em propriedades particulares ou em unidades de conservação municipais, e algumas exigem condutor.
- Pedra de Santa Rita: a 1.893 metros, é a montanha mais alta do município, dentro da Reserva Biológica Municipal de Itajubá. Do cume, vê-se Pedra do Baú, Pico dos Marins, Pedra da Mina e Agulhas Negras, segundo a Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais.
- Pedra Aguda: 1.570 metros, é o maciço mais visível da cidade, com vista panorâmica de boa parte da Serra da Mantiqueira.
- Pedra do Urubu: parede vertical com descida de rapel de 40 metros e várias vias de escalada esportiva, em acesso próximo ao centro.
- Pedra Amarela: segundo ponto mais elevado do município, a cerca de 1.405 metros, com trilha mais leve que a de Santa Rita.
- Reserva Biológica Municipal da Serra dos Toledos: criada em 1979, dentro da Área de Proteção Ambiental da Mantiqueira, com nascentes e remanescente de Mata Atlântica.
- Cachoeira do Marimbondo e Cachoeira da Estância: opções de banho a poucos minutos do centro, em meio à mata.
Quem pensa em morar em Itajubá, Minas Gerais, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal MAIS 50, onde o apresentador mostra os detalhes da cidade:
O clima de montanha que atrai novos moradores
O clima ameno e a presença da UNIFEI mudaram o perfil de quem se muda para a cidade. Profissionais de tecnologia, engenheiros e pesquisadores trocam capitais como São Paulo e Belo Horizonte pela rotina de cidade universitária na serra, com oferta de empresas hardtech instaladas no entorno.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo de Itajubá. Condições podem variar.
Como chegar a Itajubá
De Belo Horizonte, são cerca de 422 km até Itajubá, com aproximadamente cinco horas e quarenta minutos de carro pelas rodovias MG-050 e BR-381, segundo registros oficiais de mapas rodoviários. De São Paulo, o trajeto fica em torno de 260 km pela Rodovia Fernão Dias (BR-381), em cerca de quatro horas.
Os aeroportos comerciais mais próximos ficam em Pouso Alegre e em Varginha, ambos a pouco mais de uma hora de carro. Há ônibus diretos a partir das rodoviárias de São Paulo, Pouso Alegre e cidades vizinhas, com paradas regulares no Terminal Rodoviário de Itajubá.
Vá conhecer Itajubá
Poucas cidades de médio porte no Brasil reúnem uma universidade federal centenária especializada em engenharia, um parque científico em atividade e uma paisagem de Mantiqueira a poucos minutos do centro. Itajubá entrega tudo isso em um ritmo de interior, com clima ameno e picos no horizonte.
Você precisa subir até Itajubá e conhecer o campus da UNIFEI ao pé da Pedra Aguda para entender por que essa cidade do sul mineiro virou referência em engenharia, tecnologia e qualidade de vida.




