Um caso de demissão por justa causa chocou a Espanha ao envolver uma funcionária com 35 anos de empresa. Ela foi dispensada após consumir cafés sem pagamento comprovado, perdeu a ação na Justiça e saiu sem indenização.
O que aconteceu com a funcionária na Espanha?
A trabalhadora atuava desde 1989 em uma grande rede de supermercados e ocupava cargo de confiança. Entre 4 e 21 de julho de 2022, foi flagrada por câmeras tomando cafés na área de descanso sem apresentar comprovante de compra.
Cada café custava cerca de 1 dólar, aproximadamente R$ 5. Mesmo com valor baixo, a empresa considerou violação de regra interna essencial e aplicou demissão por quebra de confiança.

Por que a Justiça manteve a justa causa?
Após a demissão, a funcionária recorreu ao Tribunal Superior de Justiça de Valência, alegando que havia pago e apenas não guardou os recibos. Tentou regularizar dois cafés depois, mas a empresa já havia formalizado a dispensa.
- Os juízes entenderam que houve violação das normas internas da empresa.
- A ausência de comprovante foi vista como quebra de confiança objetiva.
- A decisão foi unânime e negou qualquer tipo de indenização.
Isso poderia acontecer no Brasil?
No Brasil, a Consolidação das Leis do Trabalho prevê justa causa em casos de ato de improbidade. Consumir produto sem pagamento pode ser interpretado como desonestidade, mesmo que o valor seja irrisório.
Especialistas afirmam que quanto maior o tempo de casa e o cargo, maior a expectativa de lealdade. A quebra de confiança, e não o prejuízo financeiro, costuma ser o fundamento principal da demissão.

Casos semelhantes já ocorreram no Brasil?
Há registros de trabalhadores demitidos por consumir alimentos que seriam descartados, como iogurtes ou salgados. A Justiça brasileira tende a manter a justa causa quando a regra interna é clara.
- “Beliscar” mercadoria pode configurar ato de improbidade, segundo o artigo 482 da CLT.
- Comer produto sem autorização formal pode resultar em perda de FGTS, aviso prévio e multa.
- Câmeras de segurança costumam servir como prova decisiva em disputas trabalhistas.
O episódio serve como alerta: décadas de carreira podem ser comprometidas por descumprimento de normas internas, ainda que envolvam valores mínimos.
Como evitar uma demissão por motivo semelhante?
Trabalhadores do comércio e de empresas com fácil acesso a produtos devem redobrar atenção às regras internas. A formalização de qualquer consumo é essencial para evitar interpretações de fraude.
Zelar pela própria reputação profissional é fundamental. Guardar comprovantes, pedir autorização por escrito e seguir protocolos evita que um pequeno gesto resulte na perda de anos de trabalho.




