Nos últimos anos, o avanço das ondas de calor no Brasil tem chamado a atenção de profissionais de saúde e pesquisadores. As temperaturas mais altas deixam de ser apenas um incômodo cotidiano e passam a representar um fator de risco importante para internações, especialmente entre pessoas idosas, com aumento de atendimentos de emergência relacionados ao calor extremo.
O que são ondas de calor e por que afetam tanto os idosos
Para complementar essas informações, o vídeo do @DR JULIO PEREIRA detalha como as ondas de calor impactam diretamente o corpo de idosos, explica os sinais de alerta mais comuns e mostra cuidados práticos que ajudam a reduzir o risco de internações em períodos de calor extremo.
Com o envelhecimento, o sistema cardiovascular, a pele e os mecanismos de sudorese já não respondem com a mesma eficiência. Muitos idosos ainda usam remédios para pressão alta, diuréticos ou medicamentos cardíacos, que interferem na forma como o corpo lida com o calor, aumentando o risco de internação e até de morte por complicações relacionadas ao clima.
Quais são os principais riscos das ondas de calor para a saúde dos idosos
Durante uma onda de calor, um dos primeiros efeitos observados no organismo é a vasodilatação: os vasos sanguíneos se dilatam para tentar dissipar o excesso de calor. Isso pode provocar queda da pressão arterial, tontura e instabilidade ao caminhar, funcionando como gatilho importante para quedas com fraturas e traumatismos.
A desidratação é outro ponto crítico, pois há maior perda de líquidos pelo suor e pela respiração. Em pessoas mais velhas, o mecanismo de sede é menos eficiente, fazendo com que bebam menos água justamente quando o corpo mais precisa, o que favorece insuficiência renal aguda, arritmias cardíacas e descompensação de doenças cardiovasculares pré-existentes.
Leia mais: BH tem máxima de 21°C após dias de calor intenso; entenda o motivo
Quais sinais exigem atenção imediata durante o calor extremo

Alguns sinais indicam que o corpo não está lidando bem com o calor e exigem avaliação rápida. Em idosos, são especialmente preocupantes tontura ao ficar em pé, fraqueza intensa, batimentos acelerados, dor de cabeça forte, confusão mental, dificuldade para falar, desmaios, queda súbita e mudanças de comportamento, como irritabilidade e desorientação.
Um indicador simples e acessível é a cor da urina, que ajuda a avaliar a hidratação de idosos e crianças. Mesmo sem relato de sede, a oferta de líquidos deve ser estimulada ao longo do dia para evitar que a urina fique escura e em pouco volume, o que pode sinalizar desidratação e piora de condições clínicas já existentes.
- Urina clara ou levemente amarelada: em geral indica boa hidratação.
- Urina amarela forte ou alaranjada: pode sugerir pouca ingestão de líquidos.
- Redução importante do volume urinário: sinal de alerta para desidratação.
Leia mais: Para escapar do calor, cidade australiana tem de tudo no subterrâneo
Como reduzir o impacto das ondas de calor na saúde dos idosos
A prevenção durante períodos de calor intenso envolve cuidados ambientais, ajustes na rotina e atenção aos grupos vulneráveis. Medidas simples ajudam a diminuir o risco de desidratação, quedas e descompensações cardíacas ou renais em pessoas com mais de 60 anos, especialmente em quem já tem doenças crônicas.
- Ajustar horários de atividades Priorizar caminhadas, consultas e tarefas externas nas primeiras horas da manhã ou no fim da tarde, evitando o período entre 10h e 16h.
- Manter hidratação regular Oferecer água em pequenos volumes ao longo do dia, mesmo sem sede; chás claros e sucos naturais sem excesso de açúcar podem ser alternativas.
- Cuidar do ambiente Manter janelas abertas para circulação de ar, usar ventiladores ou ar-condicionado quando disponíveis e criar áreas sombreadas em casas e varandas.
- Rever roupas e cobertores Optar por peças leves, de cores claras e tecidos ventilados, evitando excesso de cobertas, principalmente à noite.
- Monitorar idosos que vivem sozinhos Realizar visitas frequentes, ligações diárias e articular apoio de vizinhos ou serviços de assistência para identificar sinais precoces de mal-estar.




