Caroline Jardim - Especial para o Estado de Minas

A inteligência artificial (IA) deixou de ser uma promessa para se tornar uma ferramenta presente no cotidiano da educação brasileira. Um levantamento da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES), em parceria com a Educa Insights, mostra que 70% dos universitários ou candidatos ao ensino superior utilizam IA nos estudos. Desse total, 29% recorrem à tecnologia diariamente e 42% semanalmente. Só a edtech BeConfident, uma das maiores plataformas de ensino de inglês com IA da América Latina, já reúne mais de 2 milhões de estudantes no Brasil e em diferentes países.

O avanço brasileiro também foi apontado pelo estudo "Inteligência Artificial na Educação: usos, oportunidades e riscos no cenário brasileiro", publicado em 2025 pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br). O levantamento identifica iniciativas desenvolvidas por universidades, institutos de pesquisa e empresas nacionais capazes de personalizar o aprendizado, oferecer feedback contínuo aos estudantes e produzir conteúdos em diferentes formatos. O relatório indica que o país começa a consolidar uma base tecnológica própria para aplicações educacionais.

A BeConfident, fundada em 2023, criou o BeConfident Labs, laboratório dedicado ao desenvolvimento de inteligência artificial aplicada à educação. O grupo desenvolveu o modelo Confiante G1, voltado ao ensino de idiomas e capaz de gerar aulas multimodais com texto, áudio, vídeo e conversação em tempo real.

Segundo Felipe Tiozo, engenheiro de software especializado em inteligência artificial aplicada à educação e diretor de tecnologia (CTO) da BeConfident, o avanço demonstra uma mudança de posição do Brasil no setor. "Esse movimento revela que a inteligência artificial deixou de ser apenas uma promessa tecnológica e já está presente no cotidiano escolar brasileiro, tanto no ensino superior quanto na educação básica. A maior parte das pesquisas em inteligência artificial ainda é conduzida por grandes laboratórios da América do Norte e da Europa, mas iniciativas brasileiras mostram que o país também pode contribuir para o desenvolvimento da tecnologia", afirma.

Como funciona o Confiante G1

O Confiante G1 foi desenvolvido para criar aulas personalizadas de inglês utilizando inteligência artificial. O sistema reúne recursos de texto, áudio, vídeo e conversação em uma única arquitetura e utiliza uma metodologia denominada cluster-based rubrics, capaz de avaliar automaticamente respostas dos alunos em diferentes formatos. Na prática, isso permite que o estudante receba feedback imediato sobre pronúncia, vocabulário, fluência e desenvolvimento das atividades, enquanto o conteúdo é adaptado conforme seu desempenho.

Outra iniciativa do laboratório foi o lançamento do RFTKit, ferramenta disponibilizada em código aberto para treinamento e ajuste de modelos de inteligência artificial. A plataforma permite que pesquisadores realizem ajustes finos em modelos de IA com critérios pedagógicos específicos, contribuindo para novas pesquisas na área.

O desenvolvimento do Confiante G1 foi liderado por Gui Dávid, head de Inteligência Artificial da BeConfident, com participação da professora Aline Coutinho no apoio pedagógico. Também integraram a equipe Felipe Silva, Felipe Tiozo, Diego Delgado e Melanie Bruckner.

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