Caroline Jardim - Especial para o Estado de Minas
Um ano após receber um aporte de R$ 3,4 milhões, a GRTS Digital, startup que usa inteligência artificial para apoiar a gestão de relações trabalhistas e sindicais, multiplicou sua base de clientes por mais de 16 vezes e superou a marca de mil empresas atendidas, entre grandes companhias e escritórios contábeis de todo o país. Com crescimento acima do planejado, a empresa projeta encerrar 2026 com R$ 30 milhões em receita recorrente anual e alcançar R$ 100 milhões nos próximos três anos.
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A expansão ocorre em um mercado marcado pela complexidade das relações trabalhistas e pelo aumento da demanda no Judiciário. Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), entre 50% e 75% da força de trabalho brasileira é coberta por negociações coletivas, que estabelecem regras distintas conforme categoria, região e atividade econômica. Ao mesmo tempo, entre janeiro e maio de 2026, os Tribunais Regionais do Trabalho receberam 615.181 processos em segundo grau, alta de 6,8% em relação ao mesmo período de 2025.
Nesse contexto, a GRTS Digital desenvolveu uma plataforma que digitaliza diferentes etapas da gestão trabalhista, do monitoramento de negociações coletivas à análise do cumprimento de obrigações previstas em acordos e convenções. A tecnologia é baseada na Norma, inteligência artificial que mapeia cláusulas de instrumentos coletivos, analisa conformidade legal, indica graus de risco, sugere ações de mitigação e gera relatórios operacionais e executivos.
Segundo o CEO da GRTS Digital, Uirá Menezes, o motor de inteligência artificial opera sobre uma base proprietária com mais de 500 mil instrumentos coletivos de trabalho e 17 milhões de cláusulas. Entre as aplicações da tecnologia está a identificação de erros de parametrização em folhas de pagamento, que podem resultar em passivos trabalhistas para as empresas.
“Validamos nossa plataforma com grandes empresas e expandimos o mercado com escritórios contábeis e empresas de serviços de terceirização de folha. Aceleramos nossas soluções de IA para o modelo Service as Software (modelo de negócios em que a empresa entrega o trabalho executado, de acordo com a necessidade do cliente)”, afirma Menezes.
A companhia atua na interseção de três segmentos de tecnologia. Em GovTech, trabalha com dados públicos relacionados a instrumentos coletivos; em HRTech, atende áreas de recursos humanos; e, em LegalTech, aplica tecnologia à análise de conformidade e à mitigação de riscos jurídicos trabalhistas.
Essa combinação também se reflete na composição societária da GRTS, que reúne fundadores com experiência no mercado trabalhista e investidores especializados em tecnologia para os setores público e jurídico. A empresa recebeu investimento do Fundo GovTech, cogerido pela KPTL e pela Cedro Capital, e também conta com a Aleve LegalTech Ventures entre seus investidores.
Integração com sistemas de folha
Outra frente de expansão da GRTS está na integração de sua tecnologia com sistemas de gestão de recursos humanos e folha de pagamento. A empresa estabeleceu parcerias com Thomson Reuters, Apdata e Senior Sistemas, que atuam como canais de distribuição e disponibilizam as soluções da startup integradas aos seus respectivos sistemas.
“A partir das parcerias com as maiores empresas de tecnologia para RH, passamos a atuar de forma integrada com os maiores sistemas de folha do país, com o potencial de reduzir a geração de bilhões em passivos trabalhistas pagos pelas empresas todos os anos”, explica Fernando Bueno, executivo responsável pela estratégia de crescimento da GRTS Digital.
Segundo Bueno, as parcerias têm como pilares a integração com os sistemas de folha e a aceleração das vendas junto às bases de clientes dos parceiros. Com a estratégia, a companhia prevê superar 5 mil clientes em 2027. “Nossa relação LTV/CAC (receita gerada ao longo do tempo pelo custo de aquisição do cliente) superou 4,5% e praticamente não temos cancelamentos”, afirma.
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O avanço da base de clientes e das novas frentes de distribuição também levou a GRTS ao ponto de equilíbrio financeiro antes de consumir integralmente os recursos da primeira rodada, reforçando a trajetória de crescimento iniciada após o aporte. “Chegamos ao ponto de equilíbrio financeiro, usando metade do valor que levantamos em nossa primeira rodada”, destaca Bueno.
