Comer uma vez por dia, prática conhecida pela sigla em inglês OMAD (One Meal a Day), tem se tornado um tema central nas discussões sobre saúde e biohacking. A ideia de concentrar todos os nutrientes em uma única janela alimentar promete desde o emagrecimento acelerado até uma clareza mental surpreendente.
O que acontece com o organismo nas primeiras horas de jejum?
Entender como o seu metabolismo troca a chave da glicose pela gordura é fundamental para aplicar qualquer estratégia de jejum com segurança. No vídeo a seguir, do canal A Ciência do Corpo, é explicado como comer uma vez por dia ajuda a fortalecer o organismo e proteger sua saúde.
Nas primeiras horas após a refeição, o corpo utiliza a glicose disponível no sangue. Quando esses níveis caem, a insulina baixa e o fígado libera o glicogênio armazenado para manter a energia. Esse processo é o primeiro passo para que o corpo mude sua chave metabólica e comece a buscar outras fontes de combustível.
Por volta das 16 horas sem comida, a sensibilidade à insulina melhora e as inflamações sistêmicas tendem a reduzir. A sensação de fome não é constante; ela surge em ondas controladas pela grelina, o que explica por que a vontade de comer costuma diminuir após o período inicial de adaptação ao jejum intermitente.
Como a autofagia promove a renovação das células?
Um dos maiores benefícios de ficar cerca de 20 a 24 horas sem comer é a ativação da autofagia. Esse mecanismo, que rendeu um Prêmio Nobel de Medicina, funciona como uma “faxina celular”, onde o próprio corpo recicla proteínas velhas e componentes danificados para gerar energia nova e saudável.
Abaixo, veja os principais impactos da autofagia e da cetoadaptação no funcionamento do seu corpo:
- Melhora do sistema imunológico através da eliminação de detritos celulares.
- Prevenção de doenças neurodegenerativas pela limpeza de proteínas cerebrais.
- Uso da gordura corporal como principal fonte de combustível, estabilizando a energia.
- Aumento da produção de corpos cetônicos, que servem de “supercombustível” para o cérebro.
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Quais são os riscos de concentrar a dieta em uma refeição?
Apesar dos pontos positivos, o método OMAD não é para todo mundo e pode elevar os níveis de cortisol, o hormônio do estresse. Isso acontece porque o corpo interpreta o jejum prolongado como um estado de alerta, o que em algumas pessoas pode atrapalhar o sono e até favorecer o acúmulo de gordura abdominal.
Outro desafio é a densidade nutricional. É muito difícil ingerir todas as vitaminas, minerais e proteínas necessárias para o dia em uma única sentada. Confira a comparação entre o que se busca e o que se pode perder com essa prática:
| Expectativa do OMAD | Risco Possível |
|---|---|
| Emagrecimento rápido | Perda de massa muscular (sarcopenia) |
| Foco mental e clareza | Irritabilidade e tontura por hipoglicemia |
| Praticidade na rotina | Deficiência de magnésio, ferro e vitaminas B |
O cérebro realmente funciona melhor em jejum?

Muitos adeptos relatam um aumento no foco e na produtividade. Isso ocorre porque o estado de cetose leve favorece a memória e a tomada de decisão. A estabilidade da glicose evita aqueles “apagões” ou sonolência que costumam aparecer logo após um almoço pesado, mantendo o humor mais linear ao longo do dia.
Contudo, essa hormese metabólica (um estresse que fortalece) só funciona se o indivíduo estiver bem-adaptado. Para quem tem uma rotina de exercícios intensos ou alta demanda energética, a desempenho física pode cair drasticamente se a única refeição do dia não for minuciosamente planejada com nutrientes de alta qualidade.
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