MORADIA

Transformação digital no mercado imobiliário: startup capta R$ 17 milhões

Com aporte liderado pela Parceiro Ventures, a mineira Morada.ai amplia uso de inteligência artificial para integrar dados, crédito e vendas de imóveis

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Caroline Jardim - especial para o Estado de Minas

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Buscar um imóvel no Brasil é uma jornada marcada por fricções. Para milhões de pessoas, o processo envolve excesso de burocracia, baixa transparência, respostas lentas e um atendimento pouco aderente ao perfil financeiro e às expectativas do comprador. Do outro lado do balcão, incorporadoras e imobiliárias lidam com alto volume de clientes, baixa taxa de conversão e processos ainda muito dependentes de análise manual, planilhas e interações fragmentadas entre vendas, crédito e pós-venda.

Nesse cenário, a personalização do atendimento deixou de ser diferencial e passou a ser uma exigência. Consumidores esperam respostas rápidas, simulações de financiamento compatíveis com sua renda e orientação ao longo de toda a jornada de compra — do primeiro contato à assinatura do contrato. A dificuldade está em escalar esse nível de atenção em um mercado que financia mais de 1 milhão de unidades habitacionais por ano e movimenta bilhões de reais, mas ainda opera com fluxos pouco digitalizados.

É nesse ponto que a inteligência artificial começa a redesenhar o setor imobiliário. Ao cruzar dados, histórico de interações e critérios de crédito, plataformas baseadas em Inteligência Artificial (IA) conseguem qualificar demandas, reduzir retrabalho e tornar o atendimento mais eficiente tanto para quem compra quanto para quem vende. A promessa é diminuir o tempo de resposta, aumentar a previsibilidade das negociações e reduzir a frustração que costuma acompanhar a busca por um imóvel.

A Morada.ai surge nesse contexto como uma das apostas de transformação digital do setor. A startup mineira acaba de captar R$ 17 milhões em uma rodada liderada pela Parceiro Ventures para ampliar uma plataforma que integra atendimento automatizado, inteligência de dados e, agora, soluções voltadas ao crédito imobiliário. A empresa atende cerca de 200 incorporadoras em 17 estados e afirma que sua tecnologia já interagiu com aproximadamente 1% da população brasileira por meio de sua assistente virtual.

Segundo Ramon Azevedo, CEO e cofundador da Morada.ai, o foco do novo ciclo de crescimento envolve, além da expansão de mercado, o aprofundamento da plataforma. “Hoje temos uma operação saudável e sustentável, com ótimos indicadores de desempenho e qualidade no atendimento. Esse cenário nos possibilita investir em soluções ainda mais maduras para atendimento ao mercado imobiliário primário, transformando a jornada com uma IA especializada, desenvolvida 100% para o setor imobiliário. Atuar com crédito completa parte de nossa visão de proporcionar um caminho fluído por meio de uma plataforma IA First, que atende ao mercado de ponta a ponta”, explica.

O setor de crédito imobiliário no Brasil ainda enfrenta entraves significativos. Anualmente, mais de 1,17 milhão de unidades habitacionais são financiadas, mas o processo continua burocrático e excludente. “Hoje, até 70% das propostas podem ser reprovadas em alguns bancos. É um sistema que exige pilhas de documentos, depende de relacionamento pessoal com o gerente e consome milhões de horas por ano de análise manual de crédito”, afirma Luís Veloso, cofundador e CRO da Morada.ai.

Parte do recurso será dedicada a aprofundar a solução técnica da empresa para inserir soluções de IA ainda mais robustas para o mercado de incorporadoras, loteadoras e lançadoras, além de ampliar a atuação regional. O novo investimento sucede um aporte de R$ 6 milhões realizado apenas um ano atrás, que acelerou o desenvolvimento da plataforma de atendimento da empresa, que ajuda incorporadoras e loteadoras a controlarem a jornada de seus clientes da decisão de compra até o pós-venda, gerando dados e insights estratégicos através de inteligência artificial e agentes generativos. 

Segundo Luís Veloso, diretor da empresa, “esse aporte permite que a Morada.ai seja protagonista em uma virada de jogo do setor, onde haja mais previsibilidade a partir de IA e estruturação de dados no mercado imobiliário. Pela primeira vez, uma plataforma do setor investe de forma integrada em IA generativa, automação e crédito, conectando toda a jornada em um único fluxo inteligente. Com a entrada de uma camada ainda mais robusta de dados no nosso motor de IA, reduzimos ruídos operacionais e escalamos processos antes impossíveis com modelos tradicionais. Essa combinação, plataforma, dados e IA especializada, marca uma nova fase para o mercado de imóveis novos no Brasil”, explica.

Top 10 Artificial Intelligence 2025

Com mais de 50 milhões de mensagens trocadas e mais de  2 milhões de pessoas atendidas, a Mia se tornou uma referência em atendimento automatizado no setor. Na prática, significa que cerca de 1% da população brasileira já interagiu com a inteligência artificial da Morada.ai na hora de buscar um imóvel.

“Estamos vivendo uma segunda onda da utilização de Inteligência Artificial Generativa, que passa pela ampliação do uso da tecnologia, apenas a qualificação dos leads não é suficiente para suprir um mercado com a complexidade do mercado imobiliário, é preciso fazer uma conexão perfeita entre a IA e o ser humano, reduzindo retrabalho, aumentando a produtividade, melhorando o desempenho de marketing, ampliando as taxas de conversão dos corretores envolvidos”, comenta Ramon Azevedo.

Fundada em 2021 como spin-off da Kunumi, empresa vendida para o Bradesco, a Morada.ai combina IA generativa com APIs financeiras e automações que reduzem o tempo de resposta e aumentam a taxa de conversão no funil de vendas, além de melhorar a eficiência e diminuir custos no pós-venda, enquanto gera insights estratégicos. A startup também mantém parceria com a UFMG, onde financia projetos de pesquisa e tecnologia  com bolsistas de graduação e doutorado. Parte do time técnico foi formada internamente — desde o primeiro estagiário, hoje líder de projeto, até os engenheiros que operam a arquitetura da MIA.

Recentemente, a empresa entrou para o Top 10 Artificial Intelligence 2025, do Ranking 100 Open Startups, consolidado como o maior ranking corporativo do país e referência no mercado, que reconhece os agentes de ecossistema que mais contribuem para a prática de open innovation na América Latina. Em 2024, recebeu o selo dourado do Cubo Itaú, reconhecimento concedido às três startups que mais se destacaram no último ano.

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