Empresas na Espanha podem exigir que funcionários fumantes compensem o tempo perdido em pausas para fumar durante o expediente. A decisão 161/2023 permite monitorar pausas externas e cobrar reposição de minutos, gerando debate sobre jornada de trabalho.
O que determinou o Tribunal Supremo sobre as pausas de funcionários fumantes?
O Tribunal Supremo da Espanha decidiu que as empresas possuem base legal para controlar o tempo que os funcionários passam fora do posto para fumar ou tomar café. A sentença 161/2023 negou um recurso sindical contra a Galp Espanha, que implantou um sistema de registro rigoroso.
A justiça entendeu que essas interrupções não fazem parte da jornada de trabalho efetiva, a menos que haja um acordo prévio em contrato. Assim, o empregador pode exigir que o colaborador compense esses períodos ao final do expediente ou realize o desconto proporcional no salário mensal.
Como funciona o registro de jornada nesses casos?
O sistema de controle deve ser fiel ao horário exato de início e fim das atividades, incluindo todas as saídas intermediárias. Essa regra ampara-se no artigo 34.9 do Estatuto dos Trabalhadores, que obriga a manutenção de um registro diário transparente para evitar fraudes ou horas extras não contabilizadas.
Na prática, o funcionário que se ausenta por 10 ou 15 minutos várias vezes ao dia acaba acumulando uma dívida de horas. De acordo com o Direito do trabalho internacional, a empresa tem o poder diretivo de organizar como esse tempo será recuperado para não prejudicar a produtividade da equipe.

Como essa mudança afeta os brasileiros que moram nesse lugar?
Para os brasileiros que trabalham em empresas com sede na Europa ou em multinacionais que seguem padrões rígidos, a atenção aos intervalos deve ser redobrada. O descumprimento da reposição do tempo pode ser interpretado como falta de assiduidade, gerando sanções que vão de advertências até a demissão.
Embora a decisão seja específica da Espanha, ela serve de precedente para discussões globais sobre o tempo de trabalho líquido. No Brasil, o Ministério do Trabalho e Emprego orienta que intervalos não previstos em lei ou contrato não são remunerados, o que permite condutas semelhantes por parte dos empregadores locais.
Confira os principais pontos da regulamentação de pausas:

Quais são os limites para o controle das empresas?
A fiscalização não pode ser humilhante ou discriminatória, devendo ser aplicada a todos os colaboradores de forma igualitária. Se a empresa controla o tempo do fumante, também deve monitorar outras ausências pessoais, como lanches fora de hora, para manter a isonomia no ambiente corporativo.
A transparência é apontada como a principal forma de evitar processos. Quando o registro de jornada é fiel ao tempo trabalhado, os conflitos diminuem, pois o colaborador entende exatamente quanto tempo precisa cumprir além do horário contratado.
Pausas para café também entram na mesma regra dos funcionários fumantes?
Sim, a jurisprudência equipara as saídas para café e desjejum às pausas para o tabagismo quando ocorrem fora dos intervalos autorizados. A tendência é que os sistemas de ponto eletrônico tornem-se cada vez mais granulares, capturando cada minuto de desconexão do funcionário com suas tarefas principais.
As empresas que adotam essa postura buscam justiça entre os funcionários que não fazem pausas extras e aqueles que se ausentam com frequência. Organizar esses períodos através de convenções coletivas continua sendo a forma mais segura de garantir o bem-estar do trabalhador sem comprometer as metas de entrega da organização em 2026.




