A rodovia que liga São Paulo a Belo Horizonte passa bem no meio do caminho por uma cidade que já foi apenas ponto de descanso de tropeiros. Hoje, Pouso Alegre, no sul de Minas Gerais, aproveita essa posição para receber indústrias de fora do país e, ao mesmo tempo, abastecer o Brasil inteiro com a fruta colhida nas pequenas propriedades que cercam a área urbana.
Por que a cidade entrou no grupo das dez maiores economias mineiras?
Pela combinação entre localização e chegada de indústrias. Segundo a Prefeitura de Pouso Alegre, o município alcançou R$ 14,2 bilhões de Produto Interno Bruto em 2023, o maior valor de sua série histórica, o que o coloca na 10ª posição entre as cidades de maior PIB de Minas Gerais e na 121ª do ranking nacional.
A explicação está no mapa. A cidade fica às margens da Rodovia Fernão Dias, entre os dois maiores mercados consumidores do país, e reuniu ali centros de distribuição, um aeroporto regional e uma estrutura logística e aduaneira própria. Para uma cidade de pouco mais de 160 mil habitantes, aparecer ao lado de municípios movidos por mineração no ranking estadual é resultado incomum.

Quantos morangos saem da zona rural pouso-alegrense?
Praticamente toda a safra mineira. De acordo com a Prefeitura de Pouso Alegre, citando dados da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG), o município produziu 102,25 mil toneladas da fruta em 2024, o equivalente a 87,5% de tudo o que o estado colheu, movimentando cerca de R$ 1,2 bilhão em produção primária.
O detalhe surpreendente é o tamanho de quem planta. Quase toda a produção sai de propriedades familiares com cerca de meio hectare cada, e a atividade envolve milhares de produtores e gera aproximadamente 15 mil empregos diretos e indiretos na região. O clima ajuda: a altitude garante dias quentes e noites amenas, condição que concentra açúcar na fruta.

O que os índices dizem sobre o desenvolvimento do município?
Que o crescimento chegou também aos serviços públicos. Conforme a Prefeitura de Pouso Alegre, a cidade foi classificada como a 6ª mais desenvolvida de Minas Gerais entre os 853 municípios avaliados no Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM), com nota 0,8186, dentro da faixa considerada de alto desenvolvimento.
O índice mede três frentes: emprego e renda, saúde e educação, sempre com base em estatísticas públicas oficiais. Menos de 5% das cidades brasileiras alcançam a faixa alta, o que dá dimensão ao resultado. Cidades médias que sobem nesse tipo de ranking costumam repetir a receita.

Onde ficam as atrações da porta de entrada do Sul de Minas?
Entre o centro histórico, o parque urbano e as lavouras que cercam a cidade. Confira abaixo os principais pontos de visita:
- Parque Natural Municipal: conhecido como Horto Florestal, é a principal área verde da cidade, com trilhas e espaço para caminhada.
- Teatro Municipal: prédio histórico do centro, tombado como patrimônio e usado para espetáculos e shows.
- Mercado Municipal: ponto de encontro para queijos, cachaças e o pastel de farinha de milho, prato-símbolo local.
- Catedral Metropolitana: sede da arquidiocese e um dos marcos arquitetônicos do centro.
- Museu Histórico Municipal Tuany Toledo: acervo dedicado à formação da cidade e da região.
- Rota rural do morango: propriedades familiares no entorno que vendem a fruta direto ao consumidor.
O calendário local também gira em torno da produção agrícola. O Festival do Morango, apoiado pela prefeitura, reúne palestras técnicas, oficinas de culinária e atrações culturais, aproximando o visitante de quem planta.
Quem quer conhecer Pouso Alegre vai curtir este vídeo do canal Rodando por aí, com mais de 6,3 mil visualizações, que percorre a cidade e mostra seu dia a dia.
Como é o clima de Pouso Alegre ao longo do ano?
A cidade fica a cerca de 830 metros de altitude, na Serra da Mantiqueira, o que resulta em clima subtropical de altitude. As chuvas se concentram entre novembro e março, e o inverno é seco, com madrugadas frias. Veja abaixo como as estações se comportam no município:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. As médias variam de um ano para outro por influência de fenômenos como o El Niño e a La Niña, e vale conferir a previsão atualizada antes de viajar.
Uma cidade que cresce nas duas pontas
Pouso Alegre reúne dois retratos que raramente convivem no mesmo município: galpões industriais de multinacionais ao lado de estufas de meio hectare tocadas por famílias. Um lado explica o salto econômico, o outro explica por que a fruta mais consumida do estado tem endereço fixo no sul mineiro.
Você precisa parar na Fernão Dias, provar um pastel de farinha de milho no Mercado Municipal e conhecer as lavouras que abastecem meio país de morango.




