A fabricante Ledger confirmou que um dispositivo ligado a perdas recentes de criptomoedas continha um implante físico não autorizado. Todos os casos confirmados envolvem produtos comercializados pela parceira comercial CryptoBilis, revendedora que atua na Indonésia, Malásia e Filipinas.
A companhia informou que o volume de aparelhos afetados é limitado e que seus sistemas internos e canais diretos de venda não sofreram invasão. Pesquisadores on-chain estimam desvios entre US$ 86 milhões e US$ 93 milhões em mais de 300 carteiras nas redes Bitcoin, Ethereum e Tron. A Ledger não apresentou uma estimativa oficial sobre os valores subtraídos.
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Orientações de segurança para os usuários
A fabricante divulgou orientações específicas aos compradores de produtos da revendedora asiática:
não inicializar aparelhos que ainda estejam na caixa;
transferir os ativos para uma nova frase de recuperação em um dispositivo obtido diretamente com a Ledger, se a carteira já estiver em uso;
procurar o suporte oficial da Ledger e formalizar denúncia junto às forças policiais locais.
A companhia também alertou que golpistas costumam agir após incidentes desse tipo. A empresa informou que seus colaboradores nunca telefonam, não enviam mensagens diretas nem pedem a frase de recuperação de 24 palavras.
Investigação e medidas de proteção
O achado representa a primeira evidência concreta de adulteração física na cadeia de suprimentos do setor. Diante dos registros de perdas ocorridos a partir de 9 de outubro de 2026, a CryptoBilis suspendeu a venda de todo o estoque de carteiras físicas até a conclusão das averiguações.
A Ledger confirmou cooperação com as autoridades. A empresa também exigiu que sua rede de distribuição adquira produtos exclusivamente por canais autorizados e proibiu a reposição de itens devolvidos.
O episódio reabriu debates sobre a segurança da autocustódia, prática que atraiu milhões de pessoas após o colapso da FTX em 2022. Em julho de 2026, uma falha de firmware na fabricante Coldcard gerou perdas estimadas entre US$ 100 milhões e US$ 130 milhões em bitcoin.
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Em publicação no X, o cofundador da Binance, Changpeng Zhao, declarou que invasores teriam comprado a distribuidora parceira e exigido a assinatura de acordos de confidencialidade. A afirmação não possui verificação independente, e a CryptoBilis não atendeu aos pedidos de resposta.
