A partilha de bens após o falecimento é um dos temas mais sensíveis no direito de família argentino e brasileiro, e as mudanças legislativas recentes tornaram ainda mais importante entender, de forma prática e atual, como funciona a sucessão hereditária, quem são os herdeiros protegidos por lei, quais são os impactos tributários (como o ITCMD a partir de 2026 no Brasil) e como um planejamento sucessório bem estruturado pode reduzir conflitos, custos e insegurança para toda a família.
O que é a porção legítima na sucessão hereditária argentina
A expressão porção legítima é central na sucessão hereditária na Argentina. Trata-se da parte mínima do patrimônio que obrigatoriamente deve ser destinada a parentes próximos, os chamados herdeiros forçosos, funcionando como limite à liberdade de testar.
Mesmo com um testamento detalhado, essa reserva legal não pode ser ignorada ou reduzida além do permitido. Se o testador ultrapassar esse limite, o testamento pode ser atacado judicialmente, tendo suas disposições reduzidas na parte excedente para garantir a proteção de descendentes, ascendentes e cônjuge sobrevivente.

Como funciona a sucessão legítima e a ordem de herança na prática
Quando não existe testamento válido, aplica-se a sucessão legítima, em que a lei define quem herda e em qual ordem. O Código Civil e Comercial estabelece uma sequência objetiva de chamamento para evitar decisões arbitrárias e dar previsibilidade aos herdeiros potenciais.
A lógica segue os laços de sangue e a convivência familiar, priorizando descendentes, depois ascendentes e o cônjuge, para só então alcançar parentes mais distantes ou, em último caso, o Estado, quando inexistem herdeiros identificados.
- Descendentes: filhos e, por representação, netos têm preferência na sucessão;
- Ascendentes: pais e avós são chamados quando não há descendentes;
- Cônjuge sobrevivente: pode herdar com descendentes ou ascendentes, ou sozinho se não houver parentes diretos;
- Colaterais: irmãos, sobrinhos e tios só entram em falta dos grupos anteriores;
- Estado: recebe a herança quando não há quaisquer herdeiros identificados.

Qual é o papel jurídico do cônjuge na divisão da herança
O cônjuge sobrevivente é considerado herdeiro necessário e, em regra, não pode ser totalmente excluído da herança por testamento na Argentina. Sua participação varia conforme a existência de descendentes ou ascendentes, podendo concorrer com filhos ou pais do falecido, ou herdar sozinho na ausência de parentes diretos.
Além da herança em si, o regime de bens do casamento impacta na definição do acervo que entra na sucessão. É essencial diferenciar bens próprios, bens gananciais e dívidas, o que frequentemente exige inventários detalhados, perícias e atuação de advogados especializados para delimitar o que pertence ao falecido e o que já integra o patrimônio do cônjuge.
Como os conflitos, exclusões e impactos tributários afetam a sucessão
A falta de planejamento sucessório costuma gerar disputas prolongadas entre herdeiros, sobretudo quando há imóveis, empresas familiares, contas bancárias e dívidas relevantes. No Brasil, a partir de 2026, a combinação de maior liberdade de testar com hipóteses ampliadas de exclusão por indignidade ou abandono tende a redistribuir quotas, permitindo que herdeiros que efetivamente cuidaram do falecido recebam mais.
O custo para receber a herança também ganha peso com a reforma tributária e a adoção de alíquotas progressivas do ITCMD, que podem dobrar em alguns estados conforme o valor transmitido. Isso torna ainda mais estratégico antecipar doações, estruturar holdings familiares, revisar testamentos e simular cenários fiscais para evitar surpresas e preservar o patrimônio.
Como fazer um planejamento sucessório eficiente e por que agir agora
O planejamento sucessório antecipado permite organizar a transmissão de bens, reduzir conflitos e respeitar, ao mesmo tempo, a vontade do titular e as reservas obrigatórias da lei argentina e brasileira. Testamentos, doações em vida dentro dos limites da porção legítima, acordos familiares formais e estruturas societárias bem pensadas tornam o processo mais previsível e menos traumático.
Se a sua família possui imóveis, empresas ou patrimônio relevante e ainda não discutiu a sucessão, o momento de agir é agora: cada mês de atraso aumenta o risco de bloqueios judiciais, perda de benefícios fiscais e conflitos emocionais difíceis de reverter. Procure imediatamente um advogado especializado em Direito de Família e Sucessões para mapear bens, herdeiros forçosos e impactos tributários futuros, e estruture hoje um plano sucessório que proteja quem você ama enquanto isso ainda está sob o seu controle.



