SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Latache Capital, gestora de investimentos de Renato Azevedo e Lucas Kallas, conseguiu que um dos seus indicados fosse aprovado como membro do conselho de administração da Usiminas. Na assembleia geral realizada na quinta-feira (23/4), os membros optaram por aumentar em duas vagas o número de conselheiros, agora com nove integrantes, sendo um representante dos trabalhadores da Usiminas, um dos minoritários e sete do grupo de controle, liderado pelo grupo ítalo-argentino Ternium.
O nome da Latache no conselho será Marco Aurelio Luz Gonçalves. A gestora integra a fatia minoritária, com cerca de 5% de participação, por meio do fundo Vera Cruz.
Na terça (21), a Usiminas informou que o fundo havia pedido que a eleição dos conselheiros fosse feita por meio do modelo de votos múltiplos, que tende a favorecer os acionistas minoritários que atuam em conjunto. No início da assembleia, no entanto, o representante do fundo recuou e pediu para que a eleição fosse no formato tradicional.
Nesse modelo múltiplo, o total de votos de cada acionista é multiplicado pelo número de vagas e pode ser concentrado em um único candidato, o que aumenta as chances de minoritários elegerem ao menos um representante. No sistema tradicional, cada ação corresponde a um voto por vaga, e os mais votados são eleitos individualmente.
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Com a eleição de um representante para o conselho de administração, a Latache consegue ter influência, ainda que pequena, nas decisões da Usiminas. A gestora também conseguiu eleger dois nomes para o conselho fiscal da siderúrgica.
Além de Renato Azevedo, a Latache tem forte influência do empresário Lucas Kallas, que é sócio da gestora. Dono da Cedro Mineração, que extrai minério de ferro próximo de Belo Horizonte, ele tem disputas empresariais com a Usiminas e a Ternium em torno da construção de uma ferrovia em Minas Gerais.
Kallas quer construir uma pequena ferrovia em Serra Azul (MG), orçada em R$ 1 bilhão, para conectar mineradoras da região à malha da MRS -trajeto que hoje depende de milhares de caminhões por dia. Mas o projeto incomoda empresas como ArcelorMittal e Usiminas, que operam minas na região e defendem publicamente o uso de um mineroduto para o escoamento.
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A Latache tem comprado brigas grandes nos últimos meses -também como acionista minoritária. No ano passado, por exemplo, a gestora tentou barrar a fusão entre Marfrig e BRF. Mais recentemente, em janeiro deste ano, a gestora conseguiu renovar o conselho de administração da Oncoclínicas, da qual detém 14,6% das ações.
