Estudos indicam que usar o snooze fragmenta o sono, interrompe o REM e confunde o ritmo circadiano. Especialistas alertam para prejuízos à memória, foco e disposição, além de possível relação com distúrbios do sono.
Aperta o botão de adiar e dorme mais “cinco minutinhos”? Esse hábito comum pode parecer inofensivo, mas estudos recentes indicam que o snooze fragmenta o sono e interfere no relógio biológico, afetando memória, foco e disposição ao longo do dia.
Por que adiar o despertador se tornou um hábito tão comum?
O snooze oferece uma sensação momentânea de conforto, mas esses minutos extras não permitem um novo ciclo reparador de sono. O cérebro entra apenas em um estado superficial, prolongando a sensação de cansaço ao acordar.
A especialista em sono Rebecca Robbins, do Brigham and Women’s Hospital, explica que esse padrão gera um despertar mais confuso, pois o organismo é interrompido repetidamente antes de completar os estágios essenciais do descanso.

Quais efeitos o snooze provoca no cérebro logo ao acordar?
Ao voltar a dormir após o primeiro alarme, o corpo tenta reiniciar o sono REM, fase fundamental para memória, aprendizagem e equilíbrio emocional. Como o tempo é insuficiente, o processo fica incompleto, reduzindo a qualidade do descanso.
- Interrupção do sono REM: prejudica consolidação de memórias recentes.
- Nevoeiro mental: dificulta foco e raciocínio nas primeiras horas.
- Fadiga persistente: sensação de cansaço mesmo após horas de sono.
O hábito de adiar o alarme confunde o relógio biológico?
Segundo especialistas, levantar-se muito depois do horário habitual pode desorganizar o ritmo circadiano. Isso dificulta adormecer na noite seguinte e torna o despertar cada vez mais difícil.
A neurologista Cathy Goldstein, professora da Universidade de Michigan, ressalta que o impacto é maior em pessoas que já dormem pouco, enquanto indivíduos bem descansados tendem a sofrer menos prejuízos cognitivos imediatos.

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Adiar o despertador pode indicar um problema de sono?
Em muitos casos, a dificuldade extrema para levantar não é preguiça, mas sinal de que o sono noturno está comprometido. O snooze frequente pode esconder distúrbios que fragmentam o descanso sem percepção clara.
- Insónia crónica: impede atingir fases profundas do sono.
- Apneia do sono: provoca microdespertares durante a noite.
- Síndrome das pernas inquietas: gera interrupções involuntárias do sono.
Existem situações em que o snooze não é tão prejudicial?
Alguns estudos apontam que, em pessoas bem descansadas, poucos minutos extras de sono leve podem reduzir a letargia matinal imediatamente após acordar.
A psicóloga do sono Shelby Harris, professora do Albert Einstein College of Medicine, destaca que esse possível benefício é pontual. Quando o snooze vira regra, a melhor estratégia é melhorar a higiene do sono e ajustar horários, não depender do botão.




