Quem nunca sentiu o coração acelerar antes de uma reunião importante, de uma prova ou de uma conversa difícil? Para muita gente, essa sensação deixa de ser algo pontual e vira companhia constante, misturando sintomas físicos com pensamentos acelerados e uma cobrança interna difícil de desligar.
Ansiedade e traços de personalidade mais comuns
Quando falamos de ansiedade como transtorno, não é só aquele nervosismo passageiro, mas um padrão que afeta trabalho, estudos, sono e relações. Em muitos acompanhamentos psicológicos, aparecem com frequência três traços: autoexigência elevada, excesso de amabilidade e neuroticismo, ligado a uma maior sensibilidade a emoções difíceis.
Essas características não surgem de repente; costumam estar relacionadas à história de vida, ao contexto familiar e às expectativas ao redor. Uma pessoa que só recebia elogios quando tinha ótimo desempenho pode desenvolver perfeccionismo, enquanto alguém que sempre evitou conflitos pode ter dificuldade em dizer “não” e se sentir constantemente sobrecarregada.

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Como a autoexigência e o perfeccionismo podem alimentar a ansiedade
A autoexigência muitas vezes é vista como sinal de responsabilidade, mas em excesso vira uma fonte constante de tensão. Pessoas muito cobradas por si mesmas criam metas rígidas, esperam desempenho máximo em tudo e interpretam qualquer erro como grande fracasso, mantendo a mente ocupada com pensamentos como “eu deveria ser melhor”.
Com o tempo, esse padrão perfeccionista costuma gerar dificuldade para relaxar, medo de errar e uma autocrítica dura que desgasta a autoestima. Na psicoterapia, é comum trabalhar mais flexibilidade, aprendendo a aceitar resultados “bons o suficiente”, reconhecer limites pessoais e praticar autocompaixão no lugar de ataques internos constantes.
Por que o excesso de amabilidade pode aumentar a ansiedade
Outro traço comum em pessoas ansiosas é o chamado excesso de amabilidade, que aparece como dificuldade de dizer “não” ou de assumir as próprias necessidades. Para evitar conflitos ou desapontar alguém, a pessoa aceita pedidos que não consegue cumprir, fica em situações desconfortáveis e assume responsabilidades demais, acumulando cansaço silencioso.
Essa postura pode aliviar o clima na hora, mas a longo prazo aumenta a sensação de pressão e o medo de desagradar. Trabalhar esse padrão envolve reconhecer sinais de esgotamento, aprender respostas mais assertivas e entender que dizer “não” às vezes é um ato de cuidado, não de egoísmo, preservando energia emocional para o que realmente importa. Se você gosta de ouvir profissionais, separamos esse podcast do Drauzio Varella falando mais sobre a ansiedade:
O que é neuroticismo e como ele se conecta com a ansiedade
Neuroticismo é um termo usado na psicologia para falar de uma maior tendência a sentir medo, preocupação, culpa e insegurança. Pessoas com esse traço costumam perceber riscos com facilidade, antecipar problemas e ficar em alerta mesmo quando, na prática, está tudo relativamente bem ao redor.
Isso não é um diagnóstico, mas aumenta a vulnerabilidade a quadros de ansiedade. Em geral, a pessoa reage de forma mais intensa a imprevistos, imagina cenários negativos com frequência e sente o corpo sempre “ligado”. Técnicas de respiração, atenção plena, atividade física leve e rotinas de descanso ajudam a trazer mais equilíbrio ao dia a dia.
Quais ferramentas simples ajudam a lidar com a ansiedade no dia a dia
Além de entender esses traços de personalidade, algumas estratégias práticas podem tornar a ansiedade mais administrável. Elas não substituem um cuidado profissional quando necessário, mas ajudam a criar uma base emocional mais estável e a diminuir o impacto das crises na rotina.
- Técnicas de respiração e relaxamento: exercícios simples ajudam a reduzir a ativação física em momentos de maior tensão.

Próximos passos para cuidar da sua ansiedade
Perceber como autoexigência, excesso de amabilidade e neuroticismo influenciam a ansiedade muda a forma de enxergar o problema: em vez de só combater sintomas, você passa a identificar padrões e fazer pequenos ajustes diários. Com isso, fica mais possível construir um jeito de viver mais leve e compatível com o que você sente e precisa.
Se você se reconheceu em algum desses pontos, considere buscar ajuda profissional e começar mudanças aos poucos, como testar limites mais saudáveis ou reduzir cobranças internas. Dar o primeiro passo, seja marcando uma sessão de terapia ou conversando com alguém de confiança, é um ato de coragem e um convite para uma relação mais gentil com você mesmo.




