As novas regras sobre heranças em vigor em fevereiro em Portugal estão a obrigar muitas famílias a encarar a sucessão com mais planejamento, menos “acordos de boca” e mais cuidado com segundos casamentos, uniões estáveis, enteados e patrimônio construído ao longo de décadas, em que pequenos detalhes legais podem alterar quem recebe o quê, quanto tempo o processo demora e quem fica efetivamente protegido.
O que mudou nas heranças em Portugal com as novas regras de fevereiro
O regime sucessório português continua a proteger os chamados herdeiros necessários – em regra, cônjuge, descendentes e, na falta destes, ascendentes. As alterações que começam a aplicar-se em fevereiro reforçam a necessidade de alinhar a realidade familiar com a lei, sobretudo quando há uniões não formalizadas e patrimônio compartilhado.
A herança disponível para favorecer alguém fora do círculo típico continua muitas vezes reduzida a cerca de um terço do patrimônio. Esse limite colide com situações comuns, como casas compradas com novo companheiro, doações a apenas um dos filhos ou seguros de vida desatualizados, tornando o planejamento prévio essencial.

Como funciona e se organiza a herança no Brasil em 2026
No Brasil em 2026, as regras sobre herança são reguladas principalmente pelo Código Civil e pelo ITCMD, o imposto estadual sobre transmissão causa mortis. A lógica é semelhante à portuguesa na proteção de herdeiros com direitos mínimos garantidos, mas com diferenças relevantes em porcentagens e na posição do companheiro em união estável.
Os herdeiros necessários têm direito irrenunciável a pelo menos 50% do patrimônio global do falecido, a “legítima”, integrando descendentes, ascendentes (se não houver descendentes) e cônjuge ou companheiro. A outra metade é a parte disponível, que pode ser livremente atribuída por testamento, desde que não invada a legítima.
Quem fica protegido na herança em casamento, união estável e segundas uniões
Uma das questões mais sensíveis é a diferença entre casamento e união estável na herança. O cônjuge mantém, em regra, estatuto de herdeiro necessário, enquanto o companheiro em união estável tem sobretudo garantias ligadas à casa de moradia da família, sem equiparação automática para efeitos sucessórios.
Nas segundas uniões, com filhos de relações diferentes, bens pré-existentes e imóveis em copropriedade, a herança legítima dos descendentes limita a margem para favorecer o atual companheiro. Por isso, torna-se indispensável definir por escrito a intenção de partilha e verificar se ela cabe na quota disponível permitida pela lei.
Como organizar a herança para reduzir conflitos familiares e proteger o patrimônio
As mudanças de fevereiro trazem para a linha de frente a organização prévia da herança, com foco em informação clara, documentação acessível e decisões registradas. Em muitas famílias, o que evita litígios é saber exatamente quem são os herdeiros legais, que patrimônio existe e como estão alinhados testamentos, seguros e registros de imóveis.

Para reduzir conflitos e esclarecer o impacto de doações em vida, contas bancárias e dívidas, vale seguir alguns passos práticos que ajudam a tornar o processo sucessório mais justo, rápido e transparente para todos os envolvidos:
- Listar regularmente bens e dívidas (imóveis, contas, investimentos, seguros, créditos, garantias).
- Verificar titulares e beneficiários em cada produto financeiro ou apólice e atualizá-los após mudanças familiares.
- Rever testamentos após divórcios, novas uniões ou operações patrimoniais relevantes, em Portugal e no Brasil.
- Especificar por escrito se as doações foram empréstimo, doação simples ou adiantamento de herança.
- Informar uma pessoa de confiança sobre onde estão os documentos essenciais e contatos de apoio jurídico.
Quais passos dar agora para adaptar a herança às novas regras e evitar surpresas
Diante do novo enquadramento, adiar decisões sobre herança aumenta o risco de processos longos, contas bloqueadas e conflitos entre quem a lei protege e quem fez parte da vida, mas não tem proteção automática. Uma consulta breve com um profissional especializado em sucessões pode confirmar se a sua intenção de partilha é viável e compatível com a parte legítima dos herdeiros protegidos em ambos os países.
Não espere por uma crise ou doença grave para agir: organize hoje o seu patrimônio, atualize testamentos e beneficiários, converse abertamente com a família e marque ainda esta semana uma reunião com um especialista. Cada mês sem planejamento aumenta a probabilidade de quem mais importa para você ficar desprotegido quando já não for possível corrigir o rumo.




