As doenças cardíacas continuam entre as principais causas de internações e mortes no mundo e, muitas vezes, evoluem de forma silenciosa. No dia a dia, sinais como cansaço, falta de ar leve ou inchaço nos pés costumam ser atribuídos à rotina corrida, idade ou sedentarismo, o que atrasa o diagnóstico. Identificar cedo esses indícios são decisivos para prevenir complicações graves e buscar tratamento adequado.
O que é doença cardíaca e por que ela pode ser silenciosa
A doença cardíaca reúne condições que afetam o coração e a circulação, como doença coronariana, cardiomiopatias, arritmias, insuficiência cardíaca e problemas valvares. Em muitos casos, essas alterações se instalam de forma lenta, sem dor intensa imediata, o que faz com que passem despercebidas.
Fatores como pressão alta, colesterol elevado, tabagismo, sedentarismo e diabetes agridem vasos e músculo cardíaco ao longo dos anos. Como o organismo se adapta gradualmente, sinais como cansaço ao esforço ou falta de ar leve são facilmente confundidos com simples desgaste físico, ou estresse.

Inchaço nas pernas pode indicar doença cardíaca
Um dos sinais menos comentados de problema no coração é o inchaço em pernas, tornozelos ou pés, conhecido como edema. O acúmulo de líquido nos tecidos costuma ser mais evidente ao final do dia, após longos períodos em pé ou sentado, podendo deixar uma marca ao pressionar a pele com o dedo.
Esse quadro pode estar ligado a dieta rica em sal, uso de certos medicamentos ou longos trajetos sem movimentação, mas também pode indicar insuficiência cardíaca. Quando o coração bombeia o sangue com dificuldade, o retorno venoso se compromete e o corpo tende a reter líquidos, principalmente nas regiões mais dependentes.
Quais sintomas de doença cardíaca costumam ser ignorados
Além do edema nas pernas, diversos outros sinais podem estar associados a problemas cardíacos e ser subestimados. Muitas vezes surgem de forma leve ou intermitente, o que leva a pessoa a adiar a procura por avaliação médica especializada.
Entre os sintomas que merecem atenção e podem sugerir doença do coração, destacam-se:
- Dor ou pressão no peito em forma de aperto, peso ou compressão, principalmente ao esforço ou em momentos de estresse.
- Falta de ar em atividades simples ou em repouso, podendo indicar acúmulo de líquido nos pulmões por falha de bombeamento do coração.
- Fadiga intensa com cansaço desproporcional, tornando tarefas cotidianas mais pesadas do que o habitual.
- Dor no braço esquerdo ou em ambos os braços, nas costas, pescoço ou mandíbula, especialmente em quadros de infarto.
- Palpitações, com batimentos acelerados, irregulares ou “saltados”, sugerindo possíveis arritmias.
Como diferenciar dor cardíaca de outros problemas
Nem toda dor no peito e no braço esquerdo está ligada a um infarto ou outra doença cardíaca grave. Problemas musculoesqueléticos, como tendinites, artrite no ombro, compressão de nervos na coluna cervical ou lesões por esforço repetitivo, podem gerar incômodo semelhante, muitas vezes piorando com movimentos específicos.

Quadros de ansiedade e crises de pânico também podem causar aperto no peito, respiração acelerada, sudorese e mal-estar, simulando um evento cardíaco. Nessas situações, a associação com forte tensão emocional e a ausência de alterações em exames ajudam a afastar uma origem diretamente cardíaca, embora muitas diretrizes recomendem avaliação cardiológica inicial em pessoas com fatores de risco.
Quais exames e cuidados ajudam a prevenir doenças cardiovasculares
A identificação precoce de doença cardiovascular depende de consultas regulares para acompanhar pressão arterial, colesterol, glicemia e peso, além de relatar qualquer sintoma novo, mesmo discreto. Pessoas com mais de 40 anos ou com histórico familiar de problemas cardíacos em idade precoce devem redobrar a atenção e não esperar a dor forte aparecer para buscar ajuda.
Se você nota inchaço nas pernas, falta de ar, dor no peito ou cansaço fora do comum, não normalize esses sinais. Procure rapidamente um serviço de saúde ou um cardiologista, faça os exames indicados e ajuste hábitos de risco agora. Adiar essa decisão pode significar a diferença entre tratar uma doença cardíaca em estágio inicial ou enfrentar uma emergência grave e irreversível.




