Quando uma profissional volta da licença-maternidade e se depara com um aviso de redundância, é normal sentir insegurança sobre o que é legal, o que é abuso e quais caminhos seguir. Em países como a Irlanda, o Brasil e grande parte da União Europeia, há regras específicas para proteger a trabalhadora grávida e a mãe recente, justamente para evitar práticas discriminatórias disfarçadas de “reestruturação interna”.
Redundância após licença-maternidade é sempre permitida?
A lei costuma permitir reestruturações e extinções de funções, desde que não sejam motivadas pela gravidez, pela licença ou pelo retorno da profissional ao trabalho.
No modelo europeu, a proteção é reforçada nesse período, com foco em evitar dispensa discriminatória, exigir motivos organizacionais legítimos e impor que o empregador comprove critérios objetivos, consultas adequadas e real busca por alternativas antes de demitir.

Como funciona a estabilidade da maternidade no Brasil em 2026
No Brasil, a demissão de uma funcionária que retorna da licença-maternidade é proibida por lei se ela ainda estiver no período de estabilidade provisória. Essa proteção está na Constituição Federal (art. 7º, XVIII e XX; art. 10, II, “b” do ADCT), na CLT e em súmulas e decisões do TST.
A gestante tem direito à estabilidade desde a confirmação da gravidez até 5 meses após o parto, em regra mesmo em contrato por prazo determinado (Súmula 244 do TST). Nesse período, só pode haver dispensa por justa causa comprovada ou se a própria funcionária pedir demissão.
Quais são os direitos no retorno ao trabalho e na rescisão?
Ao voltar da licença, a mãe tem alguns direitos específicos, como os intervalos para amamentação até o bebê completar 6 meses, sem prejuízo do salário. Após o fim da estabilidade, a empresa pode dispensar sem justa causa, desde que pague corretamente todas as verbas rescisórias.
Em caso de dispensa dentro da estabilidade, mesmo que o empregador não soubesse da gravidez, a trabalhadora pode pedir reintegração ou indenização substitutiva. Quando a demissão é legal, são devidas verbas como saldo de salário, aviso prévio, 13º proporcional, férias + 1/3 e FGTS com multa de 40%.

Quando a redundância após licença-maternidade pode ser irregular?
A redundância fica suspeita quando a empresa afirma extinguir um posto, mas mantém ou cria função muito semelhante sem oferecê-la à trabalhadora protegida. Em muitos países e também na prática brasileira, espera-se que a empresa avalie alternativas de realocação antes de dispensar.
Em casos de reestruturação, é fundamental observar se houve transparência e esforço real para oferecer vaga compatível. Alguns indícios que merecem atenção são:
- Ausência de consulta formal explicando risco de redundância e alternativas.
- Promessas verbais de vaga que depois é ocupada por outra pessoa.
- Criação ou contratação externa para cargo praticamente idêntico ao da profissional em licença.
- Falta de registro de critérios objetivos para selecionar quem seria dispensado.
Quais passos tomar diante de uma possível demissão injusta?
Se houver suspeita de dispensa discriminatória ligada à maternidade, é essencial agir rápido, documentar tudo e buscar orientação técnica. Especialistas recomendam pedir esclarecimentos formais, juntar provas (e-mails, prints, anúncios de vagas) e consultar advogado, sindicato, MPT ou Defensoria.
Não normalizar a perda do emprego por ser mãe é uma forma de proteger sua renda, sua carreira e também outras trabalhadoras. Se você desconfia que sua redundância após a licença-maternidade foi injusta, questione a empresa por escrito ainda hoje e procure apoio jurídico imediatamente, antes que prazos legais fechem de vez as portas para uma reversão ou uma compensação justa.




