Cerca de 70% dos empresários de Belo Horizonte avaliam o trânsito da cidade como ruim ou péssimo, sinalizando que a condição resulta em impactos significativos para as empresas. Para 37,2% deles, as restrições à mobilidade de pessoas, veículos ou cargas causam algum tipo de dificuldade para a atividade, aponta pesquisa divulgada nesta sexta-feira (31/7) pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Minas Gerais (Fecomércio MG).
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"A mobilidade urbana influencia diretamente a competitividade das empresas. Quando consumidores enfrentam dificuldades para chegar aos estabelecimentos, quando mercadorias demoram mais para serem entregues ou quando os custos logísticos aumentam, toda a atividade econômica perde eficiência. O trânsito deixou de ser apenas um problema de deslocamento e passou a afetar a capacidade de crescimento do comércio", disse Fernanda Gonçalves, economista da Fecomércio MG.
Para ela, a mobilidade precisa ser compreendida como uma política de desenvolvimento econômico e não apenas como uma questão de engenharia de tráfego. Na análise da Fecomércio MG, essa redução da competitividade se dá também frente a outros modelos de consumo, como o comércio eletrônico e os grandes centros comerciais fechados.
Outro aspecto que impacta os negócios dos entrevistados é o custo do estacionamento, apontado por 74,1%. Para os empresários, esse é um dos maiores obstáculos para atrair consumidores ao comércio de rua. A dificuldade para encontrar vagas e os preços elevados acabam desestimulando compras rápidas e reduzem a permanência dos clientes nas regiões comerciais, afetando principalmente pequenos e médios estabelecimentos.
Para Salvador Ohana, presidente do Sindicato dos Lojistas de Belo Horizonte (Sindlojas-BH), além do trânsito caótico, o comércio da Região Central da capital fica prejudicado pelo preço dos estacionamentos privados, que são muito caros, e o estacionamento rotativo, que permite ficar na vaga por apenas uma ou duas horas. Com isso, ele acredita que o Centro acaba perdendo movimento para o comércio dos bairros. ”Além de prejudicar os clientes, os problemas de mobilidade também dificultam quem trabalha no comércio da região a chegar no horário e ir embora no horário”, considerou.
"A experiência de compra começa antes mesmo de o consumidor entrar na loja. Quando chegar ao comércio se torna difícil ou caro, a cidade perde competitividade e o empresário perde oportunidades de venda", avaliou Fernanda Gonçalves.
Carga e descarga
Outro ponto em que a maioria dos entrevistados (62,6%) se sentem impactados é a dificuldade de carga e descarga de mercadorias. A insatisfação resulta das restrições de horários, da própria escassez de vagas específicas e dos conflitos entre a logística de abastecimento e a circulação de veículos. Já as consequências são o aumento do custo operacional, demora na reposição de estoques e o encarecimento da distribuição de mercadorias.
Apesar disso, 42% dos empresários avaliaram de forma positiva as restrições à circulação de caminhões na cidade, enquanto 37,9% a classificam como indiferente e apenas 18,8% como negativa. Ainda assim, 66,7% dos entrevistados afirmam que as restrições aos caminhões de carga impactam no preço do frete, o que, na visão da Fecomércio MG, evidencia o desafio de conciliar fluidez no trânsito e eficiência logística.
Transporte público noturno ainda é desafio
A pesquisa ainda avaliou a disponibilidade de transporte público após as 22h na capital. A maioria dos empresários (29,1%) classificou a oferta entre ruim e péssima, enquanto 22% disse achá-la como regular e 16,6% pensa que é ótima ou boa. Sobre se o aumento das tarifas impacta o negócio, a opinião dos empresários se divide igualmente entre sim e não. Entre os que disseram que impacta, 54,1% respondeu que isso provoca o aumento da matriz de custos do estabelecimento, 26% que causa redução do quadro de funcionários e 17,9% que promove redução de clientes.
“Essa precariedade gera uma série de consequências: reduz o número de candidatos disponíveis para trabalhar à noite; a contratação de profissionais para fechamento das lojas; aumenta o número de atrasos, faltas e a rotatividade de funcionário; obriga empresa a buscarem soluções próprias de transporte. e restringe o horário de funcionamento de determinados estabelecimentos, disse Marcelo Silveira, superintendente da Associação dos Lojistas de Shopping Centers de Minas Gerais (Aloshopping-MG).
Para ele, o transporte público noturno é um dos pontos mais sensíveis para o funcionamento do comércio, especialmente em atividades como os shoppings, que têm operações após às 22h. O superintendente da Aloshopping-MG defende uma ação integrada entre o poder público, empresas de transporte, o setor varejista e suas entidades representativas com o objetivo de construir medidas para amplificar e qualificar o transporte público em Belo Horizonte.
“A mobilidade urbana vai além dos impactos sobre o trânsito e a competitividade das empresas, afeta a rotina dos trabalhadores. A disponibilidade de ônibus após as 22h é essencial para garantir o deslocamento seguro e eficiente de quem atua no comércio e nos serviços, enquanto as dificuldades no transporte público e os congestionamentos contribuem para atrasos na chegada ao trabalho, comprometendo a produtividade das equipes, dificultam a atração e a retenção de mão de obra e o funcionamento dos estabelecimentos”, destaca a economista da Fecomércio MG.
Mobilidade Urbana
Pesquisa com os empresários do comércio varejista de BH
Como você avalia o trânsito de BH?
0,5% - Ótimo
7,4% - Bom
21,1% - Regular
32,3% - Ruim
37,9% - Péssimo
As restrições à mobilidade causam alguma dificuldade para o seu comércio?
37,2% - Sim
62,6% - Não
Qual o Impacto no seu comércio quanto à/ao:
Cobrança do rotativo
39,5% - Impacta muito
17,7% - Impacta pouco
30,6% - Não impacta
Custo do estacionamento
74,1% - Impacta muito
21,8% - Impacta pouco
4,1% - Não impacta
Dificuldade de carga e descarga
62,6% - Impacta muito
23,8% - Impacta pouco
12,2% - Não impacta
Disponibilidade de transporte público
44,2% - Impacta muito
27,2% - Impacta pouco
25,2% - Não impacta
Falta de via exclusiva para transporte público
40,1% - Impacta muito
20,4% - Impacta pouco
36,7% - Não impacta
Trânsito ruim
70,7% - Impacta muito
26,5% - Impacta pouco
2,1% - Não impacta
O aumento das tarifas dos transportes públicos impacta seu estabelecimento?
49,9% - Sim
49,9% - Não
Se sim, de que forma?*
54,1% - Aumento da matriz de custos do estabelecimento
26% - Redução do quadro de funcionários
17,9% - Menor circulação de clientes
12,2% - Redução do volume vendido
2% - Maior demanda no uso de carros
* (total não soma 100%)
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Avalie a disponibilidade de transporte público após as 22h
1,9% - Ótimo
14,7% - Bom
22% - Regular
18,2% - Ruim
10,9% - Péssimo
Fonte: Fecomércio MG
