A nutricionista Isabella Lacerda traz uma visão baseada em evidências sobre o consumo de refrigerante zero. Segundo ela, o produto é alvo de muitas críticas exageradas, mas, quando consumido com moderação e dentro de uma alimentação equilibrada, não apresenta os riscos que muitos divulgam. Sua análise aborda o teor de sódio, a presença de conservantes e corantes, o uso de adoçantes como o aspartame e as pesquisas mais recentes sobre a relação com o câncer.
Isabella reforça que seu posicionamento não é uma defesa irrestrita do refrigerante zero, mas sim um convite à reflexão sobre a importância do contexto alimentar. A ingestão ocasional, especialmente como alternativa ao refrigerante comum, pode ser estratégica para algumas pessoas, desde que inserida em hábitos saudáveis.
O refrigerante zero realmente tem muito sódio?
Uma lata de 350 ml de refrigerante zero contém cerca de 49 mg de sódio. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a recomendação diária para adultos é de menos de 2.000 mg. Isso significa que a bebida representa apenas 2% do limite recomendado, valor considerado baixo.
Para Isabella, a questão não está apenas na quantidade isolada, mas no consumo total diário. Se o restante da alimentação for equilibrado, o sódio do refrigerante zero dificilmente será um problema.
Conservantes e corantes: vilões ou parte do processamento seguro?
O refrigerante zero contém ingredientes como corante caramelo IV, ácido fosfórico, ciclamato de sódio, acessulfame de potássio, benzoato de sódio e citrato de sódio. Esses aditivos têm funções específicas, como dar cor, sabor, preservar o produto e manter o pH estável.
Segundo a OMS e a Anvisa, as quantidades utilizadas na indústria alimentícia seguem limites seguros para consumo. Assim, os riscos à saúde surgem apenas quando há consumo excessivo de produtos ultraprocessados, não pela ingestão eventual de uma bebida como essa.
Aspartame: o que dizem as evidências científicas?
O aspartame é um adoçante amplamente utilizado em refrigerantes zero. Uma lata de 350 ml contém cerca de 42 mg dessa substância. Pesquisas da OMS indicam que seria necessário consumir aproximadamente 2,5 g de aspartame por dia — o equivalente a muitos litros de refrigerante — por longos períodos para haver risco significativo à saúde.

Estudos mais recentes, incluindo revisões do FDA, apontam que a relação entre refrigerantes (normais ou zero) e câncer apresenta evidências fracas e inconclusivas. Outros fatores, como genética e estilo de vida, têm peso muito maior nesse risco.
Quando o refrigerante zero pode ser uma boa estratégia?
Para Isabella, a bebida pode ser útil como alternativa ao refrigerante comum para quem está reduzindo calorias ou quer evitar picos de açúcar no sangue. Ela cita o exemplo de pessoas que estão em déficit calórico e querem incluir algo doce no almoço para prevenir episódios de compulsão alimentar.
No entanto, reforça que essa estratégia só é benéfica quando acompanhada de bons hábitos, como alimentação rica em frutas, verduras, legumes, hidratação adequada, sono de qualidade e prática regular de atividade física.
Fontes oficiais consultadas:
- Organização Mundial da Saúde (OMS): https://www.who.int
- ,Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa): https://www.gov.br/anvisa
- Food and Drug Administration (FDA): https://www.fda.gov




