No extremo sul da Bahia, um vilarejo de pouco mais de 6 mil habitantes resiste à pressa. Cumuruxatiba, distrito de Prado, fica na Costa das Baleias, espremido entre falésias coloridas e um mar protegido por recifes de coral. Os últimos 30 km do acesso são de estrada de terra, e é justamente essa barreira que mantém as praias extensas, quase desertas, e um ritmo que parece ter parado no tempo.
O que torna esse vilarejo tão diferente do resto do litoral baiano
Cumuruxatiba acumula marcas históricas que poucos vilarejos do país podem reivindicar. A Barra do Cahy, praia a 15 km ao norte, é apontada por historiadores como o primeiro ponto onde a tripulação de Pedro Álvares Cabral pisou em solo brasileiro, em 22 de abril de 1500. O capitão Nicolau Coelho desceu ali para buscar água doce e fez o primeiro contato com indígenas da região. Do mar, a foz do Rio Cahy ainda oferece a mesma perspectiva do Monte Pascoal descrita na carta de Pero Vaz de Caminha. A praia recebeu o título simbólico de “primeira praia do Brasil” em 2000, durante as comemorações dos 500 anos.
O isolamento geográfico preservou mais que paisagens. Cumuruxatiba mantém forte presença da comunidade Pataxó, com aldeias que oferecem vivências culturais, artesanato em sementes e fibras e rodas de conversa sobre tradições ancestrais. A pesca artesanal ainda movimenta a economia local, e parte dos restaurantes serve o peixe que sai do barco na mesma manhã.
A região integra a Costa das Baleias e fica próxima ao Parque Nacional do Descobrimento e ao Parque Nacional Marinho dos Abrolhos, ambos administrados pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Entre julho e outubro, baleias jubarte migram do polo sul para se reproduzir na costa baiana, e os passeios de observação saem diretamente de Cumuruxatiba com operadoras credenciadas.

O que fazer em um roteiro pelo extremo sul da Bahia
O vilarejo é compacto, mas os arredores oferecem praias para dias inteiros de exploração. O roteiro a seguir cobre os principais pontos:
- Praia do Centro e Píer: faixa principal da vila, com barracas, piscinas naturais na maré baixa e píer de madeira que avança sobre o mar.
- Praia do Rio do Peixe: falésias avermelhadas, areia de monazita escura e encontro de rio com mar. Acesso a pé ou de carro.
- Barra do Cahy: marco histórico do primeiro desembarque português. Falésias, coqueiros e vista do Monte Pascoal. Acesso por passeio de barco ou 17 km de estrada de terra.
- Ponta do Corumbau: passeio de barco que passa por recifes e praias isoladas, com parada para mergulho em águas transparentes.
- Japara Grande: praia protegida por paredão de falésias, com rio de água doce no meio da faixa de areia. A 12 km ao sul.
- Observação de baleias jubarte: passeios entre julho e outubro com operadoras locais. Filhotes costumam se aproximar dos barcos.
Quem busca um refúgio rústico e deserto, vai curtir esse vídeo do canal Rolê Família, com mais de 83 mil visualizações, onde o apresentador mostra um roteiro de 2 dias por Cumuruxatiba, na Bahia, com praias históricas e paradisíacas:
Quando o clima favorece cada tipo de passeio
O litoral sul da Bahia não tem estação chuvosa bem definida. As chuvas se distribuem ao longo do ano, o que garante boas condições de praia em qualquer mês. A tabela abaixo orienta o planejamento:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo (Prado, município-sede). Condições podem variar.
Como chegar ao vilarejo no fim da estrada
O aeroporto mais próximo fica em Teixeira de Freitas, a 110 km de Cumuruxatiba. O trecho inclui cerca de 30 km finais de estrada de terra. O aeroporto de Porto Seguro recebe mais voos, mas está a 230 km, o que representa cerca de 4 horas de viagem.
De carro, o acesso mais comum é pela BR-101 até Itamaraju ou Teixeira de Freitas, seguindo por estradas estaduais até Prado. De Prado a Cumuruxatiba são 31 km pela BA-001, trecho não pavimentado que exige atenção em dias de chuva. Para quem vem de Minas Gerais ou do Espírito Santo, a rota pela BR-101 é a mais direta. Ônibus regulares ligam Teixeira de Freitas a Prado, e de lá o acesso a Cumuruxatiba é feito por transporte local.
O vilarejo que recompensa quem aceita a estrada de terra
Cumuruxatiba não entrega tudo de bandeja. Os 30 km de terra funcionam como um filtro natural que afasta a pressa e preserva praias onde, mesmo no verão, sobra espaço na areia. A vila guarda a memória do primeiro desembarque português, a presença viva dos Pataxó e um mar que recebe baleias jubarte todos os anos.
Se você procura um pedaço do litoral baiano que ainda parece intocado, encare a estrada de terra até Cumuru. A recompensa começa no momento em que o asfalto acaba.




